IPVA pesa bolso do consumidor antes mesmo da compra; entenda

A depender do valor, tipo de veículo e até do estado de registro, o carro desejado pode ser trocado por outro mais em conta

principal motivo compra de carro
Muitos clientes não se atentam sobre o peso extra do tributo no orçamento familiar (Foto: Shutterstock )
Por Lucas Silvério
Publicado em 08/02/2026 às 13h00

Se engana quem acredita que o IPVA é problema apenas de quem já possui um veículo. Especialistas do mercado automotivo afirmam que mesmo antes da compra os futuros proprietários se preocupam com o tributo estadual, e quem não entende da cobrança pode ser surpreendido com um boleto salgado dependendo do tipo de veículo e da época do ano.

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O IPVA costuma custar entre 2% a 4% do preço do veículo, a depender do estado. (Foto: Shutterstock)

Rafael Martinelli, CEO do Holmes, uma plataforma de gestão e automação de processos atualmente focada em atendimento de concessionárias de veículos, aponta que o IPVA impacta diretamente na decisão do cidadão que pretende comprar um carro.

“Identificamos que o tributo impacta principalmente no começo do ano, porque agora não é só IPVA: tem IPTU, matrícula, material escolar. Então, realmente, a gente nota que há uma queda nas vendas em janeiro, até por causa das férias e por conta do IPVA, junto com todos esses outros impostos. E, às vezes, essas decisões são um pouco adiadas para fevereiro, março. Ou, às vezes, o cliente escolhe um carro mais barato ou um carro usado. O IPVA faz parte do custo total do veículo”, afirma.

O que é e quem paga o IPVA?

O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é um tributo anual obrigatório para proprietários de veículos automotores, como carros, motos e caminhões, no Brasil. É um imposto estadual que visa arrecadar recursos para os estados e municípios, financiando serviços públicos essenciais como infraestrutura (estradas e ruas), educação, saúde e segurança.

Todos que circulam em automóveis obrigatoriamente registrados e licenciados nos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detran) devem pagar o imposto.

Por que o IPVA tanto impacta no bolso do cidadão?

Cada estado da União determina o valor a ser cobrado no IPVA, e todos cobram um percentual sobre o preço total dos veículos. Para carros de passeio, por exemplo, o mais comum é que o imposto custe entre 2% e 4% do preço do modelo, a depender da região. Por este motivo, quanto mais barato o carro, menor será o imposto.

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Carros mais antigos custam menos e tem um imposto mais barato (Foto: Chevrolet | Divulgação)

Despesas extras também preocupam os brasileiros

As demais despesas na hora de manter um carro também são preocupações do cidadão. Em acordo com a afirmativa de que o valor do IPVA impacta na decisão de compra, o diretor da Strada Jeep, Strada Ram e Leapmotor Strada do Grupo Carbel, Miguel Albino, aponta para os demais custos embutidos no modelo.

“Não é apenas o preço do carro que pesa na decisão, mas o custo total de propriedade, que inclui impostos, seguro, manutenção e consumo de combustível. Veículos com valor de mercado mais alto tendem a gerar um IPVA maior, o que pode levar o cliente a optar por modelos mais acessíveis, versões diferentes ou até mesmo postergar a compra”, destaca.

Como pagar menos na compra de um automóvel

Os estados isentam alguns tipos de veículos do pagamento do imposto. Atualmente, por obrigatoriedade federal, todos os veículos com mais de 20 anos são isentos de pagar IPVA. Porém, alguns estados isentam modelos com mais de 10 ou 15 anos. As motocicletas também têm entrado nessa cota, sendo isentas caso tenham motorizações pequenas — geralmente menores que 200 cm³.

Para os carros, o jeito mais difundido de fugir do IPVA é na compra de um elétrico. Alguns estados relevam determinados modelos da categoria como uma forma de incentivo à adesão desses veículos que, teoricamente, são amigos do meio ambiente.

Tudo varia de acordo com a localidade. Na Bahia, por exemplo, carros elétricos que custam até R$ 300 mil não pagam o imposto. Já em Minas Gerais, a lei é bem mais específica, e veículos novos híbridos, elétricos, movidos a gás natural ou etanol são isentos, desde que fabricados no estado.

Negociar com a concessionária também é uma estratégia

Martinelli orienta que outra forma de pagar um valor mais baixo é negociando o preço do carro com as concessionárias.

No caso dos usados, o lojista paga os impostos do modelo e ainda tem as despesas da ocupação dele no local. Barganhar um desconto no valor total do automóvel, para isentar o bolso do comprador e também o do concessionário (já que, com a venda do carro, ele não terá mais de mantê-lo), é uma boa para ambos.

Os melhores períodos para essa negociação costumam vir no início do ano, quando o imposto começa a ser cobrado e as lojas têm altas despesas com ele.

Para os carros novos, a estratégia se inverte. O IPVA de um carro zero quilômetro é proporcional ao mês de compra, registro e licenciamento. Ou seja, na compra de um carro zero em dezembro, o comprador pagará apenas 1/12 avos da taxa. Mas vale lembrar que no mês seguinte, o tributo virá com valor cheio.

Cuidado com as fraudes

Marcelo Rohlfs, head da Divisão Automotiva do Grupo Bamaq, alerta com uma dica fundamental: cuidado com vendedores desonestos que prometem aquele “jeitinho” na hora do registro do veículo.

“E a dica que dou aos consumidores é que fiquem atentos aos riscos que envolvem comprarem de outros estados, sem realmente serem residentes dos mesmos. Concessionários desses estados que possuem tais benefícios costumam oferecer ‘facilidades’ para emplacar o carro com redução ou isenção do IPVA quando não são oficialmente residentes,” salienta.

Para licenciar um carro no Detran local, uma das exigências é residir no estado. Caso contrário, o cidadão pode responder legalmente por fraude administrativa e tributária.

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