Ruas completas; o que são, onde encontrar e qual sua importância

Estados como Rio de Janeiro, Curitiba, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, entre outros, possuem ruas completas, que são mais seguras e eficientes

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Esquina da Rua João Alfredo com Rua da República em Porto Alegre (RS) é um bom exemplo do conceito de rua completa (Foto: Daniel Kener Neto/WRI Brasil)
Por Julia Vargas
Publicado em 02/04/2025 às 14h00
Atualizado em 02/04/2025 às 15h55

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), existem diferentes tipos de vias urbanas, são elas as rápidas, locais, arteriais e coletoras, cada uma projetada com características específicas para atender as necessidades do local. No entanto, além dessa classificação há outro conceito que se entrelaça nas definições do CTB, o de ruas completas.

Esse termo foi trabalhado pelo WRI Brasil por meio da Rede Nacional Para a Mobilidade de Baixo Carbono e se popularizou em vários estados. Essa ideia de completude das vias está diretamente associada à eficiência e conforto para todos que circulam, objetivo que não é aplicado a maiorias das ruas e avenidas do Brasil.

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As grandes cidades do Brasil foram construídas pensando em favorecer apenas o tráfego de veículos. Mas, hoje, é perceptível que esse modelo muitas vezes não funciona, já que deixa de lado pedestres, bicicletas, veículos autopropelidos e outras formas de transporte. Isso prejudica metas como maior sustentabilidade e segurança.

O que são ruas completas?

Ruas completas são vias desenhadas para dar segurança a todos os usuários de todos os modos de transporte. Dessa forma, os espaços são distribuídos de maneira mais democrática, para beneficiar todos.

Os principais objetivos dos projetos de ruas completas são:

  • Respeitar e responder os usos existentes de cada região, assim como os usos planejados para o futuro.
  • Priorizar os deslocamentos realizados por transporte coletivo, a pé e de bicicleta.
  • Respeitar a escala das construções e recuos.
  • Apoiar a diversidade de usos do solo, mesclando residências, comércio e serviços.
  • Tornar a rua um lugar de permanência das pessoas e não somente de passagem.
  • Envolver residentes e grupos da comunidade para entender o bairro e suas prioridades.

O que faz uma rua ser completa?

Não existe uma fórmula ou um modelo fixo de rua completa. A fim de melhorar a experiência das pessoas com a via, alternativas de desenho urbano podem ser incorporadas desde que respondam ao contexto local da área, reflitam a identidade da rua e as prioridades daquela comunidade.

A tendência é que esse conceito traga alguns impactos básicos, já que estimula melhorias na igualdade, segurança e saúde. Isso torna os espaços urbanos mais compartilhados e vivos, com muitos benefícios indiretos.

Com acesso a ruas mais completas, as pessoas se sentem seguras para adotar padrões de deslocamento mais sustentáveis e com menos impacto climático, como a bicicleta e a caminhada. Há ganhos relevantes de acessibilidade, crianças e idosos se relacionam melhor com a cidade e muitas áreas degradadas podem ser revitalizadas a partir desse conceito de desenho urbano.

O transporte coletivo também pode ter melhorias, seja na qualidade do acesso das pessoas até os pontos de parada, seja na operação, a partir de vias exclusivas, por exemplo.

Como transformar vias em ruas completas?

Para implementar esse conceito, o WRI Brasil formou, em parceria com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), a Rede Nacional Para a Mobilidade de Baixo Carbono, composta por 10 cidades brasileiras e o Distrito Federal. Cada uma delas selecionou uma rua para receber um projeto piloto sob a ótica das ruas completas.

O primeiro passo para essa mudança não precisa ser um grande investimento em infraestrutura, já que é possível adotar soluções com materiais de baixo custo para a redistribuição do espaço. A Rua Joel Carlos Borges, em São Paulo, é um bom exemplo, pois precisava atender melhor a alta demanda de pessoas caminhando nos horários de pico.

Rua completa São Paulo
Rua Joel Carlos Borges em São paulo (SP). Foto: Pedro Mascaro/WRI Brasil

O projeto para a requalificação da via foi separado em diferentes fases. A primeira delas foi rapidamente implementada, com uso de materiais como tinta e sinalização. Depois de cada etapa concluída, é possível medir como as pessoas se adaptam ao espaço.

Após toda essa análise, a prefeitura da cidade adapta o projeto definitivo, de acordo com observações técnicas ou dos moradores, utilizando recursos maiores apenas quando a população local se acostumar ao novo desenho da rua.

A partir disso, a rua Joel Carlos Borges, permitiu que ciclistas e carros compartilhassem a faixa de rolamento existente, além de maior espaço para os pedestres. Agora ela pode ser considerada uma rua completa porque o novo desenho distribui o espaço viário de acordo com o real uso, mesmo que não disponha de faixa dedicada ao transporte coletivo, para bicicletas ou outras soluções de desenho viário.

Onde encontrar ruas completas?

Alguns municípios já estão trabalhando na implementação de ruas completas. O WRI Brasil oferece apoio técnico às cidades, contribuindo para que os projetos saiam do papel.

Estes são alguns exemplos de ruas completas no Brasil:

  • Rua João Alfredo – Porto Alegre (RS)
  • Rua Voluntários da Pátria – Curitiba (PR)
  • Rua Custódio José Inácio Rodrigues – Campinas (SP)
  • Rua Miguel Calmon – Salvador (BA)
  • Rua Marquês do Paraná – Niterói (RJ)
  • Praça Ari Sá – Fortaleza (CE)
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1 Comentário
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Rodolfo 2 de abril de 2025

Eu moro em São Paulo-SP e andado a pé nem bicicleta, nem moto e nem muito menos automóveis respeitam pedestres. Já Campos do Jordão-SP eu tiro o meu chapéu!

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