Em 1993, a Alfa Romeo construiu o fabuloso 155 V6 TI que dominou a temporada da DTM e mudou os rumos da competição
Nos anos 1990, quando o Campeonato Alemão de Turismo (DTM) era dominado pelas marcas locais, um sedã italiano de linhas angulosas atravessou as fronteiras e mudou o equilíbrio de forças nas pistas. O Alfa Romeo 155 V6 TI tornou-se um dos carros de turismo mais emblemáticos da década, lembrado até hoje como o modelo que desafiou e derrotou Mercedes e Opel em seu próprio território.
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A história começou em 1993, quando a Alfa Romeo decidiu entrar oficialmente no Deutsche Tourenwagen Meisterschaft, o DTM.O campeonato vivia uma fase de grande sofisticação técnica com o regulamento da chamada Classe 1, que permitia carros extremamente avançados. Embora mantivessem a silhueta de sedãs de produção, esses modelos utilizavam estruturas tubulares e carrocerias em materiais compostos, funcionando na prática como protótipos de competição.

Para enfrentar rivais como o Mercedes-Benz 190E e o Opel Calibra, a Alfa Corse desenvolveu o 155 V6 TI a partir do sedã apresentado no início da década. Apesar da aparência semelhante ao modelo de rua, o carro de corrida era radicalmente diferente. O motor era um V6 aspirado de 2,5 litros que nas últimas evoluções alcançava cerca de 490 cv a quase 12 mil rpm. A potência era enviada às quatro rodas por meio de um sistema de tração integral e uma caixa sequencial de seis marchas.
Com peso próximo de 1.060 quilos, o sedã italiano entregava desempenho digno de um protótipo. A aceleração de 0 a 100 km/h acontecia em cerca de 2,5 segundos e a velocidade máxima superava os 300 km/h, números impressionantes para um carro visualmente baseado em um sedã familiar.
O impacto nas pistas foi imediato. Logo na abertura da temporada de 1993, em Zolder, o Alfa venceu as duas corridas do fim de semana. Ao final do campeonato, o piloto italiano Nicola Larini havia conquistado 11 vitórias em 22 provas, garantindo os títulos de pilotos e construtores para a Alfa Romeo. Foi um golpe duro contra as marcas alemãs, que não viam um “gringo” dominar a temporada desde o Volvo 240 “Flying Brick” doutrinar em 1985.
Como todo carro italiano que se preze, é preciso um dose extra de folclore. O 155 V6 TI contava originalmente com escapamentos virados para cima. Entre as inúmeras teorias, existia uma que dizia que o ar quente expelido para o alto tinha uma função aerodinâmica. Mas na verdade, a dobra achatada servia para reduzir a ressonância que denunciava ajustes fora do regulamento.
Isso porque o regulamento impunha um limite de 98 decibéis de ruído. Para reduzir o barulho excessivo era necessário instalar catalizadores e abafadores. Mas isso impactaria na potência do V6. Assim, apontados para o alto, o ruído passava despercebido. Mas os alemães descobriram.

Nos anos seguintes, o 155 V6 TI continuou evoluindo. A engenharia tornou-se cada vez mais sofisticada, com suspensões altamente ajustáveis, aerodinâmica refinada e sistemas eletrônicos como controle de tração e freios ABS, soluções raras em carros de turismo da época. O motor também recebeu atualizações que permitiam rotações cada vez mais altas, acompanhadas por um som metálico que se tornou marca registrada do carro.
A escalada tecnológica, porém, trouxe um problema: os custos. Os carros da Classe 1 estavam entre os mais avançados do automobilismo mundial, e as equipes precisavam investir valores cada vez maiores para acompanhar a evolução técnica. Em meados da década, o DTM foi transformado no International Touring Car Championship, mas o aumento das despesas tornou o campeonato insustentável.

Com o fim da categoria após a temporada de 1996 e mudanças profundas no regulamento dos campeonatos de turismo, máquinas complexas como o Alfa Romeo 155 V6 TI desapareceram das pistas. O novo DTM que surgiria anos depois adotaria carros muito diferentes, com filosofia técnica mais controlada.
Mesmo com carreira relativamente curta, o sedã italiano deixou uma marca duradoura no automobilismo. Seu domínio em 1993, a engenharia sofisticada e o som do V6 girando perto das 12 mil rotações transformaram o modelo em um dos carros de turismo mais lembrados da década de 1990. Para muitos fãs, ele representa uma era em que os campeonatos de turismo atingiram um nível tecnológico extremo e em que um Alfa Romeo conseguiu desafiar os alemães dentro de casa e vencer.
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