Conheça a origem tecnologias automotivas que hoje são comuns

Muitas tecnologias automotivas parecem modernas, mas elas podem ter uma origem bem curiosa em modelos que você nem conhecia

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Muito que vemos nos carros mais modernos da atualidade veio de onde menos esperamos (Foto: Mercedes-Benz | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 11/12/2022 às 09h02

O jornalista britânico Jeremy Clarkson sempre diz que o Mercedes-Benz Classe S é uma prévia de como será o seu carro no futuro. O sedã de luxo costuma lançar novos equipamentos que mais tarde viram padrão, como os freios ABS, airbags e cruise control. Mas nem todas tecnologias automotivas tem origem nesse carro alemão.

Carros compactos brasileiros já estão trazendo itens tecnológicos que já foram luxo futurista, como assistentes semiautônomos, turbo e até mesmo central multimídia. Muitas dessas tecnologias automotivas tem origem em carros que você talvez nem conheça, confira a seguir na lista.

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1. Injeção direta de combustível

A injeção direta de combustível chegou primeiro aos motores diesel, onde também é chamada de common rail. A empresa de tecnologia britânica Vickers foi a inventora desse sistema em 1916, que foi usado em submarinos. Mais tarde a tecnologia foi adotada por locomotivas e chegou aos caminhões em 1995, no japonês Hino Ranger.

A versão moderna dessa tecnologia foi desenvolvido pela Denso e foi se popularizando nos motores diesel. O primeiro carro de passeio a usar o common rail foi o Alfa Romeo 156 2.4 JTD, em 1997. Esse motor de cinco cilindros em linha produzia 136 cv em sua primeira versão, após atualizações ele chegou a 210 cv.

O sistema common rail joga o combustível diretamente nas câmaras de combustão sob alta pressão, pulverizando o combustível. Isso ajuda em uma queima mais eficiente. Esses ganhos são úteis também nos motores do ciclo Otto, os movidos a gasolina ou etanol.

A injeção direta de gasolina apareceu pela primeira vez em um motor a pistão em um avião da alemã Junker, em 1916. Esses motor era um dois tempos criado originalmente para funcionar com diesel, mas mudou para trabalhar com gasolina ou benzeno devido a pressão do governo alemão. O sistema de injeção direta foi criado para evitar falhas de ignição que poderias destruir o propulsor.

Durante a Segunda Guerra Mundial a injeção direta virou padrão nos motores aeronáuticos alemães. Essa tecnologia finalmente chegou nos carros em 1952 nos microcarros Goliath GP700 e Gutbrod Superior. O sistema de injeção fazia o motor dois tempos desses carrinho serem 30% mais eficientes.

O primeiro carro com motor de quatro tempos a usar a injeção direta de gasolina foi o Mercedes-Benz 300 SL, o pai dos supercarros modernos. O seu motor era derivado do seis cilindros em linha dos sedãs, mas trocada a injeção mecânica indireta por uma direta, também mecânica, desenvolvida pela Bosch.

Por fim, temos o conceito atual de injeção direta eletrônica. Os experimentos da Mercedes-Benz acabaram sendo esquecidos por muitos anos, mas os japoneses da Mitsubishi voltaram a se interessar pelo assunto nos anos 90.

O primeiro carro a usar foi o Galant, em 1996, e a tecnologia foi passada para outros modelo da linha no Japão. A Toyota fez em 2005 o primeiro carro a combinar a injeção direta com a multiponto tradicional, em seu V6 3.5 usado pelo sedã grande Crown.

2. Central multimídia touchscreen

As centrais multimídia são evoluções naturais dos rádios, que foram ganhando cada vez mais funções com o tempo. A tela grande ajuda a mostrar as informações que os displays estreitos de antigamente e ser tátil ajuda a navegar entre as funções com o carro parado.

Hoje essas telas foram além do sistema de som, controlam outros funções como o ar-condicionado, modos de condução e podem até ter jogos. Mas se eu te contar que em 1986 a Buick tinha uma tela tátil que servia como computador de bordo, controlava o sistema de som e o ar-condicionado?

Chamada de Electronic Control Center (ECC), essa tela CRT tinha tecnologia similar a usada por caixas eletrônicos da época. Ela estreou no Bucik Riviera em 1986, mas durou até 1989. O público conservador e mais idoso da marca não se deu bem com tanta tecnologia embarcada.

3. Navegador GPS

Antigamente era essencial ter um mapa no carro, tanto que o compartimento do painel de porta se chama “porta-mapas”. A internet facilitou a vida dos motoristas na hora de ir para um local desconhecido, permitindo imprimir as instruções para chegar ao local desejado.

Carros de luxo nos anos 2000 tinham navegador GPS, que dependiam de CDs para carregar os mapas e geralmente não funcionavam no Brasil. Bem antes disso, em 1981, a Honda fez o primeiro sistema de navegação do mundo, o Electro Gyro-Cator

Esse sistema era bem simples em conceito: usava a velocidade e a direção para qual o carro está se movendo para mostrar a localização em um mapa físico que ficava sobre uma tela CRT. Ou seja, ele servia para dar a sua localização.

O navegador via GPS, utilizando dados de satélite e mostrando em uma tela, veio para os carros só em 1990 no Eunos Cosmo, da Mazda. Sua tela era CRT e tátil, além do GPS ela comandava o CD-player, telefone, ar-condicionado e ainda sintonizava televisão. Junto do Buick Riviera, esse foi o pai das centrais multimídia.

4. Alertas de ponto cego e de saída de faixa

Unimos todas essas tecnologias automotivas aqui pois elas tiveram origem nos mesmos carros. Os Mitsubishi Proudia e Dignity eram os topos de linha da marca, vieram para suceder o Debonair e brigar com o Toyota Celsior — vendido como Lexus LS fora do Japão.

O Dignity era uma versão mais longa do Proudia, mas a tecnologia embarcada era a mesma. Esses carros foram desenvolvidos em conjunto com a Hyundai, nascendo daí o Equus. O primeiro motor V8 de injeção direta foi o dele, que também é o único V8 a gasolina feito pela Mitsubishi.

Graças a câmeras CCD, o carro conseguia ler as faixas nas rodovias e alertava o motorista caso ele estivesse saindo dela sem sinalizar e puxava a direção para alinhar o carro . A ideia é alertar um motorista com sono. Também havia câmeras monitorando os pontos cegos do veículo.

Era praticamente um pacote ADAS. Outra tecnologia deles era o cruise control adaptativo, mas isso estreou em outro sedã da Mitsubishi como veremos a seguir.

5. Cruise control adaptativo

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O ACC do Diamante usava Lidar, tecnologia cara que está voltando nos autônomos (Foto: Mitsubishi | Divulgação)

O cruise control é um grande auxiliar em viagens, você seleciona a velocidade desejada e pode descansar o pé direito. Na hora que um carro a frente freio, o motorista precisa estar atento para frear também e evitar uma colisão.

O sistema adaptativo (ACC) monitora o veículo a frente e reduz a velocidade junto para evitar a batida. E se esse carro acelerar, o ACC acelera até atingir a velocidade programada. Hoje isso é feito por câmeras, radares ou ambos trabalhando em conjunto, depende do fabricante.

A Mitsubishi começou a flertar com o ACC em 1992 com o Debonair, que monitorava o carro a frente e trazia um alerta de distância, mas sem intervir no freio ou na aceleração. Só com o Diamante de 1995 que ela lançou o cruise control adaptativo como conhecemos.

O principio de funcionamento é o mesmo do ACC moderno, porém ele usava um caro radar de laser (Lidar). Hoje, com a evolução do cruise control adaptativo e tentativa de usar ele para criar carros autônomos, estão trazendo o Lidar de volta aos carros.

Bonus: Turbo de baixa/média pressão

Lembra do Fiat Uno Turbo? O hatch esportivo foi o primeiro carro turbinado de fábrica no Brasil. Seu comportamento era bem distinto do atual Volkswagen Polo TSI, o turbo demorava a encher e quando isso ocorria, o carro dava uma patada.

Os motores turbo usados atualmente em carros sem pretensão esportiva usam um turbocompressor pequeno que enche em baixas rotações. Com isso eles entregam torque e potência bem cedo e entregam comportamento civilizado para o uso cotidiano. Além disso, usam pressões mais baixas, dispensando componentes internos reforçados e mais caros.

Os primeiros carros turbinados de fábrica eram esportivos, como o Porsche 911 Turbo e o BMW 2002 Turbo. A sueca Saab criou em 1978 o pai dos motores turbo modernos com o lançamento do 99 Turbo.

Ela queria fazer um carro mais potente com um motor V8, porém acabou optando por turbinar o seu quatro cilindros. No lugar de usar um turbocompressor grande como os alemães, os engenheiros da Saab usaram um de média pressão.

O 2.0 pulou de 118 cv para 145 cv com o turbo, um ganho aparentemente baixo mas que resultou no ganho de desempenho com suavidade que foi planejado. O primeiro Saab 99 Turbo fazia de zero a 100 km/h em 9,2 segundos e atingia 200 km/h de máxima.

Conforme as tecnologias automotivas foram evoluindo, esse motor turbo de média pressão foi ganhando potência. Nos anos 90 ela fez o primeiro turbo de baixa pressão, com ainda menos lag. Era o mesmo 2.0, mas com injeção eletrônica e outras melhorias, rendia os mesmos 145 do 99 Turbo de 1978. Como referência, o 2.0 turbo 16v de média pressão dessa época já rendia 175 cv.

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