Várias características que temos nos carros nacionais apareceram pela primeira vez há alguns anos como grandes novidades
A indústria automotiva brasileira está prestes a comemorar 70 anos. Nosso mercado sempre foi lento para receber novidades devido ao conservadorismo do público e aos anos de mercado fechado para importações, as inovações apareciam esporadicamente nos carros.
Mas enquanto uma marca trazia algo completamente novo, a concorrência vendia carros datados com alto volume. Felizmente isso mudou nas últimas décadas, com a chegada de mais fabricantes e um público mais ávido por novidades. Veja quais foras os carros mais inovadores do Brasil.
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Hoje todos os carros compactos e médios possuem motor montado na transversal e tracionando as rodas dianteiras. Esse esquema nasceu nos anos 50 com o Mini e faz que a mecânica ocupe menos espaço.
No Brasil o mercado de carros compactos tinha modelos com motor traseiro ou motor longitudinal dianteiro, tracionando na frente ou atrás. Quem trouxe o layout moderno foi o Fiat 147, lançado em 1976.
Ele marcou a chegada da Fiat ao Brasil já estabelecendo a fama de ser uma marca inovadora. O 147 foi o primeiro carro a álcool e também deu origem a picapinha City, que criou o segmento de caminhonetes compactas.

A Fábrica Nacionais de Motores (FNM) era uma empresa com 53% de participação estatal que foi inaugurada em 1942 para produzir motores aeronáuticos, geladeiras e caminhões. Ela fazia modelos italianos sob licença em Xerém (RJ).
O primeiro carro de passeio dela foi o 2000 JK, que era uma Alfa Romeo 2000 feita sob licença. O desenho italiano veio junto de várias inovações, como o câmbio de cinco marchas (todas sincronizadas), comando duplo no cabeçote, câmaras de combustão hemisféricas, sistema de arrefecimento com válvula termostática, embreagem hidráulica e pneus radiais.
O JK não era o maior carro vendido no Brasil, mas certamente era o mais sofisticado da época. Ele também foi o primeiro sedã esportivo do país, com a versão TIMB de 160 cv.

O Gol em era o oposto da inovação. A Volkswagen simplificou a plataforma do Passat e fez um compacto de motor longitudinal, conceito que a própria marca estava abandonando na Alemanha com o Polo e o Golf. Para completar, ele utilizava o antigo motor refrigerado a ar do Fusca.
O Gol se tornou um carro inovador em 1989, quando o GTi se tornou o primeiro carro nacional com injeção eletrônica. Essa versão esportiva também inovou mais tarde com o motor 16v importado da Alemanha, que tinha alta potência específica.
Outra inovação que estreou no Gol foi o motor 1.0 turbo, na terceira geração. Em 2003 ele voltou a fazer história com o motor flex, que permite usar gasolina, etanol ou qualquer mistura entre os combustíveis.

O Fiat Uno foi o sucessor do 147 e também teve uma família prolífica com sedã, perua, furgão e picape. Ele tinha desenho moderno assinado pelo genial Giorgetto Giugiaro e baixo coeficiente de arrasto.
Mas ele não inovou logo na estreia. O Uno Mille, de 1990, foi o primeiro carro 1.0 moderno, lançado meses após o governo lançar o programa de carros populares. Em 1994 ele trouxe outra inovação: o motor turbo. E assim passou a ser o carro mais rápido do país.

Com a abertura das importações os brasileiros viram o quanto que os carros nacionais estava defasados. O segmento de entrada tinha três carros do início dos anos 80, Ford Escort, Fiat Uno e VW Gol. Mas quem se destacava negativamente era a Chevrolet, com o Chevette lançado em 1974 e com tração traseira, leiaute menos eficiente para motores fracos.
A GM corrigiu isso em grande estilo lançando o Corsa. Ele chegou apenas um ano após o lançamento global na Europa, equipado com o motor Família 1 de projeto mais atual e com injeção eletrônica em todas as versões, enquanto os rivais ainda usavam carburadores.
O Chevrolet Corsa foi algo tão marcante que gerou longas filas de espera nas concessionárias, pois a fábrica não conseguia atender a demanda. Com o tempo o público viu que esse compacto também era robusto, tanto que o seu motor segue em linha na Spin e com muitos fãs.

Hoje é impossível sair de casa sem ver vários SUVs compactos nas ruas. Há 25 anos ter um SUV significava ser o dono de um trambolho grande e pesado derivado de picape ou ter um jipinho como o Suzuki Vitara.
O Ford EcoSport foi um carro inovador criado no Brasil como alternativa familiar do Fiesta. O projeto original era de lançar a minivan Fusion, mas a filial local viu espaço para usar a base do hatch para um carro mais aventureiro.
Parece que a Ford pegou as concorrentes de surpresa, pois a resposta só chegou 10 anos depois com o Renault Duster.

O Mercedes-Benz Classe A mostrou que o brasileiro compra carro no metro. O público prefere um carro maior, mesmo que mais simples, a um compacto sofisticado.
O Renault Logan foi o pioneiro na fórmula moderna dos carros de baixo custo. Ele tinha o porte do Toyota Corolla da época, mas era simples por dentro e concorria com os sedãs compactos.
Essa aposta em um carro de baixo custo acabou dando certo para a Renault, que não conseguiu emplacar com o Clio. Hoje a marca virou a chave e largou essa família de carros simples, passando a focar em modelos mais sofisticados novamente.

Enquanto o Logan mostrou que carros simples e grande tinham seu espaço no Brasil, a Hyundai foi para o lado oposto. O primeiro carro da marca coreana projetado para o Brasil era um popular mais sofisticado, que já vinha com ar-condicionado, direção elétrica e rádio em todas as versões.
A qualidade de construção e nível de segurança também eram acima da média. Sob o capô estavam motores modernos feitos em alumínio e com comando variável. A inovação do HB20 foi trazer um padrão melhor para o segmento de entrada.

A Toyota é uma marca conhecida por ser conservadora e o Corolla é uma prova disso. Ele nunca trouxe grandes avanços, o sucesso vinha do conjunto equilibrado e da confiabilidade do modelo.
Mas ele foi um carro inovador no Brasil por ser o primeiro híbrido produzido no país. Além disso, ele teve a primazia mundial de combinar a eletrificação com um motor flex.

Após vários adiamentos e polêmicas, a BYD inaugurou sua fábrica em Camaçari (BA). Lá ela em regime SKD o Dolphin Mini, o primeiro carro elétrico moderno montado no Brasil.
Dissemos carro elétrico moderno pois a Gurgel já havia experimentado fazer isso nos anos 70 com o Itaipu. Ela só fez 100 unidades de veículos elétricos, sendo apenas um vendido para consumidor particular e o resto para frotas do governo.
Voltando ao Dolphin Mini, ele não pode ser considerado como um carro fabricado no Brasil por ser feito em SKD. O carro chega desmontado em kits, a fábrica apenas junta as peças. A carroceria já vem pintada e os pneus já vêm cheios, mas há promessa de nacionalização dos componentes.
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