O gerenciamento eletrônico dos carros modernos permite um certo grau de personalização na experiência de condução
Antes reservado apenas aos esportivos, hoje o seletor de modos de condução existe até em carros compactos nacionais. Graças a maior presença da eletrônica nos veículos modernos, o motorista já pode personalizar algumas características da máquina.
O mais comum é ter a opção de um modo esportivo e um voltado para a economia. Em modelos com proposta fora de estrada pode vir também um seletor de terrenos, para facilitar a condução em condições adversas.
VEJA TAMBÉM:
Mas o que os seletores de modos de condução realmente mudam no carro? Os seus princípios de funcionamento acabam sendo bastante simples nos carros compactos e médios.

No BMW M5 da geração E60, aquele com motor V10 inspirado nos carros da Fórmula 1, o motorista tinha 400 cv a disposição no modo comum e só tinha acesso a potência máxima de 507 cv no modo esportivo “M”. Nos carros mais comuns isso não ocorre, a limitação de potência é vista apenas em alguns modelos esportivos ou em carros elétricos muito potentes.
O botão “sport” dos carros comuns é mais um placebo. Ele deixa a resposta do acelerador mais rápida e muda a graduação do pedal, abrindo mais a borboleta de admissão com um movimento menor.
Isso faz o carro parecer mais rápido, quando na verdade ele está apenas reagindo de forma diferente. Uma forma de presenciar esse efeito é acionar o modo esportivo enquanto estiver em velocidade constante, o carro vai ganhar velocidade sem o motorista mudar a pressão no pedal.
O modo de condução esportivo também pode afetar na assistência da direção, deixando-a mais pesada para simular o peso encontrado em esportivo. Em carros com câmbio automático ele segura mais as marchas, para manter o motor cheio, e troca elas em rotações mais elevadas.
Nos carros da Fiat equipados com câmbio CVT o modo Sport faz que a caixa trabalhe sempre simulando marchas, sem as variações contínuas. Na linha Abarth da marca italiana esse modo é chamado de “Poison” e inclui a vetorização de torque, deixa o controle de estabilidade mais permissivo e muda o quadro de instrumentos.
Como vários carros atuais estão com um delay grande de resposta no acelerador, causado pelos testes padronizados de emissões, esse modo de condução pode ser usado para reduzir esse efeito. Porém junto do acelerador mais afiado está as mudanças nas trocas de marcha, que podem afetar no consumo.
O modo esportivo também pode afetar a programação do cruise control, fazendo o carro ser mais agressivo para chegar a velocidade selecionada.

Em vários carros com câmbio automático existe uma posição “S” ou “Sport” na grelha ou em algum botão próximo. Até mesmo em carros dos anos 90 havia essa opção, como no Chevrolet Omega.
Nesses casos a posição esportiva é relacionada apenas ao comportamento do câmbio, retardando as trocas de marchas. Em carros com caixa CVT sem simulação de marchas, como o Honda Fit de primeira geração e o Nissan Sentra, a posição S prioriza relações mais curtas e deixa o motor mais cheio, podendo servir também como freio motor em descidas leves.
Uma exceção nessa regra são os carros atuais da Volkswagen. Neles a posição S do câmbio aciona junto o modo de condução esportivo, com as mudanças no perfil do acelerador e na direção.

O modo de condução econômico costuma ser mais complexo que o esportivo. Alguns fabricantes fazem essa opção alterar parâmetros de funcionamento do motor, o comportamento do acelerador, do câmbio e até mesmo do ar-condicionado.
Nos carros da Honda, por exemplo, ele é acionado pelo botão verde “Econ”. A marca japonesa diz que acioná-lo deixa as respostas do acelerador mais lentas entre 45 e 80% do curso, faz o câmbio subir as marchas mais cedo, usa menos potência no cruise control e programa o ar-condicionado para usar mais a recirculação.
Nos carros da Renault o modo Eco altera o gerenciamento do motor e a resposta do acelerador apenas. O ar-condicionado possui uma programação econômica que pode ser acionada a parte.
Os carros da Volkswagen fazem mudanças similares às da Honda e adicionam ao rol a roda livre. O carro desengrena o câmbio automaticamente em vias planas ou em declives leves para manter a velocidade sem o uso do motor.
Junto dessas mudanças é comum vir algum guia visual para ajudar o motorista a economizar. Os carros da Honda utilizam a cor do quadro de instrumentos para isso, os da Nissan contam com um guia no painel e os da Renault dão nota para a condução na central multimídia.

É importante lembrar que o carro não faz a economia de combustível sozinho. Não adianta acionar o modo de condução econômico e ficar com o pé pesado no acelerador, ele irá compensar até certo ponto. O roteiro também afeta, no trânsito engarrafado ou pegando muitas subidas não tem como fugir do consumo alto.
Apesar de deixar o pedal menos sensível, o modo econômico pode ser anulador temporariamente ao pisar no acelerador até o fundo. Isso permite realizar ultrapassagens ou manobras evasivas sem ter que ficar trocando os modos de condução.
Quem possui mais costume com o carro pode até conseguir boas médias sem usar o modo econômico. No final do dia é preciso ter bons hábitos ao volante para usar bem o carro, a eletrônica apenas ajuda.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|