Mulheres e carros: quando elas melhoraram o automóvel que eles guiam

Apesar do machismo que permeia o mercado automotivo, mulheres foram responsáveis por implementar inovações indispensáveis no carro que você dirige

seta de direcao de florence lawrence
Invenção de Florence Lawrence foi fundamental para organizar o tráfego (Fotos: Reprodução | Internet)
Por Bernardo Castro
Publicado em 08/03/2023 às 19h03

Aquela história de que menina brinca de boneca e menino brinca de carrinho é tão arcaica como dar partida num automóvel com manivela. Mas fato é que as mulheres são protagonistas no mercado automotivo desde seu surgimento. Bertha Benz teve participação crucial nos inventos de seu marido Karl Benz. Ao longo dos anos elas assumiram postos de comando em montadoras e foram protagonistas no automobilismo. Confira alguns recortes que mostram que carro é para tudo mundo.

Apesar de o mercado automotivo ainda ser dominado pelos homens, uma das invenções mais importantes foi inventada por uma mulher, a atriz Florence Lawrence. Além de ter contado com mais de 300 participações ao longo de sua carreira, Lawrence foi uma das primeiras mulheres a ter seu carro próprio, adorava estudar os automóveis.

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Essa paixão lhe fez perceber que faltava um componente importante para sinalizar a direção que o veículo estava virando. Na época a sinalização era feita com as mãos. E com o aumento do volume nas ruas norte-americanas, balançar o braço deixou de ser uma sinalização eficiente para evitar colisões.

atris florence laurence ao volante de um automovel
Florence Lawrence era apaixonada por carros (Foto: Internet)

Floerence também criou um aparato que sinalizava quando o carro ia reduzir a velocidade. O dispositivo foi uma espécie de antecessor da luz de freio, e consistia em uma placa de pare era impulsionada para cima toda vez que o freio era acionado.

A atriz, no entanto, nunca recebeu um centavo pelas contribuições, já que nunca conseguiu patentear as invenções.

No comando de grandes montadoras

Grandes montadoras que atuam no Brasil, como a General Motors e, na época, PSA (Peugeot-Citroën, que hoje se juntou à Stellantis) já tiveram mulheres em sua linha de frente.

denise johnson general motors brasil
Denise Johnson assumiu a direção da GM no Brasil no final da década de 2000 (Foto: GM | Divulgação)

Em 2010 Denise Johnson assumiu a presidência da GM por aqui em um momento conturbado, em que inúmeras empresas ainda se recuperavam da crise de 2008. A empresa americana também já contou com a liderança de Grace Lieblin e Mary Barra.

Na PSA, Ana Theresa Borsari passou pelo comando em 2015. A executiva ainda encarou cargos na Europa e assumiu a função no Brasil em uma tentativa de fazer as marcas francesas voltarem para os trilhos.

ana theresa borsari executiva da stellantis ao lado do peugeot 2008
Ana Theresa Borsari fez carreira na PSA e voltou para o Brasil onde comandou a Peugeot (Foto: Stellantis | Divulgação)

Chefes de equipes no automobilismo

O esporte a motor também é um segmento extremamente machista. Mas isso não impediu que as mulheres ocupassem cargos importantes em equipes nas principais categorias do automobilismo.

Na Fórmula 1, por exemplo, a Williams, uma das equipes mais tradicionais do certame, contou com uma mulher em sua liderança. Claire Williams, filha do fundador Sir Frank Williams, assumiu as rédeas da escuderia entre 2013 e 2020. Os resultados de 2014 e 2015, inclusive, foram os melhores da esquadra britânica nos últimos anos.

claire williams ao lado de frank williams formula 1
Claire Williams comandou a escuderia fundada por seu pai e obteve melhores resultados dos últimos 20 anos (Foto: Williams | Divulgação)

Já na Fórmula E, categoria de monopostos elétricos da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), Susie Wolff ocupou o posto de diretora-executiva da Venturi entre 2021 e 2022. Enquanto estava na função, ela coordenou o time para a temporada de maior sucesso, ao terminar em segundo lugar no Campeonato de Construtores.

Elas nas pistas da F1

O sexo feminino conseguiu marcar presença na Fórmula 1, ainda que em poucas oportunidades. Ao todo, cinco mulheres foram inscritas para disputar um GP, mas apenas duas conseguiram alinhar o carro no grid para uma corrida oficial.

A primeira delas, Maria Teresa de Fillipis disputou cinco provas oficiais entre 1958 e 1959. O melhor resultado da italiana foi um 10º lugar a bordo da Maserati durante o GP da Bélgica. No entanto, ela nunca marcou pontos na categoria, já que naquela época a pontuação era distribuída apenas entre os cinco primeiros colocados.

Já a mulher com melhor resultado na Fórmula 1 foi a também italiana Lella Lombardi. Disputando corridas entre 1974 e 1976, ela foi a única a conseguir somar algum ponto na maior categoria do esporte a motor, quando terminou em sexto no GP da Espanha de 1975.

Lombardi terminou em sexto lugar e somou meio ponto. Naquela temporada, a F1 dava pontos para os seis mais bem posicionados. O número fracionado, no entanto, foi em decorrência da prova ter se encerrado antes do previsto, por causa de um acidente.

lella lombard com seu monoposto da brabham

Lella Lombard não apenas pilotou um Fórmula 1 como também chegou a pontuar (Foto: Internet)Desiré Wilson também teve a sua oportunidade na Fórmula 1. Em 1980 a sul-africana chegou a se inscrever com uma Williams particular para participar do GP da Inglaterra, mas não conseguiu cravar um tempo bom o suficiente na classificação e acabou ficando fora da corrida.

Wilson até chegou a disputar uma prova na África do Sul de 1981. No entanto, a prova não foi válida para a temporada por causa de uma rixa entre FISA (Federação Internacional do Esporte a Motor, equivalente à FIA hoje em dia) e a FOCA (Associação de Construtores da Fórmula 1).

Outros nomes como Divina Galica e Giovanna Amati chegaram a se aventurar na Fórmula 1, mas não tiveram tanto sucesso. Galica, fez três tentativas entre 1976 e 1978, mas jamais conseguiu tempos na classificação para participar da corrida oficial.

Giovanna, por sua vez, fez testes pela Benetton em 1991, mas assumiu o posto de titular da Brabham no ano seguinte. Contudo, a fase decadente da equipe britânica minou qualquer chance da italiana alinhar o carro no grid. Posteriormente ela foi substituída por Damon Hill, Campeão Mundial de 1996.

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arai 10 de março de 2023

De “pilota” brasileira temos a Bia Figueiredo. No jornalismo tem a “Mari” Becker e Julianne Cerasoli na F1 e muitas outras em outras categorias. Primeira mulher chefe de equipe de F1 foi a Monisha Kaltenborn (de 2012 a 2017) na Sauber, onde ela detinha 33,3% do projeto.

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