Há 10 anos o brasileiro comprava mais carros de entrada e sedãs médios, mas os SUVs já cresciam para tomar o lugar desses modelos
Você se lembra de 2016? Há 10 anos o ranking dos carros mais vendidos do país ainda era tomado pelos hatchbacks compactos, o Toyota Corolla vendia mais que qualquer SUV e tivemos a Fiat Toro como o grande lançamento do ano.
O mercado de carros novos era bem diferente do atual. No lugar de ter três SUVs compactos em linha, a Volkswagen tinha três opções de hatches compactos. Quem procurava um carro elétrico só tinha o BMW i3 como opção, já dentre os híbridos haviam o Toyota Prius, o Ford Fusion ou o BMW i8.

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A parte mais diferente era a oferta de carros chineses: Jac, Chery, Lifan, Effa e Geely eram as opções. Em 2016 eles eram carros que apelavam para o custo/benefício por virem bem equipados de série, mas tinham qualidade de construção abaixo da média nacional e rede mal preparada.
Nenhum deles apareciam entre os 50 carros mais vendidos, a marca mais bem colocada era a Lifan com 2.858 emplacamentos durante todo o ano. Vendeu menos que Suzuki, Volvo e Land Rover. Completamente do cenário atual, onde a BYD, a Caoa Chery e a GWM vendem bons carros em volume que supera as marcas tradicionais.

Em 2016 o mercado de SUVs estava crescendo, principalmente após a chegada do Honda HR-V e do Jeep Renegade no ano anterior. As grande novidades foram o Jeep Compass nacional, o Nissan Kicks e a terceira geração do Tucson.
Mesmo sem a quantidade de opções que temos hoje, os SUVs já eram o terceiro tipo de carroceria mais vendido do país. Perdiam para os hatches compactos e os subcompactos, mas já superaram os sedãs médios e compactos.
O grupo Caoa ainda representava a Hyundai, cuidando das importações e produzindo em Anápolis (GO) as três gerações do Tucson junto do HR. Sim, o Tucson de 2004 ainda estava em linha em 2016 junto da segunda geração, chamada aqui de IX35, e da recém lançada terceira com o nome All New Tucson.
Hoje essa planta produz apenas modelos da Chery e a matriz coreana da Hyundai passou a tocar todas as operações da marca aqui. Na época a unidade de Piracicaba (SP) fazia apenas o HB20, o Creta só chegou no ano seguinte.

O grande lançamento de 2016 foi a Fiat Toro. Ela é uma caminhonete derivada da plataforma do Jeep Compass, com porte intermediário entre as compactas e as médias tradicionais com chassi. Ela não criou essa fórmula, pois chegou meses após a Renault Oroch, mas fez melhor.
A Toro tinha um interior mais caprichado e vinha bem equipada. O motor flex era o 1.8 E.Torq, subdimensionado para o modelo, mas era o que tinha na prateleira. O destaque foi o 2.0 turbodiesel, que vinha com câmbio automático de 9 marchas e tração integral.
O motor diesel fazia a ponte entre a Toro e as médias, oferecendo bom desempenho e consumo baixo. A carroceria monobloco e a suspensão traseira independente davam rodar mais próximo de um carro, sem a pulação das picapes com feixe de molas.
O segmento da médias também estava em alta: praticamente todas estavam com geração nova recém lançada, apenas a Nissan Frontier estava defasada. Os motores diesel eram mais potentes e as cabines vinham mais recheadas. Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Volkswagen Amarok seguem na geração que era feita em 2016.

Uma tendência que ainda estava começando em 2016 era a padronização das centrais multimídias. O Chevrolet Onix, que era o carro mais vendido do Brasil, popularizou o equipamento oferecendo a primeira geração da MyLink em quase toda a linha.
O câmbio automático também estava se tornando padrão e com caixas boas. Apenas Peugeot, Citroën e Renault tinham modelos com quatro marchas, o padrão já eram seis ou o CVT.
Para os entusiastas ainda existiam carros com câmbio manual que não eram modelos de entrada, como o Honda Fit, o Volkswagen Golf TSI, o Fiat Bravo T-Jet, o Honda Civic Sport, o Toyota Corolla GLI, o Citroën C4 Lounge THP e o Ford New Fiesta. Isso que estamos falando apenas de carros comuns.
As ofertas de esportivos eram mais abrangentes que as atuais: a Renault produzia o Sandero R.S., a Fiat tinha o Punto T-Jet e importava o 500 Abarth, a Suzuki trazia o Swift Sport, a Citroën oferecia o DS3, a Subaru importava o WRX e a Honda ainda tinha unidades do Civic Si 2.4 em estoque. Todos com câmbio manual. Para quem não faz questão disso tinha os Volkswagen Golf GTI e Jetta 2.0 TSI.

Graças aos avanços na legislação e a competitividade do mercado, os carros atuais vem mais bem equipados que os de 2016. O consumidor ainda podia chegar em uma concessionária e sair com carros de entrada sem rádio, sem ar-condicionado, sem direção assistida e sem vidros elétricos dianteiros. O Renault Kwid, carro mais barato do Brasil hoje, tem tudo isso como padrão.
Airbag duplo e freios com ABS já eram obrigatório desde 2014. Ver algo além disso na lista de itens de segurança era algo raro nos carros compactos. O Toyota Corolla foi muito criticado por não ter controle de estabilidade, por exemplo.
Hoje os carros são mais bem equipados, seguros, com motores mais eficientes. Mas durante esses 10 anos perdemos algo que existia em 2016: variedade. Mesmo com SUVs em linha, as marcas ofereciam hataches e sedãs.
Hoje as opções de SUVs cresceram, enquanto os hatchbacks viraram carros de entrada e os sedãs compactos tentam arrebanhar os antigos clientes dos médios. Outra padronização foi na oferta do câmbio automático, o manual sobrou apenas para modelos de entrada ou para esportivos importados custando mais de R$ 400 mil.
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