China freia guerra de preços no mercado interno, mas incentiva exportações a prejuízo, levantando alertas sobre dumping e o futuro da indústria
O governo de partido único da China ordenou que as dezenas de fabricantes locais parem de oferecer descontos cada vez maiores para conquistar mais compradores. E anunciou medidas drásticas e obrigatórias: não pode vender no atacado por preço inferior ao custo, as concessionárias não receberão pressões para baixar preços e criação de plataforma on-line para vigiar as tentativas de fraudes.
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Entretanto, não se preocupou nem um pouco em vigiar as exportações de veículos com preços inferiores aos de custo, na medida em que seu mercado interno tende a crescer um pouco menos. Até financiou a perder de vista a construção de navios ro-ro de última geração para “facilitar” exportações. Operação conhecida como dumping (concorrência desleal). Outros países que façam suas próprias regras para se defender.
Um fato começa a incomodar o governo central chinês. Sua economia caminha para perder parte da exuberância de mais de 20 anos com enorme crescimento econômico. Tornou-se, de longe, o maior mercado de veículos do mundo. Todavia, a Energy News Beat, plataforma de notícias e análises focada no setor energético, disparou:
“O mercado de veículos elétricos da China, embora dominante em nível global, está perto da crise devido a ineficiências internas e barreiras externas. Para revitalizar o setor, talvez precise implementar redução gradual de subsídios e que forças de mercado impulsionem a consolidação, atuando como “desfibrilador” para reanimar o coração da indústria. Sem isso, pode arrastar indústrias correlatas e prejudicar as ambições ecológicas da China, mesmo enquanto o país continua a moldar o cenário automobilístico global.”
Este posicionamento contém certo grau de exagero. A filial chinesa da Automotive News seguiu uma linha não radical em post da semana passada: “Por que a imparável indústria automobilística chinesa está repentinamente perdendo força em seu próprio país?”
Também equilibrada, a análise da consultoria econômica S&P Global:
“Prevê-se que as vendas de veículos na China diminuam cerca de 267.000 unidades em 2026, pelo fim dos incentivos de 2025 e menor crescimento econômico. Rumo à eletrificação agora é mais complexo. Veículos híbridos e híbridos plugáveis são vistos como fundamentais ao lado dos elétricos a bateria.”

Especialistas do setor preveem que a primeira “fábrica escura” — instalação onde 100% da montagem é feita por robôs, sem intervenção humana — será inaugurada na China ou nos EUA até 2030. Fábrica escura não é força de expressão: significa sem nenhuma iluminação mesmo. Um marco de enorme mudança na montagem de veículos. Essas unidades fabris usarão I.A. e robótica muito avançada a fim de reduzir de modo significativo os custos e prazos de produção.
A Tesla (em Xangai) e várias chinesas já utilizam automação em larga escala. Estas unidades fabris apresentam presença humana bastante baixa. Porém, espera-se que a fabricação totalmente automatizada só será realidade consolidada daqui a quatro anos.
Essas fábricas reduzem de forma drástica a necessidade de pessoal (para até 1/7 da força de trabalho atual), com as funções humanas restantes concentradas em manutenção, introdução de dados e supervisão de engenharia. Mas há também sérios desafios. Os principais incluem o alto custo de implementação e a necessidade de reprojetar os veículos para este tipo avançado de montagem.
Pergunta indispensável: e se robôs suprimirem empregos demais? Muitas colocações serão perdidas devido a avanços tecnológicos, mas os otimistas (nos quais me incluo) preveem que novas ocupações deverão surgir. Pode haver menos pessoas separando itens em um armazém, por exemplo, porque robôs fazem isso melhor do que os humanos. Mas outras atividades ganharão força a exemplo de analistas de big data, mineradores de informações e gerenciadores de redes de compartilhamento de dados.
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