A falta de peças de reposição e a invasão de carros chinesas criaram um cenário único no país latino-americano
A Venezuela é o sexto maior país da América do Sul. Suas grandes reservas de petróleo fizeram dessa nação um local propício para a produção de automóvel, o que é corroborado pelo preço baixíssimo da gasolina por lá.
Hoje o combustível é vendido por US$ 0,01, equivalente a 5 centavos de Real em conversão direta. Em 2007 a Venezuela produziu 172 mil carros, mas hoje não produz mais veículos novos, apenas monta alguns kits de CKD.
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O mercado de automóveis da Venezuela está em uma fase peculiar, pois os carros usados são tão valorizados que chegam a ter preços dos novos. E o público não possui interesse em um veículo zero km.
Atualmente o mercado venezuelano está recebendo várias marcas chinesas, como a MG, a Jac, a Changan, a Dongfeng e a Foton. Elas vieram devido as relações políticas entre esses países, assim como as marcas Iranianas Saipa e ICKO.

Apesar disso, as marcas tradicionais seguem presentes. Fiat, Volkswagen, Honda e Toyota vendem carros produzidos no Brasil ou importados de outros locais, a Ford também está presente. Já a General Motors, que foi a primeira marca a produzir na Venezuela, saiu de lá em 2017.
Essa oferta de carros novos é similar a de outros países latino-americanos, mas lá existem várias particularidades no comportamento do público. Apesar de receber carros novos, a Venezuela tem problemas no abastecimento das peças de reposição.
Segundo reportagem da emissora alemã Deutsche Welle (DW), o comprador venezuelano escolhe o carro com base na facilidade de manutenção e disponibilidade de peças. Isso faz que os carros usados mais confiáveis, principalmente os da Toyota, custem o mesmo ou mais caro que um carro novo.
A Toyota é uma queridinha na Venezuela. Ela produziu o Land Cruiser por lá durante muitos anos, dando até nomes exclusivos: o rústico jipe da série 70 era chamado de Macho, enquanto o moderno da série 200 recebia o nome Roraima.

O sucesso da Toyota é tão grande que o então presidente Hugo Chávez ameaçou expropriar as operações da marca em 2009. Na época o Land Cruiser “Macho” era produzido localmente.
Os carros novos são repletos de eletrônicas e, no caso dos chineses, utilizam motores pouco conhecidos. Com a escassez de peças, o venezuelano acaba achando mais sensato levar um Toyota com 10 anos nas costas.
Os moradores desse país precisam ser criativos para mantê-los rodando, quase como o que é feito em Cuba. Uma reportagem da Associated Press mostrou essa realidade, usando de exemplo um Honda Civic usando tubo de PVC na admissão e madeira para manter a bateria no lugar.
Um mecânico especializado em freios comentou com a reportagem que muitos clientes acabam pedindo para reparar apenas os dianteiros. Fazer o serviço nos traseiros não cabe no orçamento.
A situação dos carros na Venezuela vem caindo nos últimos 10 anos. Nem mesmo a liberação da importação de carros com até 5 anos conseguiu renovar a frota, que tem média de 22 anos de idade.
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