Carro elétrico usado já vale a pena? Quais cuidados tomar?

Já é possível ter um carro elétrico abaixo de R$ 100 mil e sem ficar com um pepino nas mãos, explicamos como está o mercado

byd yuan plus ev vermelho frente andando em praia
A falta de um motor a combustão reduz algumas preocupações (Foto: BYD | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 15/02/2026 às 09h00

Os carros elétricos já deixaram de ser nicho e se tornaram uma realidade no mercado brasileiro. Em 2025 eles foram responsáveis por 11% dos emplacamentos. Mas a porta de entrada deles ainda está em R$ 100 mil, com essa popularização passou a valer a pena comprar um usado?

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O primeiro carro elétrico moderno vendido no Brasil foi o Renault Zoe, em 2019. Até a chegada do BYD Dolphin, em 2023, esse segmento tinha volume baixo e com grande parte das opções sendo modelos de luxo.

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Por isso, a oferta de carros elétricos usados hoje ainda é limitada. Os modelos mais fáceis de achar são pós 2023, que são tratados no mercado como seminovos.

Como está o mercado de carros elétricos usados hoje

Um levantamento da Data OLX Autos ajuda a ilustrar como está o comportamento do mercado brasileiro diante dos carros eletrificados. A pesquisa revela que a principal motivação para comprar esse tipo de carro é o bolso:

A economia no abastecimento e a sustentabilidade (redução de emissões) foram citadas, cada uma, por 61% dos interessados como os principais motivos para a troca.

A pesquisa também apontou que 91% do consumidores entrevistados em São Paulo pretendem comprar um carro elétrico ou híbrido. Para os elétricos a taxa é de 77%, sinal de que o medo com esse tipo de tecnologia está menor.

O tipo de carro elétrico que vem atraindo mais o consumidor são os hatches compactos, como o Geely EX2 e o BYD Dolphin Mini. Coriolano Lacerda, gerente de inteligência de mercado do Grupo OLX comenta essa tendência:

Nos portais da OLX, observamos essa tendência segmentada, os elétricos dominam os hatches pelo uso urbano, enquanto híbridos prevalecem em SUVs e sedãs. Esse movimento é impulsionado pelo desejo do consumidor, 91% dos paulistas já consideram a transição, motivados pelo binômio inseparável de economia no abastecimento e consciência ambiental”

Esses também são os carros elétricos mais vendidos no mercado de zero km. Em 2025 o Dolphin Mini foi o líder, com o Geely EX2 chegando ao final do ano com volume considerável. A expetativa é de ter mais opções em 2026.

Carros elétrico usados são mais fáceis de avaliar

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A única manutenção periódica relacionada com mecânica que um elétrico exige é a troca do líquido de arrefecimento da bateria (Foto: GWM | Divulgação)

Na hora de comprar um carro usado é preciso olhar o motor com muita atenção ou levar para um especialista. Sons diferentes, vibração e até mesmo o cheiro podem denunciar problemas iminentes.

Uma vantagem do carro elétrico é que seu motor não exige manutenção. O comprador precisa preocupar apenas com o estado da suspensão, da carroceria e do interior.

A bateria pode ser algo a ser analisado se a quilometragem for alta. Nas concessionárias é possível aferir a vida útil delas e se a garantia ainda está ativa.

Como o custo por quilômetro do carro elétrico é bem menor que o de um a combustão, é comum vê-los rodando como táxi ou em aplicativos. Os carros mais populares, como o BYD Dolphin e o Renault Kwid E-Tech são os mais populares nesse uso.

Para identificar que o carro tenha trabalhado dessa forma é preciso olhar o desgaste na forração do banco traseiro, nos cintos de segurança traseiros e nas borrachas de vedação das portas.

A suspensão também merece atenção. Muitos dos modelos chineses vieram sem uma tropicalização, verifique o estado das buchas, amortecedores e bieletas. Como gastam os pneus mais rápido, atente sobre o estado deles.

A conta pode ir além do carro

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O carro zero vem com um wallbox, quem compra um usado vai ter que providenciar o carregador e a instalação (Foto: Leapmotor | Divulgação)

É comum que os carros elétricos novos venham com um carregador do tipo wallbox junto. O usado não terá esse benefício, a não ser que o dono já tenha um em casa e guardou o que vem de brinde.

Se você está interessado em comprar um carro usado de segunda mão, estude as opções de wallbox. Para quem mora em prédios é preciso checar com a administração se é possível instalar um carregador na vaga.

Caso você não tenha garagem em casa ou não possa ter um carregador no prédio, considere bem a comprar. Depender de carregadores públicos pode ser arriscado, se for usar os rápidos com frequência os gastos serão maiores.

Carros elétricos que viraram mico

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A bateria refrigerada a ar do Leaf perde capacidade mais rápido que as de refrigeração líquida (Foto: Nissan | Divulgação)

O mercado de carros elétricos usados parece ter os seus favoritos: os modelos da BYD, o GWM Ora 03 e os carros da Renault. Os modelos e208 e e2008 da Peugeot também parecem ter boa aceitação, mas não tanta quanto os mais populares.

O arriscado é pegar um carro elétrico que vendeu pouco quando novo ou modelos premium. Esses costumam ficar encalhados nas lojas e recebem grandes descontos.

Modelos como o Fiat 500e e os carros da Neta são alguns exemplos. O Chevrolet Bolt, apesar de ter vários predicados, ficou com má fama devido aos recalls. Já o Nissan Leaf tem baixa durabilidade na bateria devido a refrigeração a ar delas.

Esse cenário pode mudar nos próximos anos com a chegada de novos competidores. O Geely EX2 está vendendo bem e a Chevrolet trouxe o Spark EUV usando a marca como lastro.

BYD usado vale mais a pena que um novo

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O Dolphin Plus de segunda mão já pode ser encontrado por cerca de R$ 135 mil (Foto: BYD | Divulgação)

Os carros elétricos de entrada da BYD são os melhores no mercado de usado hoje. A marca é líder no segmento desde o lançamento do Dolphin em 2023 e desde então os carros não apresentam problemas graves, o ponto crítico é a falta de peças na rede autorizada.

Como a BYD trabalha suas vendas de forma agressiva, os carros novos saem com descontos e preços próximos ao valor dos usados. Com isso, a tabela dos carros de segunda mão deixaram eles mais favoráveis.

O Dolphin Mini GL, com bateria menor, é vendido novo por R$ 99 mil para PcD e CNPJ. Um modelo GS, com mais autonomia, pode ser encontrado a R$ 90 mil no mercado de usados.

Já o Dolphin GS usado está na faixa de R$ 110 a 130 mil. O modelo Plus, com teto solar, motor de 204 cv, suspensão traseira independente e pacote ADAS é comercializado abaixo de R$ 150 mil. É mais vantajoso que o modelo GS novo.

O SUV médio elétrico da BYD, o Yuan Plus, está entre R$ 150 e 175 mil no mercado de usados. Ele sai mais barato que o irmão menor Yuan Pro zero km e serve como alternativa mais familiar ao Dolphin.

Outra vantagem dos BYD usados é ainda estarem cobertos pela garantia. Mas é preciso ficar atento às concessionárias.

Considere um híbrido

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Os híbridos da Toyota conseguem reduzir os custos com o consumo baixo e têm manutenção tão simples quanto os modelos a combustão da marca (Foto: Toyota | Divulgação)

Para ter um carro elétrico é preciso considerar bem alguns detalhes: ter um local para carregar em casa, se o carro se adequa a sua rotina e se ele cabe no seu bolso.

Caso algum desses fatores não colabore, a alternativa pode ser um carro hibrido usado. Eles possuem custo por km rodado menor e alguns benefícios como a isenção do rodízio em São Paulo (SP).

Nossa recomendação é procurar os híbridos da Toyota, o Prius e o Corolla. Eles são conhecidos pela robustez e a manutenção periódica é a mesma de um modelo a combustão, a única diferença é ter que trocar o filtro de ar das baterias periodicamente.

As baterias usadas pela Toyota são de níquel-metal hidreto, com densidade energética menor que as de íons de lítio, porém mais duráveis e seguras contra incêndio. Híbridos que utilizam baterias de íons de lítio, como o Ford Fusion, podem exigir mais cuidados a médio prazo.

O Toyota Prius e seu irmão Lexus CT200h podem ser encontrados abaixo de R$ 100 mil. Já o Corolla está acima desse valor, mas possui a vantagem de ser flex.

Pesquisando bem, já é possível comprar um híbrido ou um elétrico de segunda mão. A tendência é que no futuro seja ainda mais fácil.

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