Montadora chinesa promove duas inaugurações de uma fábrica que monta carros semiprontos que chegam importados e ainda adota o pior do Brasil: o 'jeitinho'
A qualidade dos veículos da BYD é inegável até para os mais céticos e para o jornalista mais exigente: goste ou não de carros elétricos e híbridos, a fabricante chinesa está na vanguarda dessa modalidade e impressiona pela velocidade no desenvolvimento de novas tecnologias.
“Corta para o Brasil”, a mais de 16 mil quilômetros de Shenzhen, na China, onde a BYD foi fundada: a operação local começou empolgada, com apresentador global como garoto-propaganda e quebrando paradigmas, colocando o carro elétrico chinês no radar do consumidor brasileiro. Mas logo a situação degringolou.
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Desde o anúncio de que iria produzir carros no Brasil, a BYD se perdeu em meio a promessas, demandas e ações que, para quem acompanha o mercado com olhar crítico, não eram práticas comuns. Dois fatos emblemáticos: a descoberta de trabalhadores chineses em situação análoga à escravidão e os constantes adiamentos da inauguração da fábrica em Camaçari (BA).
Em julho, a montadora chinesa fez uma festa enorme com autoridades e jornalistas e mostrou, na verdade, carros montados com peças totalmente importadas da China e colocados no final da linha, simulando terem sido fabricados no Brasil.
Imediatamente começaram as propagandas tratando os carros da BYD como “de brasileiros para brasileiros”. Na época, nem alvará de funcionamento a empresa possuía. Por isso, foi agraciada pelo AutoPapo com o Troféu Melancia, o que deixou alguns executivos da marca bastante contrariados.

A “produção” de fato começou em outubro, após outra festa de inauguração, desta vez com a presença dos figurões da BYD e de autoridades de primeiríssimo escalão, como o presidente Lula. Mesmo assim, os carros da montadora chinesa estavam longe de ser “de brasileiros”, já que eles são apenas montados aqui com o sistema SKD, ou seja, chegam praticamente prontos, bastando apertar alguns parafusos para juntar todas as partes vindas da China.
A BYD resolveu contar outra mentirinha depois, desta vez barrada até pelo Conar, o conselho que regula o mercado publicitário no Brasil. A fabricante chinesa comparou o seu campeão de vendas, Dolphin Mini, com o carro que está entre os mais vendidos do Brasil, o VW Polo.
O material publicitário dizia que o Dolphin Mini tinha manutenção mais barata, desvalorizava menos e que a BYD teria os “clientes mais felizes e mais satisfeitos do Brasil”. Para o Conar, havia dois problemas. O primeiro foi citar o Polo diretamente. Advertida, a empresa fez “graça” ao trocar todas as situações em que o concorrente da VW era citado por cenas do esporte polo.
Ainda assim, o órgão regulador entendeu que as campanhas ultrapassaram os limites da comunicação comparativa ao utilizar dados ou pesquisas sem comprovação considerada suficiente ou fora do contexto necessário para sustentar afirmações absolutas. O órgão também avaliou que comparações entre modelos de categorias, ciclos de produto e metodologias distintas podem induzir o consumidor ao erro, em decisão divulgada em 18 de novembro.

A BYD “brasileira” parece ter absorvido o pior do que o nosso país tem de notório: o “jeitinho”. No último Salão do Automóvel de SP, desrespeitou as regras estabelecidas para os expositores e afrontou as outras montadoras ao promover, durante os dias abertos ao público, um lançamento e um show. Teve até influencer “expert em mercado” que classificou a marca como disruptiva, já que ela teria assumido o risco de pagar uma multa para fazer as coisas à sua maneira.
Outra prática “inédita” protagonizada pela montadora chinesa foi a agressividade em seus comunicados e ataques pessoais de seus executivos a colegas do mundo corporativo e jornalistas, além de tentativas de intimidação.
Por essas (e outras), a BYD foi a grande vencedora do Pinóquio de Ouro 2025.
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Não adianta nadar contra a maré. Os carros elétricos serão maioria. E a China é quem consegue fabricar com um preço mais justo. Muitas empresas falam em ESG, mas precisam colocar as ações em prática e os carros elétricos estão aí para ajudar.
A marca vai precisar construir reputação por aqui. Muita gente tá no hype de comprar carro elétrico, mas esquece que depois de 5 ou 10 anos não terá mercado e a desvalorização será altíssima, já que um híbrido ou elétrico com bateria meia boa não servirá pra nada, ou só pra chegar até a padaria.
Esse lance de inaugurar fabrica produzindo antes dela produzir, não é novidade.
Aqui no Brasil prefeitos e governadores fazem isso às pencas, inaugurando canteiros de obras como “obras prontas”.
Achei está matéria maldosa. Até poderia afirmar que nada é fabricado aqui no Brasil. Mas é esta marca que ajudou a derrubar os preços dos carros aqui. E lembro que o Brasil não possui nenhuma marca nacional. Todas são estrangeiras.
Realmente existem várias dúvidas como será o futuro destes carros elétricos. Mas até agora, após dois anos com um carro da marca a satisfação tem se mantido e algumas dúvidas foram dissipadas. Por exemplo a vida útil do pneu que não duraria 20.000 km. Já tá com 35 mil km e com meia vida.
Consigo fazer viagens de 400 km de distância sem estresse.
O meu modelo já te em mais de 1 milhão de unidades vendidas no mundo.
Não quero converter ninguém. Até porque carro elétrico não é para todos neste momento. E não falo de poder de compra, até porque já está no mesmo valor que um carro a combustão. Carro elétrico são para pessoas disruptivas.
Enfim, ao invés de criticarem deveriam entender as oportunidades e o ciclo virtuoso dos carros elétricos.
Um feliz 2.026 para vocês!!!!!