Além da polêmica de ser a primeira Ferrari elétrica, Luce se envolve em outra celeuma, que não é novidade na indústria do automóvel
A Ferrari se prepara para o lançamento da Luce, seu primeiro modelo 100% elétrico. As primeiras imagens divulgadas (do interior) geraram polêmica: afinal, uma Ferrari sem motor a combustão é quase um pecado.
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E muitos fãs e puristas estão praguejando redes sociais afora, mas Maranello tem uma preocupação ainda maior: o nome. Isso porque Luce já foi utilizado no passado pela Mazda por quase três décadas. E se não bastasse, a fabricante de Hiroshima acaba de registrar novamente a alcunha no escritório de patentes do Japão.

O pedido da Mazda cria um problema para a Ferrari, pois lá na Terra do Sol Nascente o carro terá que ter outro nome. Analistas acreditam que Maranello não irá adotar um segundo nome e muito menos deixar de comercializar o Luce na terra do Jaspion (que dirigia um Mazda, no seriado).
Assim, há uma tendência de o assunto ir parar nos tribunais. A Ferrari tem a seu favor o fato de ter anunciado o nome há cerca de três semanas antes do registro da japonesa. A Mazda por sua vez já teve um carro com esse nome entre 1966 e 1991.
Manutenção de registros de nomes de carros fora de linha é comum na indústria, pois sempre há a possibilidade de a alcunha voltar a ser utilizada. É uma medida protetiva para evitar que o nome vá parar nas mãos de outra empresa.

Um fato curioso foi o do Ford GT40. A Ford, após seu programa de corridas, não protegeu o nome, que foi registrado por outras empresas. Quando a Ford decidiu trazer o carro ao mercado novamente em 2004, para celebrar os 40 anos da vitória em Le Mans, não foi possível utilizar a combinação e ele foi rebatizado apenas de Ford GT.
No caso de Luce, o desfecho pode terminar com a desistência da Mazda, num acordo comercial ou simplesmente a mudança do nome pela Ferrari. Mas trocas de nomes não são simples. Segundo especialistas em Marketing há um trabalho intenso para construir a mensagem que será passada com a adoção do nome. Assim, é esperado um esforço de Maranello para chegar a um entendimento com Hiroshima.
Mas mudanças de última hora também não são novidade. Em 2024 a Alfa Romeo foi obrigada a trocar o nome do SUV elétrico Milano para Junior. O governo italiano barrou o nome pelo simples fato de o carro não ser montado na Itália, mas na Polônia. A legislação italiana conta com um instrumento de proteção para produtos que se dizem italianos, uma espécie de denominação de origem, comum na indústria de bebidas e alimentos.
O Mazda Luce foi apresentado pela Mazda em 1966 como seu primeiro sedã de luxo, criado para competir em um segmento dominado por modelos maiores no Japão e também ganhar espaço em mercados internacionais. Seu desenvolvimento contou com a colaboração do estúdio italiano Bertone, responsável pelo desenho do protótipo mostrado no Tokyo Motor Show de 1965.

Ao longo de várias gerações produzidas entre 1966 e 1991, o Luce evoluiu de um sedã elegante com forte influência europeia para um modelo mais sofisticado e tecnológico. Em algumas versões, o carro adotou motores rotativos Wankel, comercializados como Luce Rotary. O modelo também serviu de base para projetos derivados, como o Mazda Roadpacer AP, e para versões exportadas que mais tarde seriam conhecidas como Mazda 929, consolidando o papel da marca no segmento de sedãs executivos nas décadas de 1970 e 1980.
Disputas por nomes de carros são antigas. No início dos anos 1960 a Porsche se preparava para lançar o sucessor do 356, que se chamaria 901. Mas na última hora a Peugeot barrou o nome pois tinha o registro da combinação numérica.

Como os alemães já tinham encomendado milhares de peças com os algarismos, resolveram descartar o número zero e o substituíram pelo algarismo 1. Assim nasceu o Porsche 911.
Há cerca de cinco anos a BMW bateu na porta da Citroën com uma proposta debaixo do braço. A Casa de Motores da Bavária estava prestes a lançar o SUV XM. E para evitar conflitos negociou os direitos do nome com a marca francesa, que teve um sedã futurista de mesmo nome entre 1989 e 2000.

À época foi celebrado um acordo de cavalheiros em que BMW e Citroën teriam direito ao uso do nome e todos ficaram satisfeitos. A alemã lançou o no fim de 2022 e a francesa está desimpedida de usar a combinação de consoantes no futuro. Conversando, todo mundo se entende.
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