5 parcerias improváveis entre montadoras completamente diferentes

Os resultados dessas uniões são variados, com algumas existindo até hoje enquanto outras falharam e viraram nota de rodapé na história

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Na época foi um choque a Fiat se unir com a Chryser (Foto: Fiat | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 09/04/2023 às 09h02

No mundo moderno é bastante raro que um grande fabricante trabalhe sempre sozinho. As parcerias entre montadoras são frequentes, e muitas vezes são bastante improváveis.

Os motivos para isso costumam ser tentativas de ganharem novos mercados. Seja marcas premium tentando ganhar em volume ou então tentativas de chegar em regiões novas. As parcerias improváveis tem nível variado de sucesso, com algumas afundando e outras sendo duradouras.

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1. General Motors e Toyota

chevrolet nova twin cam preto frente parado
A Chevrolet se uniu a Toyota na tentativa de combater os japoneses, chegou até a vender o Corolla (Foto: Chevrolet | Divulgação)

Com a crise do petróleo nos anos 70, o mercado automotivo norte-americano foi invadido por carros japoneses. As pessoas compravam esses modelos pela economia e foram fidelizados pela durabilidade. Isso se mostrou um grande perigo para as gigantes locais, que precisaram correr atrás e criar carros compactos mais eficientes.

Nos anos 80 a Toyota já estava consolidada por lá, porém não poderia crescer mais devido a restrições do governo dos EUA. Ao invés de investir milhões de dólares em uma fábrica, os japoneses fizeram uma joint venture com a General Motors para ensinar seus métodos de produção e usar uma fábrica existente.

Assim nasceu a NUMMI (New United Motor Manufacturing, Inc.), a joint-venture que utilizava a planta de Fremont, na Califórnia, para fazer carros da Toyota. O primeiro produto a sair de lá foi o Chevrolet Nova, que nada mais era que um Corolla com outros emblemas.

Por três anos esse foi o único fruto dessa parceria improvável, até que o Corolla passou a ser feito com os emblemas da Toyota a partir de 1987. Após a criação da NUMMI, a fábrica de Fremont produziu apenas carros da Toyota, mas alguns deles eram vendidos como Chevrolet ou Pontiac.

No fim das contas, a GM combateu os japoneses vendendo carros deles. Mas o consumidor continuou preferindo comprar direto da fonte. Em 2010 a fábrica de Fremont foi vendida para a Tesla, que produz seus elétricos por lá até hoje.

2. BMW e Chrysler

mini cooper motor tritec
A BMW herdou da Rover uma parceria com a Chrysler, chegando a cogitar o motor do Dodge Neon para o Série 3 (Foto: Mini | Divulgação)

Quando a BMW comprou o grupo Rover nos anos 90, ela não contava que os britânicos seriam tão teimosos quanto foram: gastaram rios de dinheiros em carros novos que não obtiveram sucesso ou atualizando projetos antigos.

Um desses projetos era o de um novo Mini, que apareceu bem a tempo da onda retrô do final da década. Em 1999 a BMW tomou o comando desse projeto, fazendo da Mini uma divisão separada e sem a interferência britânica. No ano seguinte venderam a Rover, mantendo esse projeto e a Land Rover.

Em meio a tudo isso, a BMW herdou a Tritec — joint venture iniciada pela Rover com a Chrysler. O fruto disso foi um motor de quatro cilindros moderno, que equipou a primeira geração do Mini.

A parceria entre os alemães e os estadunidenses poderia ser ainda maior (e mais improvável): a BMW estudou o uso do motor 2.0 16v de comando duplo do Chrysler Neon no Série 3. Era um propulsor potente para a época, com 152 cv, e confiável.

O projeto só não foi para a frente pois a filial norte-americana alegou que isso geraria uma imagem negativa para a BMW. As relações com a Chrysler terminaram assim que acabou a primeira geração do Mini retrô.

3. FCA

lancia thema marrom frente parado em ponte
Hoje temos Jeep derivados de Fiat e no início da FCA teve um Lancia baseado no 300C (Foto: Lancia | Divulgação)

A Fiat sempre foi uma gigante na Itália, vendendo muitos carros compactos por toda a Europa. Na hora de expandir globalmente, ela conseguiu sucesso no Brasil, na Turquia e em alguns mercado menores. Ela saiu dos EUA nos anos 80, onde focava em esportivo, e queria voltar para lá nos anos 2000.

A oportunidade perfeita apareceu quando veio a crise de 2008, que quebrou a Chrysler. A parceria improvável veio com a Fiat resgatando a terceira maior dos EUA da falência. Em 2014 nasceu a FCA, sigla para Fiat Chrysler Automobiles.

Até 2007 a Chrysler pertencia ao grupo Daimler, que lhe rendeu boas plataformas, mas trouxe algumas limitações. Um exemplo era na qualidade dos interiores, os alemães não permitiam que os estadunidenses usassem acabamento de boa qualidade.

Com a Fiat veio a oportunidade de melhorar esse ponto nos carros do grupo Chrysler. Também vieram novas plataformas, principalmente para carros médios e pequenos. A base usada pelos Jeep Renegade e Compass vieram da Fiat, por exemplo.

Hoje essa parceria parece ainda mais improvável, pois a FCA se juntou com a francesa PSA, criando a Stellantis. Na Europa existe um Jeep compacto, híbrido e que utiliza uma plataforma criada por uma parceria entre a Peugeot e a chinesa Dongfeng. Santa globalização!

4. Honda e Mercedes-Benz

honda ballade amg traseira africa do sul
A Mercedes fez carro para a Honda na África do Sul, com direito a versão AMG (Foto: Facebook | Divulgação)

Os japoneses são cautelosos antes de entrar em um mercado novo. A Honda sondava a África do Sul, mas não queria já chegar fazendo o grande investimento que é montar uma fábrica. Sua solução foi um acordo com a Mercedes-Benz, que já era consolidada e não tinha carros compactos.

O sedã Honda Ballade começou a ser produzido em 1982 na planta da Mercedes em East London. A parceria durou até 2000, com um detalhe bastante improvável: o Ballade teve versões AMG!

Isso começou na terceira geração, que já era apenas o Civic com outros emblemas. Os modelos AMG traziam motor mais forte e alguns luxos, como toca-fitas Becker e bancos com o mesmo couro usado pela Mercedes-Benz.

5. Lada e Porsche

A Porsche é uma firma de engenharia que presta serviços a vários outros fabricantes, conforme já contamos em uma matéria. Dessas parcerias, a mais improvável foi com os soviéticos da Lada, durante o auge da Guerra Fria.

O primeiro serviço dos alemães foi uma atualização do Lada 2103, uma versão anterior a do Laika que veio ao Brasil. Essas mudanças ficaram apenas no papel, mas restringiam ao visual externo e um interior mais luxuoso.

A Porsche ajudou mesmo a Lada desenvolvendo o cabeçote do motor do Samara. Esse foi um carro revolucionário para a União Soviética, teve a primazia do motor transversal e do eixo de torção por lá.

Existiram também alguns carros de corrida baseados em Lada e usando mecânica Porsche, mas esses não possuem relação oficial com as marcas.

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