A Nissan usou a velha tática de reaproveitar um carro antigo e atualizá-lo para parecer um modelo novo, mostramos 10 casos similares
O processo de desenvolvimento de um carro todo novo precisa passar por várias validações. Para conter os custos, diminuir os riscos, maximizar os lucros ou até mesmo por falta de aprovação da matriz, é comum que as marcas lancem carros novos utilizando plataformas antigas.
O novo Nissan Kait é um exemplo disso: a marca japonesa está passando por uma crise e sua aliança com Renault está cambaleando. Para ter um SUV de entrada na América Latina a solução foi atualizar o Kicks de primeira geração e dar um nome novo.
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Ele é vendido nas concessionárias da Nissan ao lado do novo Kicks. Esse sim é um carro novo, com plataforma moderna, motor turbo e câmbio. Veja a seguir 10 casos de carros lançados como novos, mas baseado em modelos antigos.

O Peugeot 206 foi o primeiro carro nacional da marca e conquistou um público cativo pelo estilo. A geração seguinte dele na Europa, batizada como 207, ganhou porte e sofisticação. O que seria caro para um Brasil que estava migrando para compactos de baixo custo como o Renault Logan.
A solução brasileira foi dar uma cara e um painel inspirados pelo 207 no 206. O nome também veio. Para disfarçar mais, o hatch e a perua ganharam a companhia de uma carroceria sedã, que foi desenhada no Irã e tinha um desenho desengonçado, mas com porta-malas grande.
Pelo menos vieram algumas melhorias na suspensão para deixá-la mais robusta, uma crítica recorrente. O 207 foi um fiasco, que felizmente foi corrigido com um 208 alinhado com a Europa.

Na virada do milênio a preferência do brasileiro já era de carros com quatro portas. O Ford Ka chegou como um subcompacto de entrada, abaixo do Fiesta, mas tinha apenas duas portas e quatro lugares.
Como a segunda geração do Ford Ka europeu seguiu a fórmula de ser um carro apertado e virou fruto de uma parceria com a Fiat, a engenharia brasileira precisou ser criativa. Ela esticou o Ka onde podia e usou o subchassi dianteiros do Fiesta Street para fazer o hatch ficar mais espaçoso.
Visualmente, apenas a porta dianteira e o para-brisa eram iguais ao primeiro Ka. Mais de 80% dos componentes do carros eram reaproveitados, sejam da geração anterior ou de outros carros da marca.

A Fiat do Brasil consegue ler bem o mercado brasileiro, mas as vezes fica limitada aos recursos que a matriz disponibiliza. Com o sucesso da linha Adventure e do Ford EcoSport, a marca queria ter um SUV em sua gama.
A solução veio quando o grupo italiano comprou a Chrysler, nascendo assim a FCA. Ela passou a trazer o Dodge Journey como Fiat Freemont, se diferenciando do irmão por usar motor 2.4 de quatro cilindros enquanto a marca norte-americana vendia o seu modelo apenas com V6.
O mais engraçado é que a Fiat reforçava em todas as publicidades que o Freemont era um SUV. Enquanto nas campanhas do Journey o veículo era chamado de crossover.

Sim, até a Mercedes-Benz coloca cara nova em plataforma antiga e tenta vender com outro nome. O CLC era uma atualização do Classe C Sport Coupé de 2000 com a frente do Classe C de nova geração apresentado em 2007.
O modelo foi produzido apenas na fábrica brasileira da marca, localizada em Juiz de Fora (MG), porém foi exportado para a Europa. A proposta foi de ser uma porta de entrada para os carros tradicionais da marca, com tração traseira, diferente das classes A e B que eram de tração dianteira.

Ela ainda não chegou ao Brasil, mas virá em breve. Após a Ford lançar a nova geração da Ranger e a Mitsubishi trazer uma Triton toda inédita, a Toyota mostrou na Austrália uma nova Hilux para manter a liderança global.
O modelo foi tratado como nova geração e trazia muitas expectativas, mas ele segue com a plataforma atual. O trabalho foi similar ao da Chevrolet S10 atual, com mudanças no visual, na cabine e na mecânica, mas repetindo estamparias como as das portas e com o mesmo chassi.
A nova Hilux também manteve o motor 2.8 turbodiesel que trabalha junto da caixa de seis marchas. Ele pode trabalhar com um sistema híbrido leve de 48 volts, que já existia antes da atualização.

A Honda criou a fórmula atual dos SUVs de entrada: comece com a carroceria de um hatch, coloque uma dianteira mais parruda, eleve a suspensão e coloque apliques nos para-lamas. O primeiro WR-V era isso, utilizando o Fit como base.
Ele foi lançado em 2017 como um SUV novo, mas a origem era fácil de identificar. Esse modelo só foi produzido no Brasil e na Índia. A nova geração do WR-V lançada em 2025 não compartilha estamparias com outros carros e tem identidade própria.

A Caoa Chery fez algo similar ao Honda WR-V em 2018 com o Tiggo 2, que era derivado do hatch Celer. Em 2022 ele ganhou um face-lift e motor 1.0 turbo, passando a se chamar Tiggo 3X.
Ele foi tratado como um carro novo, mas quando visto de lateral ou traseira é nítida a origem no antigo Celer. O modelo durou pouco, pois já vendia pouco e a fábrica de Jacareí (SP) foi fechada. A Caoa focou nos irmãos maiores, que seguem sendo um sucesso.

Hoje no Brasil é comum tratar as reestilizações de um carro como uma geração nova. Quem começou com o isso foi o Gol G3, que foi lançado em 1999 sendo chamado de uma nova geração.
Ele era uma reestilização bem competente da segunda geração, com mudanças até no interior e reposicionamento das versões. O Gol saiu de linha com oito “gerações” informais, mas considerando as plataformas teve apenas três.

A segunda geração do Hyundai HB20 apareceu em 2019 com cara nova. Mas por baixo dos panos muita coisa veio da primeira, incluindo a plataforma. É até por isso que ele não cresceu no tamanho.
Uma nova geração do HB20 está a caminho, dessa vez com plataforma inédita no Brasil. Ela dará origem também a um novo Chevrolet Onix, fruto de uma parceria entre a Hyundai e a GM.

O Chevrolet Vectra de segunda geração foi um marco no Brasil, pois sucedeu o longevo Monza com um projeto moderno e chegou apenas 6 meses após o lançamento na Europa. O problema é que ele foi posicionado para concorrer contra sedãs médios, enquanto seu segmento era o de médios-grandes.
A geração seguinte lançada na Europa ficou maior, mais pesada e mais sofisticada, ficando inviável de ser nacionalizada. Por isso foi criado um sedã no Brasil com estilo inspirado no Astra europeu, mas usando a plataforma do Astra nacional de 1999.
O Vectra nacional de terceira geração foi uma salada com os componentes existentes no Brasil. Mas o resultado ficou bom para brigar contra Honda Civic e Toyota Corolla, pois o espaço interno era maior e o motor Família 2 ainda tinha muitos fãs.
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Poderia citar o caso da Fiat. As familias Pálio e Argo que sempre tiveram a mesma plataforma, de 1996 até hoje.