COP30 não aceita modernidade ‘goela abaixo’, como no Brasil

Outros países reagiram contra a descarbonização acelerada e já voltaram atrás em suas metas energéticas de médio prazo

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Transição dos combustíveis fósseis para soluções limpas é inevitável, mas deve ser feita de forma gradual em com critérios técnicos (Foto: Shutterstock | Reprodução)
Por Boris Feldman
Publicado em 29/11/2025 às 09h00

A COP30 foi uma evidente demonstração de que o governo brasileiro está equivocado da forma como estabeleceu uma alternativa para os combustíveis fósseis. Pois em Belém houve um consenso ser praticamente impossível substituí-los de forma acelerada por outras fontes de energia como a solar, eólica e biocombustíveis, às fontes atuais derivadas do petróleo, carvão ou gás.

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Países do Primeiro Mundo estão voltando atrás nos prazos inicialmente estabelecidos para a substituição das fontes atuais derivadas do petróleo, carvão ou gás, ao perceberem a impossibilidade de sua legislação afrontar as leis da economia, física e química. Tanto países ricos como pobres se recusam a adotar medidas indiretamente sugeridas pelo governo brasileiro para acelerar a implementação de alternativas energéticas ao petróleo. Não são contrários, simplesmente defendem seu estabelecimento mais gradual, menos acelerado e que não implique em elevação de custos e inflação.

A transição energética deve ser implantada como resultado de evolução (ou revolução) tecnológica, da adoção de novas soluções que não comprometam o custo, o crescimento e que promovam emprego e desenvolvimento em todos os setores da economia.

O Brasil pode se dar ao luxo de estabelecer inúmeras alternativas energéticas pela fartura de etanol, outros biocombustíveis, energias eólica e solar. Mas não capitaliza este potencial adequadamente, como é o caso do etanol, subutilizado pelos automóveis por falta de incentivos do governo.

Quando outros países protestaram na COP30 contra uma transição energética acelerada, trouxeram a conta de seus custos quase impagáveis. Se a descarbonização significa redução do desenvolvimento industrial, encarecimento da energia elétrica, então são contrários às metas estabelecidas pelas COPs. Até porque, nas três décadas desta conferência mundial, pouco relevantes foram as reduções de emissões de gases de efeito estufa. Ou, pelo menos, muito aquém do que sugerem o valor acordado para o financiamento de medidas para sua mitigação.

No Brasil, o tema da descarbonização passa exatamente por este processo, discutido na COP30, de aceleração onde não se medem meios para se atingir os fins.

Temos o carro flex. Mas apenas 30% destes automóveis são abastecidos com etanol? Vamos então empurrá-lo goela abaixo dos motoristas de carros a gasolina, crescendo seu percentual na gasolina. E que se danem os motores de carros e motos que não sejam flex.

A lei do “Combustível do Futuro” existe exatamente para promover a utilização, ainda que danosa, dos biocombustíveis. O etanol é uma excepcional alternativa à gasolina, mas o governo, ao invés de estimular seu uso puro no motor, recorre à canetada para subir seu teor na bomba de gasolina.

Muito pior no caso do biodiesel, utilizado até o teor de 10% em quase todo o mundo. No Brasil, ele já é acrescentado ao diesel no percentual de 15% e vai chegar aos 20% em 2030. E que se danem os veículos pesados. Estive pessoalmente na garagem de uma empresa com mais de mil ônibus urbanos: todo dia chega pelo menos um deles guinchado de volta com o motor parado. Mesmo com o cuidado (e custo) de dobrar a troca dos  filtros de diesel, eles se entopem de borra. No Sul do país, em época de frio extremo, o biodiesel se cristaliza e param os caminhões.

Mas a lei do Combustível do Futuro não prevê que teor adicional de etanol na gasolina e de biodiesel sejam aprovados “tecnicamente”? Sim. Mas, para isso, existe a Comissão Nacional de Política Energética, às ordens do presidente da República e do Ministro de Minas e Energia. Incapazes de reagir diante da pressão da bancada do Agro.

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