Marca premium alemã tem reputação muito forte entre os admiradores dos automóveis por seu luxo e desempenho, mas tem algumas nódoas em sua história
A Mercedes-Benz comemora nesta quinta-feira (19) 140 anos: a história começa em 1886, quando o alemão Karl Benz patenteou seu triciclo e seu conterrâneo Gottlieb Daimler, poucos meses depois, já rodava com um carro de quatro rodas. E como o símbolo da montadora é uma estrela de três pontas, vamos relembrar três polêmicas envolvendo a marca alemã.

Para a Mercedes-Benz, a história dela se confunde com a do próprio automóvel: a criação do automóvel é geralmente atribuída ao alemão Karl Benz, que registou o triciclo Patent Motorwagen em 1886. Porém, antes dele, dois outros inventores já haviam desenvolvido veículos automotores movidos por combustível líquido.
O primeiro foi Siegfried Marcus, um engenheiro alemão de origem judaica, que construiu um carrinho para transporte de materiais em 1870. Entre 1875 e 1888, ele concretizou outro projeto, mais sofisticado, com assentos. Depois, foi a vez do francês Édouard Delamare-Deboutteville, que patenteou um modelo de quatro rodas em 1884.
Por que, então, Karl Benz ficou com os créditos? A explicação passa por várias questões. Primeiramente, Siegfried Marcus não patenteou suas criações. Ademais, o regime nazista exigiu que as enciclopédias da Alemanha apagassem seu nome como inventor do automóvel. Os livros do país, então, simplesmente ignoraram o judeu e substituíram-no pelo alemão.
Já Édouard Delamare-Deboutteville construiu uma única unidade: não produziu o veículo em escala industrial, nem o comercializou.






Difícil assistir a um documentário da Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, sem automóveis Mercedes-Benz nos desfiles. A marca era a preferida de Hitler e seus capangas. A origem do nome da marca alemã remete a Mercedes Adrienne Ramona Manuela Jellinek, filha do empresário e diplomata austríaco Emil Jellinek. Ele era um entusiasta de corridas e representante da marca Daimler em Nice, na França.
Como o fundador da fábrica, Gottlieb Daimler, temia que eventuais acidentes em competições pudessem manchar a reputação de sua empresa, solicitou que os carros de corrida fossem rebatizados. Jellinek decidiu, então, homenagear sua filha de 11 anos, utilizando o nome dela para identificar os veículos nas pistas.
O sucesso do modelo 35 HP nas competições foi tão expressivo que o nome Mercedes se tornou mais popular que o da própria fabricante. Com a alta demanda do público, a Daimler adotou oficialmente a nomenclatura para seus produtos comerciais e registrou o nome para uso comercial em 1902.
Curiosamente, embora a marca tenha sido a favorita do regime nazista anos depois, o nome tem origem em uma família de raízes judaicas: o avô de Mercedes era o rabino Adolf Jellinek e sua mãe era uma judia sefardita. Em 1926, com a fusão entre a Daimler e a Benz, os automóveis passaram a ser chamados definitivamente de Mercedes-Benz.
Quem viveu a década de 1990 deve se lembrar do problema de estabilidade envolvendo o Mercedes Classe A. O compacto causou uma revolução na gama do fabricante, devido ao projeto incomum. A carroceria elevada, característica marcante do modelo, devia-se, entre outros motivos, a uma estrutura de deformação programada sob o assoalho. Mas, ironicamente, a altura trouxe um problema de segurança.
Ainda recém-lançado no mercado mundial, o Classe A deu vexame no chamado “teste do alce”. O veículo simplesmente tombou durante a manobra, que consiste em um desvio rápido de trajetória. O péssimo resultado na prova, realizada pela publicação sueca Teknikens Värld, rodou o mundo.
Veja o vídeo:
O fabricante providenciou aperfeiçoamentos, que incluíam alterações nas suspensões e nas rodas, além da adoção de controle de estabilidade de série. Isso permitiu que a trajetória do Classe A continuasse até os dias de hoje, após a chegada de novas gerações. Vale lembrar que os alemães da Mercedes produziram esses carros em Juiz de Fora (MG) entre 1999 e 2005, já com as devidas correções.
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