SUVs serão como cigarros: do charme ao desprezo

Os utilitários-esportivos vão na contramão do que se espera dos carros no futuro: que eles sejam eficientes e seguros

gmc hummer ev suv
Enorme e sem aerodinâmica: SUV elétrico não faz sentido (Foto: GMC | Divulgação)
Por Felipe Boutros
Publicado em 21/01/2023 às 09h03
Atualizado em 21/01/2023 às 09h25

Os cigarros já foram símbolo de status, independência e charme. Grande cenas do cinema já tiveram o tabaco como coadjuvantes. As marcas patrocinavam eventos esportivos (!), equipes de Fórmula 1 e festivais de música. Mas neste século, quem dá umas tragadas é mal-visto pela sociedade. Segregado! Fumar, só em lugar aberto. Em algumas cidades, nem debaixo da marquise pode ficar.

“Nossa… O AutoPapo não é um site de carro? Por que esse discurso a la Dráuzio Varella”, deve estar perguntando um dos meus três leitores. Porque daqui a pouco, o SUV, sim o desejado utilitário esportivo, vai ser marginalizado tal qual o cigarro.

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O SUV é um carro grande e pesado que vai na contramão do que se espera dos carros do futuro: ser eficiente. Recentemente, em entrevista à publicação inglesa AutoExpress, o CEO da Citroën, Vincent Cobée decretou: “O mundo dos SUVs acabou”.

Para o executivo, os utilitarios esportivos são incompatíveis com o futuro elétrico dos carros. “Em um carro elétrico, se sua aerodinâmica estiver errada, a penalidade em termos de alcance é enorme. Você pode perder 50 quilômetros entre uma aerodinâmica boa e ruim, e entre um SUV e um sedã você fala 60 a 80 quilômetros com muita facilidade”, explicou Cobée.

O CEO continua explicando o seu ponto de vista  que esses carros terão o peso e os tamanhos das baterias limitados, seja por meio de impostos, incentivos ou regulamentação. Mais ou menos como acontece com os cigarros hoje, onde uma carga tributária mais alta tenta limitar o seu consumo.

ford f 150 lightning platinum supercrew frente parada em garagem com carregador plugado
F-150 elétrica pode ser 1 tonelada mais pesada que a sua similar a combustão (Foto: Ford | Divulgação)

Constrangimento

Por fim, Cobée  acredita que os próprios consumidores irão se constranger em optar por um SUV em um mundo onde as preocupações com condições climáticas estarão cada vez mais evidentes. “Se você mora em uma cidade grande, cinco anos atrás, se você deixou seus filhos com um SUV grande , você é um homem. Agora, se você fizer isso, você é um ‘terrorista’…”, sentenciou.

Por fim, Cobée também critica o ganho de peso dos carros. “Na década de 1970, um carro pesava 700 kg. Hoje, um carro médio pesa 1.300 kg. Amanhã um carro médio pesará duas toneladas. Portanto, estamos usando três vezes mais recursos para fornecer o mesmo serviço, apenas para ser ‘ecológicos’.”

Segurança

A preocupação com o peso dos SUVs elétricos vai além da questão ambiental. A chefe do National Transportation Safety Board – órgão que investiga acidentes nos EUA – expressou preocupação sobre os riscos de segurança que os veículos elétricos pesados ​​representam se colidirem com veículos mais leves.

Jennifer Homendy exemplificou que um GMC Hummer elétrico pesa cerca 4.000 kg com uma bateria que sozinha pesa 1.300 kg, aproximadamente o peso total de um carro médio. Homendy ainda explicou que a picape F-150 Lightning EV da Ford é de 900 kg a 1.350 kg mais pesada que a versão de combustão do mesmo modelo.

“Temos que ter cuidado para não criar consequências não intencionais: mais mortes em nossas estradas”, disse ela. “A segurança, especialmente quando se trata de novas políticas de transporte e novas tecnologias, não pode ser negligenciada.”

Além do peso, os elétricos têm alto desempenho permitindo que acelerem rapidamente mesmo em áreas urbanas lotadas. “As pessoas não são treinadas para lidar com esse tipo de aceleração. Simplesmente não é algo que os motoristas estão acostumados a fazer”, disse Brooks.

Ao que tudo indica, será uma questão de tempo vermos os SUVs fora das ruas… Até mesmo, porque nós sabemos que a indústria automotiva vive de ciclos e modinhas. Quer um? Aproveite antes de ficar brega!

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16 Comentários
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Polvo 28 de janeiro de 2023

SUV é só moda. Ainda aposto no retorno das peruas compactas.

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J. Dick 26 de janeiro de 2023

Um veiculo leve a combustão rodando a aetanol agridemenos o meio ambiente do que um pesado SUV ou Pickup 100% eletricos. Vai ver quantos metais pesados possui a bateria completa de um Tesla.

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Paulo 25 de janeiro de 2023

Autopapo furado

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Diego 24 de janeiro de 2023

Tenho uma linha de raciocínio parecida com a do Felipe. Porém, no Brasil, cada vez mais nos deparamos com a necessidade de SUVs, seja pelas ruas acidentadas, seja pelos recorrentes alagamentos provocados por chuvas torrenciais (no local onde vivo, pelo menos). Mas, aí falo de SUV de verdade, tipo SW4 e Pajero. Quanto ao elétrico, acredito que estamos muito, muito longe de ter essa tecnologia minimamente madura. Deixa o carro exageradamente pesado, as vezes é exageradamente potente, e cria problemas com segurança que antes não tínhamos, ou eram minimizados. Sem contar que consome muito mais recursos naturais para a sua produção. Mas, isso independe de ser SUV ou não.

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Leonardo 24 de janeiro de 2023

Vamos começar com isso, CEO da Citroën, diz… Essa marca fajuta produz carros desde quando? Só porcarias de plástico. Primeiro, essa falácia de carros elétricos nasceu morta. Primeiro, as baterias são muito caras com uma vida útil ridícula, além de possuírem componentes muito mais nocivos que a queima do petróleo nos motores a combustão. Outro detalhe que parece que a Europa ignora e, os “eurocentristas” também, do que adianta deixar de queimar combustíveis fósseis nos motores e queimá-los nas usinas ? A diferença é que ao invés de demorarmos 5 min para encher um tanque com gasolina, demoraremos 1 hora. Basicamente, essa reportagem inteira é só falácia, afinal não existe nada melhor que um ronco de V8 ou um 6 Cil com torque de trator. E quanto aos SUVS, o mercado está aí para jogar por terra essa reportagem. Mas deixo uma pergunta, é sério que não tinham ninguém melhor para entrevistar além do CEO da Citroën?

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Fernando 23 de janeiro de 2023

Depende. Quem tem, e utiliza o SUV por necessidade, continuará comprando o SUV verdadeiro. Agora , quem tem porque está na moda e quer fazer bonito, vai deixar de comprar.

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Toinho 22 de janeiro de 2023

Kkkkkkkk… matéria risível!! Seja pelo ponto de vista da ineficiência e incompetência dos governantes mundiais em gerar “energia limpa” para alimentar os tais elétricos, seja pelo ponto de vista (no caso do Brasil) de ter um “pseudo SUV”, pelo menos, pra rodar nas nossas vias e rodovias ridículas e esburacadas!! Espera aí uns 50 anos…quem sabe… sonha Marcelino…

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Santiago 22 de janeiro de 2023

Lá fora, no resto do Mundo, pode ser. Mas isso dependerá muito dos modismos e tendências lançados pelos agentes de mercado.
Porém aqui no Brasil esse debate pode ser um tanto confuso, e até cômico. Já que por aqui o termo “SUV” foi tirado de contexto e vulgarizado, sendo aplicado até mesmo a hatches sub-médios.

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Bob Napoleon 22 de janeiro de 2023

Se a sua referência é o CEO de uma empresa que já faliu algumas vezes, então os SUV irão ganhar mais mercado, como assim está ocorrendo desde que surgiram

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Gustavo 21 de janeiro de 2023

Na minha humilde opinião o cliente não tem muita opção..
tenho família grande. Quais as opções zero km?
Rebaixaram os “populares”.. tu fica obrigado a pegar um “suv”
Os sedans médios eu bato a cabeça no teto.. as SW tiraram do mercado.. a própria Toyota tirou o fielder pq vendia melhor que o corolla..
Complicado colocar a culpa no cliente quando tudo induz para um produto específico

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Emanuel 21 de janeiro de 2023

Não acho que vão ficar no passado por serem elétricos, porque a matriz energética simplesmente não os comporta. Não existe energia para abastecer a frota mundial, caso a pretensão seja que todos se tornem elétricos. Já pelo peso, autonomia (seja por uso demasiado de matéria prima, seja pelo consumo exagerado de combustíveise) e pela segurança rodoviária sim, acho que podem se tornar elefantes brancos.

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Marco 22 de janeiro de 2023

Então que a Citroen deixe de produzir suvs, elétricos e tal…..vai cair fora do mercado rapidinho.

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Cadillata 21 de janeiro de 2023

Viva o Suzuki Alto.
Sem ironia.

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Marcos Siequeroli 21 de janeiro de 2023

Excelente matéria “Nostra-auto-damus”!

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Emanuel 21 de janeiro de 2023

Não acho que vão ficar no passado por serem elétricos, porque a matriz energética simplesmente não os comporta. Não existe energia para abastecer a frota mundial, caso a pretensão seja que todos se tornem elétricos. Já pelo peso, autonomia (seja por uso demasiado de matéria prima, seja pelo consumo exagerado de combustíveise) e pela segurança rodoviária sim, acho que podem se tornar elefantes brancos.

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Bob Esquizo 22 de janeiro de 2023

A turma já leu teu comentário lá em cima, mano

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