Modelo intermediário trazia porte quase similar ao das médias, mas com conforto e economia de carro de passeio
Quem acompanha as notícias de automóveis nos últimos 20 anos deve se lembrar dos diversos rumores da Fiat querendo lançar uma picape média no Brasil. Ela chegou a testar a indiana Tata Xenon, mas no final acabou criando uma solução em casa com a Toro.
Ela não é uma picape média tradicional, mas foi uma sacada inteligente para ter uma alternativa superior a Strada. A Fiat Toro chegou ao mercado em fevereiro de 2016 e acaba de completar 10 anos de mercado.






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O lançamento foi em uma época onde as picapes médias tradicionais cresceram em tamanho. O comprimento de 5 m da Fiat Toro era similar ao das médias dos anos 90.
A plataforma adotada foi a Small Wide, mesma dos Jeeps Renegade e Compass. Ela era a mais sofisticada que a Fiat tinha no Brasil e permitia criar veículos maiores, pois também foi usada para vans.
A suspensão traseira independente do tipo bi-link foi derivada da usada pelo Doblo de segunda geração. Mesmo com molas helicoidais, ela podia levar até 1 tonelada de carga, permitindo o uso de motor turbodiesel.
E foi justamente o motor 2.0 turbodiesel Multijet que ajudou a consolidar a Toro como sucesso de vendas. Seus 170 cv e 35,7 kgfm, juntos do câmbio de nove marchas, davam um desempenho similar ao das médias tradicionais e também proporcionava consumo baixo.
Mesmo com base de carro de passeio, a Fiat Toro é um veículo pesado. Isso fez o motor flex, o 1.8 E.Torq, parecer subdimensionado. O maior problema dele era que o seu torque aparecia em rotações mais elevadas, exigindo trabalhar sempre com o motor cheio para fazer a picape de 1.619 kg desenvolver.

Essas versões compensava a falta de desempenho e o consumo alto com um preço mais competitivo. E sua suspensão traseira era mais confortável, já que a capacidade de carga caía para 650 kg.
A cabine da Fiat Toro tem bom espaço na dianteira, mas quem vai atrás passa um certo aperto se o motorista for alto. O grande ponto negativo dessa base é a largura limitada no interior, traduzindo em um console estreito.
O acabamento sempre foi todo em plástico duro, sem o refino presente nos irmãos de plataforma. Porém o pacote de equipamentos era bem recheado, podendo trazer ar-condicionado de duas zonas, central multimídia, 6 airbags, banco do motorista com regulagem elétrica e teto solar.
Outro motivo que fez a Fiat Toro ser um sucesso instantâneo foi o desenho. Já que ela foi uma caminhonete com construção diferente do habitual, os designers da marca italiana ousaram mais.
A dianteira trouxe faróis divididos, com a parte inferior se integrando a grade. Esse desenho da dianteira foi usado na letra “T” do emblema que identifica o carro. Na traseira temos uma caçamba bem integrada a cabine e com lanternas retangulares, fugindo do padrão vertical das picapes.
A caçamba é pequena quando comparada a uma média com chassi, mas é profunda e com caixas de roda que invadem pouco o espaço — herança da suspensão do Doblo. A tampa é dividida em duas partes e abre verticalmente, facilitando o acesso às cargas.




A Fiat já era líder no segmento de picapes com a compacta Strada. Mesmo sendo derivada de um hatch e contando com apenas tração dianteira, a Stradinha se provou valente e ainda é muito usada no serviço pesado.
Essa fama parece ter ajudado a Toro, pois ela já encerrou o ano de lançamento como a segunda picape mais vendida do Brasil. Foram 41.283 unidades emplacadas, superando a Toyota Hilux e a Volkswagen Saveiro.
E foi na segunda posição das picapes onde a Toro encontrou o seu espaço. Nos últimos anos ela chegou a ser ultrapassada pela Hilux em alguns meses, mas a vice-liderança foi perdida em 2025 para a Volkswagen Saveiro. Isso ocorre graças a campanha forte da marca alemã em vendas direta, no varejo a Fiat Toro segue como vice.








A primeira novidade adicionada a gama da Fiat Toro veio ainda em 2016, com o motor 2.4 flex Tigershark. Ele entregava 186 cv e 24,9 kgfm e trabalhava com o câmbio automático de nove marchas.
O desempenho era similar ao do modelo diesel e o consumo era melhor que o do 1.8, pois o torque chegava mais cedo e o motorista não precisava pisar fundo o tempo todo. Apesar de ser uma opção equilibrada, ela não foi um sucesso.
A gama de versões da Fiat Toro mudava todos os anos, com as opções de motores e câmbio mudando com frequência. Os modelos sempre foram Endurance, Freedom e Volcano, com algumas edições aparecendo no caminho. Se procurar no mercado de usados é possível encontrar todos eles com o 1.8 flex ou o 2.0 diesel, o 2.4 só não foi adotado pela Endurance.
Na linha 2019 veio o primeiro modelo que entrou de forma fixa na gama, o Ranch. Ele trazia de fábrica os estribos e santantônio cromados, bancos forrados em couro marrom e motor turbodiesel.
Na linha 2020 foi adicionado um outro modelo topo de linha para quem não gostava dos cromados da Ranch, o Ultra. Essa versão tinha visual mais esportivo e uma cobertura da caçamba em fibra de vidro que fazia ela parecer um porta-malas.

Essa tampa não possui vedação perfeita para o compartimento, por isso a Toro Ultra trazia de série uma bolsa impermeável para colocar as bagagens. O motor também era o turbodiesel.
A linha 2021 trouxe o primeiro face-lift da Toro. A grade ganhou a nova logo da Fiat, que antes ficava no “bigode” abaixo do capô. Os modelos Ranch e Ultra ganharam uma grade maior, de aparência robusta, que era opcional na Volcano. Os faróis de toda a linha agora eram de LED.
Por dentro veio um banho de loja, com os seis airbags virando item de série. O painel digital passou a ser oferecido e nas versões mais caras a central multimídia utiliza uma grande tela vertical. A segurança foi reforçada pelo pacote ADAS que inclui frenagem autônoma de emergência, farol alto automático e assistente de permanência em faixa.
Junto dessas mudanças veio um novo motor flex, o 1.3 turbo T270. Ele rendia 185 cv e 27,5 kgfm, força que superava o 2.4 aspirado. Isso resolveu o problema de desempenho dos modelos de entrada, mas o consumo seguia alto.




O desenho da dianteira foi unificado com a grade da Ranch e da Ultra na linha 2024. A linha 2025 trouxe uma redução de potência para o 1.3 turbo, caindo para 176 cv. Já o 2.0 turbodiesel deu lugar a um 2.2 com 200 cv e 45,9 kgfm, que é ainda mais econômico que o antecessor e deu um desempenho mais vigoroso. O freio traseiro passou a ser a disco.
A última mudança da Fiat Toro foi meses após essas mudanças nos motores. Em meados de 2025 veio a linha 2026, com o segundo face-lift da picape, que trouxe linhas mais retilíneas em algumas partes que destoam do visual original.
Pelo menos a picape recebeu algumas melhorias de vida a bordo, como o freio de estacionamento eletrônico e mais entradas USB. Mesmo com 10 anos de mercado, Fiat Toro deverá seguir na atual geração por mais algum tempo. Ela está cotada para receber um sistema híbrido leve de 48 volts junto do 1.3 turbo.
Essa novidade chegará junto do primeiro concorrente direto: a Renault Niagara. Será que a veterana ainda terá energia para isso?
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