As fábricas brasileiras não atuam apenas para o mercado interno, exportamos muitos carros para várias partes do planeta
A indústria automobilística brasileira não é forte apenas para o mercado interno, ela também exporta para vários países. A região do Oriente Médio é uma das mais costumeiras e distantes, comprando carros nacionais desde os anos 1980.
Essa boa relação segue até os tempos atuais, com carros, ônibus e caminhões atravessando o globo até aportar no Oriente Médio. Confira alguns exemplos.
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Essa é a história mais famosa de carro brasileiro sendo exportado para o Oriente Médio. A Volkswagen do Brasil firmou um acordo com o governo do Iraque para a exportação do Passat.
A filial da marca alemã era paga com barris de petróleo, que eram repassados à Petrobras. O acordo durou de 1983 a 1988, ano em que o Passat Saiu de linha.
Em 1986 houve um excedente na produção do carro, aí a Volkswagen decidiu vendê-lo no Brasil. As especificações traziam algumas diferenças para atender ao calor extremo do Oriente Médio e ao gosto local.
O Passat “iraquiano” trazia carroceria de quatro portas, ar-condicionado, ventoinha de 250 W, radiador em cobre, protetor de cárter, quatro ganchos de reboque, quatro apoios de cabeça, pneus radiais têxteis, carpete mais grosso e interior com acabamento em vermelho, exceto nas unidades com pintura azul. O motor usado era o 1.6 MD 270 e o câmbio era de quatro marchas, a linha nacional já trazia o atualizado AP600 e caixa de cinco marchas.




O Irã é o país do Oriente Médio com a maior indústria automobilística local. A Iran Khodro e a Saipa produzem projetos locais e também carros de marcas tradicionais sob licença, o mais famoso é o Peugeot 405 que foi produzido lá de 1992 a 2002.
Entre 2003 e 2010 a Volkswagen teve uma joint-venture com a Kerman Khodro para a produção do Gol em solo iraniano. O hatch era montado em regime CKD, com apenas a terceira geração sendo feita.
É difícil encontrar informações sobre o carro. Uma notícia do lançamento diz que ele era produzido com carroceria de quatro portas, motor 1.8, ar-condicionado, direção hidráulica, airbags dianteiros e vidros e travas elétricas. O motor recebeu um segundo radiador para lidar com o calor.
Na notícia diz que a carroceria era enviada da fábrica de Taubaté (SP) e o motor da unidade de São Bernardo do Campo (SP). A Volkswagen do Brasil supervisionava a produção. A expectativa era de vender 20 mil carros por ano em uma rede de 70 concessionárias.
O carro chegou a estrelar no filme iraniano Negar, de 2017. Utilizamos algumas fotos dele para ilustrar a matéria.




O Commander foi o primeiro carro da Jeep inteiramente desenvolvido no Brasil. Ele não é uma mera “jabuticaba”, essa fórmula de SUV médio com sete lugares é popular em outros países.
Por isso, a Stellantis também produziu o modelo brasileiro na Índia com direção no lado direito e exporta ele para o Japão. Já a fábrica de Goiana, no Pernambuco, produz o Commander para o continente americano e o Oriente Médio.
Atualmente ele é vendido na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Omã, Catar, Kuwait e Bahrein. O único motor oferecido é o 2.0 turbo Hurricane, a gasolina, o diesel não é popular em carros de passeio nesses países.
Uma diferença do modelo de exportação do Commander é que ele combina esse motor com as versões Limited e Overland. Aqui o Hurricane já foi ofertado na Overland, mas hoje só é usado na Blackhawk de visual esportivo.

O Brasil pode não ter uma marca de carros nacional, mas no setor de ônibus somos referência. A Marcopolo desenha e produz carrocerias aqui com padrão global.
Ela exporta ônibus para a América Latina, Europa, África do Sul, Austrália e Oriente Médio. Na Índia possui uma joint-venture com a Tata desde 2008 e na Austrália é dona da Volgren.
O Oriente Médio é cliente da Marcopolo desde os anos 1980. Segundo a Agência de Notícias Brasil-Árabe (ANBA), a empresa exportou 3,5 mil ônibus de 2003 a 2023.

Os veículos militares da Engesa não eram feitos apenas para o Brasil. Eles foram exportados para diversos países, incluindo os do Oriente Médio como Líbia, Iraque, Emirados Árabes, Jordânia, Irã e Qatar.
O EE-11 Urutu, blindado de transporte pessoal, e o EE-9 Cascavel, carro blindado, ainda estão em uso em vários desses países. A demanda para exportações era tão grande que o Exército Brasileiro era apenas o 10º maior cliente da Engesa.
A empresa foi monitorada pela CIA devido a sua lista de clientes, que incluía o ditador líbio Muammar al-Gaddafi. Vários desses blindados foram destruídos em conflitos contra os EUA, como a Guerra do Golfo.

Você consegue imaginar que o boxeador Muhammad Ali veio ao Brasil para negociar a exportação do Puma para a Arábia Saudita? Sim, isso aconteceu em 1987.
O pugilista era amigo do Sheik Mohammed Al-Fassi, que ficou interessado em vender o Puma em sua terra natal. Porém ele exigiu algumas mudanças no esportivo do fibra, como o para-brisa mais largo, painel em madeira e os faróis quadrados — que vieram da Honda CB400.
O acordo original era de exportar 400 unidades. Elas seriam enviadas para os EUA, onde receberiam motor de Porsche 911, e de lá seriam enviadas para o Oriente Médio.
Após a Puma realizar as modificações, produzir os moldes e ter tudo acertado, o sheik cancelou o pedido por problemas burocráticos na Arábia Saudita. O baque disso contribuiu no processo de falência da Puma.
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