GM rebate Stellantis: carro híbrido não neutraliza emissões como elétrico

Para a General Motors, a combinação da matriz hidrelétrica brasileira e o carro 100% a bateria permitem zerar emissões em todo processo

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GM não quer saber de híbridos e aposta suas fichas em modelos 100% elétricos, como o Bolt UV (Foto: GM | Divulgação)
Por Marcelo Jabulas
Publicado em 01/06/2023 às 16h03

A General Motors não quer saber de carro híbrido em sua gama, ela quer o 100% elétrico. Ao contrário de Stellantis, Volkswagen e Toyota que apostam que a combinação do motor térmico e elétrico seja a solução mais viável para a descarbonização dos automóveis, a GM só tem olhos para automóveis movidos puramente com eletricidade armazenadas em baterias.

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E ela garante que o elétrico, combinado com o uso da energia hidrelétrica é a forma mais eficaz para neutralizar a emissão de carbono no sistema de transporte. Suas rivais, por sua vez, apostam no etanol, que é capaz de neutralizar o carbono da queima (no motor) com o processo de plantio.

“Apesar da notabilidade do papel do etanol, o Brasil não pode deixar de buscar alternativas mais eficientes, como o carro elétrico, o único que não emite gás carbônico ou poluentes por onde roda. Por isso nem escapamento tem”, observa o diretor de Engenharia e Planejamento de Produto da GM América do Sul, Elbi Kremer.

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Para a GM a cana-de-açúcar deveria ser utilizada na produção de hidrogênio e não combustível (Foto: VWCO | Divulgação)

Isso porque a GM explica que é preciso levar em consideração não apenas a queima do etanol no motor, mas também o impacto da produção do combustível desde o plantio, colheita e produção, um ciclo conhecido como Well-To-Wheel” (WTW), que em português se traduz em “Poço à Roda”. Assim, aos olhos da GM, até mesmos os híbridos seriam incapazes de neutralizar suas emissões e atingir as metas de descarbonização do setor.

Ela ainda se baliza na defesa do carro 100% elétrico pelo fato de 86% da energia elétrica no país vem de fontes renováveis e limpas, ao contrário de outros mercados em que a recarga de um elétrico depende da energia gerada com base em usinas térmicas, que usam carvão como combustível.

Elétrico na contramão do carro híbrido

O discurso vai na contramão daquilo que defende a Stellantis. Recentemente, o vice-presidente de Compliance de Produto da Stellantis para a América do Sul, João Irineu, em encontro com a imprensa, explicou porque o carro híbrido é a solução mais viável.

A Stellantis também leva em consideração a metodologia “Poço à Roda” e garante que o funcionamento de um carro elétrico e de um carro abastecido apenas com etanol são praticamente iguais. Numa escala de impacto em que o uso da gasolina corresponde a 100 WTW em emissões, o uso apenas do etanol corresponde a 32 WTM e o elétrico emite 28 WTM.

Entra na conta da neutralização do etanol o fato de o plantio da cana capturar 70% do carbono gerado na queima no motor. No entanto, a Stellantis garante que quando se combina o etanol com sistema híbrido, a eficiência supera o elétrico.

“O grande problema do carro abastecido com o etanol é durante seu funcionamento frio, quando ele é mais poluente. Ou seja, quando se dá a partida, o catalizador leva alguns minutos para se aquecer e atuar de forma efetiva. Com o motor híbrido, mesmo do tipo leve, a unidade elétrica assume a tração enquanto o sitema térmico atinja a temperatura ideal, tornando ele ainda mais eficiente”, explicou Irineu.

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Segundo a Stellantis, é mais fácil iniciar a produção do carro híbrido do que partir para o 100% elétrico no Brasil (Foto: VW | Divulgação)

Além disso, a Stellantis também considera outros dois fatores para optar pelo carro híbrido e não pelo elétrico: infraestrutura de produção e preço. De acordo com o grupo não dá para virar a chave de uma vez, pois causaria um colapso na cadeia de produção.

“Uma fabricante de automóveis monta seus carros com peças enviadas de seus fornecedores. Juntamos tudo e fazemos um automóvel. Apesar de um carro elétrico e um a combustão serem parecido diantes dos olhos, são produtos completamente diferentes e que exigiria um investimento imenso na cadeia de fornecimento”, comentou o executivo da Stellantis.

A ideia de Irineu é iniciar a eletrificação de forma gradual, partindo do híbrido leve, posterior mente o híbrido. Num terceiro momento o híbrido plug-in e posteriormente o 100% elétrico.

“O mercado também não teria como absorver essa mudança de imediato. O carro elétrico é caro e depende de insumos importados. É preciso ampliar a nacionalização dos componentes para chegar a um preço que o consumidor consiga pagar. Por isso, o híbrido leve surge como uma opção que atrela neutralização de emissões e valores factíveis”, conclui Irineu.

Mas para a GM o ideal é encurtar o caminho para obter uma neutralidade plena de forma mais rápida. Para Kremer, o etanol será mais útil na produção de hidrogênio do que propriamente para abastecer automóveis. “Pela perspectiva da convergência global e potencial futuro de exportação da indústria nacional é indiscutível que o EV é a melhor solução”, complementa o executivo da GM.

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O Chevrolet Bolt EUV é uma versão mais aventureira do Bolt EV, e estreou com preço de R$ 280 mil no Brasil (Foto: GM | Divulgação)

De fato, a filial da General Motors não tem muito o que fazer. Nos Estados Unidos a migração será da combustão para o 100% elétrico e já começou. A marca já conta com a dupla Bolt EV e Bolt EUV e já revelou o Equinox EV e também terá a Blazer EV, isso apenas na gama Chevrolet. Mas isso é nos EUA.

Quando se fala de Brasil com sua abundante matriz hidrelétrica, A GM não detalha quanto iria custar seu carro elétrico e como ele seria fabricado no Brasil. Hoje todos os elétricos são importados e seus valores partem de R$ 150 mil. O Bolt EUV, que terá apenas 200 unidades importadas, custa R$ 280 mil. A conta não fecha.

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30 Comentários
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Paulinho 5 de junho de 2023

Este pessoal ta só esquencendo de um “detalhesinho”, a poluição para fabricação dos acumuladores e o descarte de todo este material tóxico quando estragarem, vai ser muito, mas muito mais poluente que o descarte de pneus que temos hoje em dia.

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Geraldo 4 de junho de 2023

De novo esta idiotice de carro elétrico. Meu flex é menos poluente e se for no álcool então nem se fala…para em qq posto e em 5 minutos tomando um cafezinho encho o tanque e vou embora….carro elétrico já nasceu morto e não é a primeira vez…

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Santiago 2 de junho de 2023

Realmente os híbridos não zeram a emissão de carbono, porém a reduzem de forma significativa.
Já os elétricos a bateria apenas trocam a emissão de lugar: Deixam de emiti-la pelo escapamento, e passam a emiti-la pelas chaminés das usinas termoelétricas, e também pelo contaminante processo de produção das baterias.

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Diego 2 de junho de 2023

Depender apenas de energias “limpas” hidrelétrica, fotovoltaica e eólica é estrategicamente perigoso. Todas elas dependem do fator clima, e este já bagunçou bastante a matriz energética do pais. Vide um passado não muito distante que áreas do país sofreram com racionamento de energia porque as reservas de hidrelétricas estavam no volume morto. Também, temos que admitir que, para larga escala, a geração de energia fotovoltaica e eólica ainda são ineficientes. Num exercícios de imaginação, imagem nosso futuro, com a atual matriz energética do país, e com uma frota de veículos 30% elétrica, onde necessitaríamos de um eventual racionamento de energia. O país simplesmente entraria em colapso (bem pior do que já vivenciamos). Aliás, o estoque de energia do país, provavelmente, nem suporta, atualmente, uma frota 30% elétrica. É com esse raciocínio que tenho a impressão de que a energia para frota é o hidrogênio, que é o elemento mais abundante no planeta, estando disponível com sol ou sem, com chuva ou sem, com vento ou sem.

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Georges 2 de junho de 2023

Pregam eletrificação e tentam nos empurrar um veículo que já saiu de linha lá? Obrigado GM !

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Daniel F Oliveira 2 de junho de 2023

Perfeita analise.

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Rodrigo 2 de junho de 2023

Sou super a favor dos carros elétricos. Porém, suas baterias ainda são caríssimas, frágeis e ineficientes. O dia que investirem de fato em baterias com compostos de grafeno, ai sim veremos uma mudança de fato na indústria automotiva e eletrônicos em geral. Além disso, precisa de incentivo por parte dos fabricantes, montadoras e governos para que seja realmente viável. De nada adianta um carro elétrico se em grande parte do mundo não existem pontos de carregamentos. Imagina o cara no meio da Route 66 e a bateria simplesmente acaba. Ou no meio do sertão nordestino. Carros híbridos chegaram muito tarde. Não são de fato viáveis. São muito caros, poluem do mesmo jeito e ainda carregam o peso de um motor elétrico e pack de baterias, isto é, muito mais gastão que um igual somente a combustão. Enfim, tem muita água pra correr ainda nesse rio, muita coisa pra realmente acontecer e acredito que lá pelos anos 2040, 2050 é que teremos veículos elétricos eficientes rodando por ai nas mãos de pessoas comuns, população em geral… por enquanto é um sonho ainda muito caro e distante…

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Diego 2 de junho de 2023

Os carros híbridos tem o objetivo de diminuir emissões, não de zerar. Zerar emissões (desde sua fabricação) ainda é uma utopia, não existe tecnologia para viabilizar isso. Sem contar que a extração dos componentes das baterias são altamente poluentes na atualidade. O híbrido leve é uma boa opção para o país, pois o motor elétrico é pequeno e funciona como gerador, não sendo necessários pack de baterias. E já diminuem muito o consumo.

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Marco Antonio de Castro e Silva Soares 26 de julho de 2023

Concordo plenamente com você Rodrigo.

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Santos Lemos 2 de junho de 2023

A GM? Ah ah ah ah não me façam rir! Mas a GM sabe fazer carros?

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Santiago 1 de junho de 2023

A nossa energia hidroelétrica já está no limite, abastecendo as nossas cidades e inúmeras infraestruturas de serviços, e também movendo os muitos setores da nossa economia.
E as energias eólica e solar? Estão voltadas para complementar a energia hidroelétrica nas atuais demandas.
Ou seja, NÃO TEMOS energia limpa para uma hipotética frota de dezenas de milhões de automóveis a bateria. Sem contar os processos altamente poluentes de produção (e futuro descarte) das tais baterias.

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Garrido 1 de junho de 2023

O carro elétrico aqui no Brasil, é uma realidade muito distante para a maioria dos brasileiros. Valores de preços dos carros elétricos muito elevado, falta uma estrutura para o abastecimento implantados em todo o país, assim como um plano para troca das baterias, quando estás estiverem no fim de sua vida útil e descarte correto para as mesmas. Além do valor da energia elétrica que irá sofrer com aumentos constantes e abusivos por parte do governo.

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Gustavo 1 de junho de 2023

Sempre gostei dos carros da General Motors e acho que eles fabricam carros muito confiáveis, duráveis e com um dos melhores custo/benefício do mercado, mas agora se eles partirem para 100% de carros elétricos, serei o primeiro a pular fora, tem Wolksvagem, Toyota que também gosto e estão estudando de fazer carros híbridos que é a melhor tecnologia nova que estamos vendo chegar. Carro elétrico só para “portugues” ver, custo, duração das baterias absurdo, sem contar a poluição que isto vai gerar na hora do descarte. Porque que ninguém explica claramente como descartar as baterias sem afetar o meio ambiente?

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Cláudio Cruz 4 de junho de 2023

Porquê só para português ver? Preconceito puro. Isso da cadeia…

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Gustavo 5 de junho de 2023

Pois é, desculpe pela expressão usada, apenas quis dizer que carros puramente elétricos não são a melhor opção.

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Paulo Gomes 6 de junho de 2023

Pense numa coisinha antipática essa história do politicamente correto!!

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Gustavo 6 de junho de 2023

Pois é, antigamente não era assim mas agora nosso país está cheio disto, e temos que respeitar infelizmente.

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Elioricardoalvessilva 1 de junho de 2023

O problema e de fato as baterias ela será para o primeiro dono depois quero ver o valor de se trocar todas elas isso ninguém toca no assunto estão e empurrando goela a baixo no (feliz proprietário) que tem como comprar mas fora da realidade de muitos

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Daniel F Oliveira 2 de junho de 2023

Perfeita analise. Essa conta com a vida útil e ciclo de carbono na produção das baterias. Essa conta não fecha.

A eletrificação é para elitizar o carro

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Georges 2 de junho de 2023

Viu aquela reportagem do cara que teve que trocar a bateria danificada do Fiat 500 e pagou 200 mil pela nova? Os chineses estão desenvolvendo novos tipos de bateria, mais duráveis e de menor custo. Deixemos o 1º mundo se eletrificar e depois entramos no jogo.

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Elioricardo 2 de junho de 2023

Georges onde saiu essa reportagem ? Gostaria de ler se for verdade é duro

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Marcelo 1 de junho de 2023

Kkkkk vi GM no título, já dei risada…. GM tá no Brasil faz uns 100 anos e até hoje não sabe fazer carro ow, nao é agora que vai mudar né kkkkkkk…. descarte de bateria e producao suja de energia eletrica é muito sustentável msm… o mundo todo usa termoeletrica e usina nuclear para produzir energia eletrica e carro eletrico é mais sustentavel kkkkkk… só se for na cabeça da Mary Barra

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Rafael 1 de junho de 2023

Neutraliza o gás carbônico e ferra com o meio ambiente no descarte de baterias, a dona GM está mais preocupada só em vender o seu peixe sendo que a república das bananas esta a anos luz para oferecer estrutura para manter carros elétricos.

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Daniel F Oliveira 2 de junho de 2023

Perfeita analise. Essa conta com a vida útil e ciclo de carbono na produção das baterias. Essa conta não fecha.

A eletrificação é para elitizar o carro

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Gilberto 1 de junho de 2023

A preocupação é com a emissão de poluentes… Interessante que ninguém procura saber como é obtido o lítio das atuais baterias, com seu custo e sua duração, pois sua vida útil é dependente do número de ciclos de recarga. Apostar num carro 100% elétrico, no estágio atual das baterias é insano. Depois a GM vai buscar ajuda do governo americano para não falir. Fico imaginando o brasileiro comum comprando um carro desses, usado é claro, e descobrir que deve trocar o conjunto de baterias, que vai custar bem mais que o valor do carro, lembrando que nem a manutenção básica de um carro flex é feita!

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Santos Lemos 1 de junho de 2023

O que é que a GM sabe? Elétricos 100% neste momento? Devem estar bêbados. Eles já vendem pouco assim, só elétricos venderiam pouco mais que 0. Também aquilo já não é GM é um saco de gatos,

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Ricardo Martins 1 de junho de 2023

Infelizmente eu sou obrigado a dizer: Carros Elétricos (infelizmente) não passam de um gigantesco delírio coletivo. Provavelmente o maior delírio coletivo que a humanidade já viu. Talvez se torne uma realidade um dia, mas não até o final do século. Há tanto contras que os prós se perdem e são esquecidos.

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Daniel F Oliveira 2 de junho de 2023

Perfeita analise

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Georges 2 de junho de 2023

E a gasolina sintética que Porshe e cia. estão desenvolvendo? Se chegarem em escala e preço já éra bateria.

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FE 1 de junho de 2023

Não que a GM esteja errada (em outros Países), mas em se tratando de Brasil, onde não temos ainda pontos de recarga em abundancia e como estamos sentindo na pele os altos preços dos carros atualmente e a queda nas vendas, podemos perceber que a Stellantis acerta em apostar em um carro que não pára na estrada por falta de bateria (pontos de recarga) e acerta também em ter carros híbridos que são mais baratos em comparativo com os elétricos.
Não adianta fabricar carros super caros para nenhum público comprar.

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