Montadoras chinesas serão maioria no Brasil

Atualmente já temos sete montadoras diferentes vindas desse país asiático, outras já confirmaram a chegada para 2025

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A GWM é uma que se estabeleceu bem (Foto: GWM | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 02/04/2025 às 08h00

Até quem não é entusiasta já ouviu que carro de luxo tem que ser alemão, que carro japonês é confiável e os chineses só fazem cópias. A origem das marcas ainda possui um grande peso para muitos consumidores. Apesar disso, o país com maior quantidade de montadoras no Brasil hoje é a China.

Eles vieram para o nosso mercado pela primeira vez em 2007, com a chegada dos utilitários Chana. A primeira fase dos carros chineses no Brasil foi marcada por modelos extremamente baratos que apelavam para o custo-benefício, mas decepcionaram pela falta de qualidade.

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O primeiro carro chinês no Brasil foi a Chana Cargo (Foto: Chana | Divulgação)

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Poucas montadoras chinesas sobreviveram a essa primeira fase, apenas a Chery e a Jac não interromperam as operações no Brasil. Nesse meio tempo veio uma segunda onda de marcas chinesas chegando, agora com foco na eletrificação.

Quem liderou isso foi a BYD, que já produzia chassis de ônibus e painéis solares em Campinas (SP). Ela entrou no mercado de carros com o luxuoso  SUV elétrico Tan e foi expandindo a gama com modelos menos caros.

O sucesso veio com o lançamento do Dolphin, um hatch compacto elétrico com preços agressivos. Outra marca que se consolidou bem foi a GWM, graças ao competente SUV híbrido Haval H6 e sua boa estratégia de pós-venda.

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A BYD é a mais agressiva e possui apoio do governo chinês (Foto: BYD | Divulgação)

GWM e BYD mostraram que o Brasil era um terreno fértil para as montadoras chinesas. Em 2024 tivemos a estreia da Zeekr, marca de luxo do grupo Geely, e a apresentação de Neta e Omoda & Jaecoo.

A promessa para 2025 é que duas gigantes chinesas cheguem por conta própria: a GAC e a SAIC. Também teremos a chegada da Leapmotor, por meio da da Stellantis, e da Geely com o apoio da Renault.

Hoje temos sete montadoras chinesas diferentes à venda no Brasil: Jac, Caoa Chery, BYD, GWM, Zeekr, Omoda & Jaecoo e Neta. Eles empataram em quantidade de marcas com os japoneses, que contam com Honda, Mitsubishi, Nissan, Suzuki, Subaru, Lexus e Toyota.

Até o final de 2025 os chineses irão superara os japoneses, totalizando em 11 montadoras diferentes. As confirmadas são GAC, Saic, Leapmotor e Geely, mas alguma outra pode aparecer.

Nem todas as marcas chinesas irão sobreviver

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A Neta está falindo na China e não demora a encerrar as operações no Brasil (Foto: Neta | Divulgação)

Em um conversa com o presidente da GWM no Brasil, Andy Zhang, o executivo afirmou que apenas cinco marcas chinesas irão se estabelecer no pais. Já podemos notar esse movimento com a situação crítica da Neta na China, a matriz está em processo de falência.

Uma das marcas novas que ele aponta como fraca é a GAC. Segundo Andy Zhang, o grupo só é forte na China graças às joint-ventures com Toyota Honda, ela não investe tanto em tecnologias próprias como a GWM e BYD.

E falando nessa dupla, elas são as que possuem futuro mais garantido no Brasil por motivos diferentes. A BYD já é uma gigante global e possui grande apoio do governo chinês. Ela é rápida nas ações e consegue ser agressiva nos preços, já que produz internamente quase todos os componentes usados nos carros.

Já a GWM é a maior montadora privada da China e está entre as marcas mais antigas do país. Ela já fidelizou um público no Brasil por ter estudado o nosso mercado, prepara os carros para o gosto local antes de trazê-los e focou no pós-venda já estreando com estoque de peças e ouvindo as críticas do público para melhorar os carros.

Esse conhecimento do mercado foi um dos trunfos da Caoa ao assumir as operações da Chery. Ela é hoje a única chinesa com motores flex e com  produção nacional.

Montadoras tradicionais recorrem aos chineses

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O novo Spark EUV confirmado para o Brasil é na verdade o Baojun Yep Plus (Foto: Chevrolet | Divulgação)

Não é novidade ver uma marca recorrer a projeto de terceiros para atender a um segmento. O primeiro SUV da Fiat no Brasil foi o Freemont, que nada mais era que um Dodge Journey com outra grade.

O Chevrolet Onix atual, assim como o Tracker, faz parte de um projeto chinês da SAIC-GM. A marca da gravatinha dourada já confirmou a vinda do novo Spark EUV, que é um SUV compacto elétrico que virá para competir contra os carros da BYD.

Esse modelo também é chinês, mais especificamente um Baojun Yep Plus com outros emblemas. Na fila da Chevrolet também está sua versão do Wuling Starlight.

A Fiat Titano possui projeto parcialmente chinês, já que deriva da Peugeot Lankdtrek desenvolvida em conjunto entre os francês e a Changan. A Stellantis comprou a Leapmotor com intenção de aproveitar a tecnologia asiática em futuros carros elétricos.

Outro projeto de montadora chinesa que temos no Brasil com emblemas de marca tradicional é o Ford Territory. O SUV médio vem como uma alternativa para modelos nacionais mesmo tendo que atravessar metade do planeta.

A Volkswagen da América Latina também trabalha com a SAIC, na criação da nova Amarok. O projeto da nova picape média foi adiantado pelo AutoPapo em 2023.

Já a parceria entre a Renault e a Geely será diferente. A marca francesa irá compartilhar sua fábrica e a rede de distribuição no Brasil com a montadora chinesa.

Com tudo isso, será difícil fugir dos carros chineses no mercado brasileiro. Até mesmo marcas centenárias estão contando com eles.

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3 Comentários
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Rodolfo 2 de abril de 2025

É esquisita que antes ninguém queria saber de carro chinês a gasolina, agora estão amando elétrico… vai entender…

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Polvo 2 de abril de 2025

Assim como praticamente tudo que usamos ligado na tomada é fabricado na China, hoje em dia. Até no varejo de roupas só dá a China.

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Polvo 2 de abril de 2025

A China caminha cada vez mais para o domínio da produção de veículos, seja com marcas próprias, ou através das marcas tradicionais. Praticamente todas as fabricantes tradicionais tem projetos desenvolvidos na China, ou tem modelos projetados em outros países, mas que usam muitas peças produzidas pelos chineses.

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