O carro fala: o que seu automóvel diz sobre você?
A psicologia das escolhas automotivas revela o que carros como picapes, elétricos e SUVs dizem sobre os motoristas
A psicologia das escolhas automotivas revela o que carros como picapes, elétricos e SUVs dizem sobre os motoristas
Assim como a roupa que você veste, o carro que você dirige pode dizer muito sobre você — e se não disser muita coisa, isso já diz algo também. A indústria automotiva sabe disso muito bem e, a todo instante, realiza pesquisas intensas com consumidores a fim de usar a psicologia a favor das vendas.
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É dessas clínicas, como são chamados alguns dos estudos com clientes, que saem escolhas de design, acessórios, nomes e até a ideia de novos veículos em si. Tanto que, graças à predileção do brasileiro por caminhonetes, por exemplo, novos segmentos como os da Ram Rampage e Ford Maverick, por exemplo, foram priorizados no país.
Mas será que os marqueteiros e publicitários têm razão? A lista abaixo reúne o que há de maior consenso sobre o tipo de pessoa ideal para cada tipo de carro. Veja se você corresponde ao estereótipo ou não.
Os donos de picape valorizam a demonstração de poder, no sentido de exercer dominância sobre pessoas e recursos. Não é à toa que as caminhonetes sempre são relacionadas a atos de bravura e robustez, que são aspectos valorizados pelos compradores.
“Sucesso pessoal por demonstração de competência de acordo com normas sociais”, definiu um estudo da Universidade de Brasília.
Esse é um dos segmentos com maior discrepância no gênero dos compradores: a grande maioria dos “picapeiros” é homem e, quanto maior o porte da “nave”, maior a idade média do comprador — já que a renda para uma Ram 1500 costuma vir junto dos cabelos brancos.
Outro motivo que faz de uma picape um carro comum para homens é a utilidade no trabalho braçal, naturalmente reservado aos “machos” da sociedade. Além disso, observou a UnB, há uma quantidade acima da média de donos casados entre os picapeiros.
Se você é dono de um carro movido a eletricidade, você é nerd (no bom sentido), pão-duro ou ativista. Essa é a conclusão do Departamento de Urbanismo da Universidade de Quioto, no Japão, que atribui o sucesso dos carros elétricos a essa tríade, indicam seus experimentos.
Os nerds são, principalmente, homens com boa renda financeira, que compram um EV não apenas pelo motor elétrico mas pelas tecnologias que vêm junto, como os sistemas de automação veicular. Nesse caso, optam por modelos mais caros e mais hi-tech.
Entre os pão-duros, há mais mulheres; justamente porque elas não se importam tanto com julgamentos quanto à escolha de um carro que não queima gasolina — o que vale, mesmo, é economizar dinheiro, apontam as estatísticas.
No caso dos ativistas, por sua vez, há predominância de jovens adultos, que veem nos carros elétricos uma espécie de apoio e manifestação política a favor de pautas ambientais, cada vez mais em destaque.
Segundo o IBGE, cerca de metade dos brasileiros vive em um lar que não tem carro próprio à disposição. Para quem consegue adquirir o primeiro automóvel, questões de estética ou vaidade são deixadas de lado e, mais importante do que tudo, é ter estabilidade no “relacionamento”.
A conclusão é corroborada por um grande estudo da Universidade Nacional de Jaipur, na Índia. O mercado indiano é notavelmente semelhante ao brasileiro, e os cientistas tiraram lições que se aplicam ao Brasil.
Para jovens pais ou pessoas que estão começando a vida profissional, por exemplo, o principal atributo na escolha do carro é o preço. Para veículos na mesma faixa de preço, o desempate costuma ser dado pela marca que transmite mais impressão de qualidade e segurança.
O curioso é que um carro se destacou, no estudo indiano, por fazer os consumidores até se comprometerem financeiramente para tê-lo. É ninguém menos que o Hyundai Creta, cujo vaivém no design é fruto de estratégia arrojada da sul-coreana para se destacar.
Curiosamente, o Creta que agradou aos indianos é a reestilização que também chegou ao Brasil. Entre os executivos da marca, havia o entendimento de que o visual anterior comprometia as virtudes do utilitário e limitava suas vendas.
Segundo os pesquisadores de Jaipur, o fato dos SUVs estarem dominantes faz com que diferentes “tribos” se atraiam por eles, e por diferentes razões. Além disso, o fato de haver mais propaganda e oferta dos utilitários faz com que uma pessoa indecisa tenda a escolhê-los.
Confirmando o estereótipo de longa data, há consenso entre os especialistas quanto ao dono típico de um carro sedã. De fato, são homens e mulheres principalmente mais velhos, que buscam um carro bacana mas sem muita firula.
O porta-malas avantajado cai bem para os filhos e netos que esse público costuma ter. Além disso, vale o valor afetivo: antes dos SUVs, eram os sedãs alguns dos carros mais associados à ideia de sucesso.
Quem é mais velho e tem memórias desse tempo pode, até inconscientemente, optar pelo tipo de carroceria que, entre os mais jovens, costuma agradar só quem busca usar o carro para incrementos na performance.
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