[Vídeo] Testamos o Honda City EXL 2018

Sedã custa caro pelo que oferece: apesar do preço de R$ 83.400, versão top de linha tem desempenho modesto e não vem equipada com controle de estabilidade

Por Alexandre Carneiro09/05/18 às 13h02
Com Felipe Boutros (vídeo)

O City é pioneiro no segmento de sedãs intermediários entre compactos e médios: sua primeira geração foi lançada em 2009, antes de qualquer outro concorrente. Pouco depois, em 2011, veio o Chevrolet Cobalt e, no ano passado, chegou o VW Virtus. Os três têm, basicamente, a mesma receita, que consiste em utilizar uma plataforma utilizada por veículos compactos (no caso do Honda, a base é a do Fit), mas com alongamentos expressivos na distância entre-eixos e no balanço posterior, de modo a aumentar o espaço para as pernas no banco traseiro e o tamanho do porta-malas. Consequentemente, as dimensões externas também são grandes, bem próximas às dos modelos médios.

A atual geração do City foi lançada em 2014 e, neste ano, passou por um discreto face-lift, que alterou apenas o design de para-choques, faróis e grade frontal. A Honda aproveitou para acrescentar alguns equipamentos ao sedã, entre os quais faróis full-LED com luzes de rodagem diurna e central multimídia com tela de sete polegadas, câmera de ré com três ângulos de visão, navegador GPS e integração com os sistemas Apple CarPlay e Android Auto. Esses dois itens estão presentes na versão top de linha EXL, avaliada pelo AutoPapo, que traz ainda ar-condicionado digital com interface sensível ao toque, bancos revestidos em couro sintético, rodas de liga leve de 16 polegadas, vidros elétricos com função um-toque nas quatro portas, retrovisores com ajuste e rebatimento elétrico, faróis de neblina, volante multifuncional, cruise-control e seis airbags (frontais, laterais e do tipo cortina).

Todavia, ainda não foi dessa vez que o City ganhou controles eletrônicos de tração e estabilidade, itens importantes de segurança ativa que já começam a chegar até aos automóveis mais populares. Além disso, ainda faltam alguns pormenores, como assistente de partida em rampa, acionamento automático de faróis e limpadores de para-brisa e chave presencial. Vale lembrar que a versão EXL custa nada menos que R$ 83,4 mil!

Sedã graúdo com motor pequeno

A parte mecânica não sofreu alteração alguma. O motor é o conhecido 1.5 de quatro cilindros, com 16 válvulas com comando variável e sistema de partida a frio sem tanquinho de gasolina. Modesto em cilindrada e sem nenhum recurso de sobrealimentação, rende números discretos: são 115 cv de potência com gasolina e 116 cv com etanol, além de 15,2 kgfm de torque com o primeiro combustível e de 15,3 kgfm com o segundo. O câmbio é automático do tipo CVT, com sete marchas simuladas, que podem ser trocadas por meio de paddle-shifts no volante.

Teste: Honda City EXL custa caro pelo que oferece
Honda City (Foto Felipe Boutros)

O resultado é um desempenho tímido. Ainda que seja leve para seu porte, com 1.135 kg de peso, o City está longe de ser um sedã empolgante. Na cidade, até demonstra alguma agilidade, mas, na estrada, exige que o motorista acelere sem dó para manter velocidades mais elevadas, principalmente em trechos de subida. Nessas situações, o ronco do motor é bastante notado na cabine, sensação amplificada pelo trabalho da transmissão, que mantém o giro constantemente elevado.

O motor parece um pouco subdimensionado, não só em relação ao porte e à faixa de preço do sedã, mas também diante do acerto da suspensão, que é até ligeiramente esportivo. A arquitetura é tradicional, com conjuntos do tipo McPherson na dianteira e por barra de torção na traseira, mas dotado de uma calibragem mais firme, que proporciona ótima estabilidade em curvas, às custas da transmissão de parte das imperfeições do solo para o habitáculo. Já os freios são coerentes com o desempenho, pois o sistema com discos ventilados na dianteira e tambores na traseira mostra bom dimensionamento, mas também não chega a se destacar.

Teste: Honda City EXL custa caro pelo que oferece
Honda City (Foto Felipe Boutros

Se, por um lado, o City tem desempenho limitado, por outro ele alcança bons resultados em consumo. A reportagem aferiu 10,3 km/l na cidade e de 13,4 km/l na estrada, com gasolina. O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBE) do Inmetro divulga índices de 12,3 km/l e de 14,5 km/l, com o mesmo combustível, respectivamente. Com etanol, o PBE aponta médias de 8,5 km/l no circuito urbano e de 10,3 km/l no rodoviário.

Acabamento correto e bom espaço interno

Um aspecto no qual o City ainda se destaca frente aos concorrentes é no acabamento. Não que ele seja luxuoso, mas revela um padrão de construção bem-executado. Os componentes da carroceria têm montagem perfeita, com vãos pequenos e uniformes. Por dentro, os plásticos do painel, apesar de duros, exibem arremates caprichados, ao passo que as forrações de porta, feitas no mesmo material, têm grandes porções estofadas. Até a tampa do porta-malas ostenta um revestimento interno em carpete. São detalhes, sim, mas que denotam qualidade.

Teste: Honda City EXL custa caro pelo que oferece
Chevrolet Cobalt (Foto Chevrolet | Divulgação)

A habitabilidade também é muito boa, com acesso fácil a todos os comandos e boa leitura dos instrumentos. Falta, porém, o termômetro do fluido de arrefecimento do motor. Outro ponto melhorável é o volante muito fino: uma peça mais encorpada proporcionaria melhor pegada. Além disso, por ser multifuncional, esse componente deveria incluir as teclas de acesso ao computador de bordo. Em vez disso, o manuseio se dá por meio de uma arcaica haste no cluster. Por outro lado, a coluna de direção é ajustável em altura e em profundidade, permitindo que motoristas de diferentes estaturas encontrem a postura ideal para conduzir. Os bancos são excelentes: ergonômicos e feitos com espumas de alta densidade, apoiam muito bem o corpo. A posição de dirigir é confortável e até um pouco esportiva, deixando as pernas mais esticadas; pena que o motor não corresponda…

Em espaço, o modelo da Honda está no mesmo patamar dos concorrentes, e isso é bom, pois os sedãs do gênero têm medidas internas generosas. No banco traseiro, há área razoável para a cabeça e muito generosa para as pernas. Ali, o assoalho não é plano, mas o ressalto central não é grande, minimizando o desconforto para o quinto ocupante. Outro ponto positivo é a presença de cintos de três pontos e encostos de cabeça para todos os ocupantes. Mas há também um ponto negativo: a turma do fundão não conta com saída de ar-condicionado dedicada, nem mesmo com entrada USB.

Teste: Honda City EXL custa caro pelo que oferece
Honda City (Foto Felipe Boutros)

Por outro lado, o porta-malas é menor que o dos rivais, com 486 litros de volume. Não que ele seja pequeno, pelo contrário, mas existem sedãs de porte até menor cujos bagageiros superam os 500 litros de capacidade. Vale ressaltar que a Honda afirma existirem 50 litros extras abaixo do carpete do assoalho, que elevam o valor total para 536 litros. Porém, apesar de realmente existir um bom espaço na área indicada, não é fácil aproveitá-lo na prática. Isso porque esse nicho é resultado de um recuo na cuba do estepe: objetos colocados ali podem se sujar em função do contato com o pneu sobressalente ou até riscar a lataria, que, nesse local, fica exposta, sem qualquer tipo de proteção.

Muito caro pelo que oferece

No fim das contas, o City é um sedã de comportamento agradável no uso urbano diário, mas incapaz de provocar emoções para quem está ao volante. Trata-se de um carro correto, porém um tanto sem graça, que poderia ficar bem mais interessante se tivesse motor mais potente e lista de equipamentos de série maior. Ou se, pelo menos, custasse menos, mantendo o conteúdo atual. Do jeito que está posicionado no mercado, os preços não condizem com o que o modelo de fato vale. Talvez seja boa ideia a Honda repensar seu produto, pois o segmento está cada vez mais competitivo: além do recém-chegado Virtus, o leque de concorrentes terá, ainda neste ano, o Yaris Activ, da Toyota.

Ficha técnica: Honda City EXL

Motor: Dianteiro, transversal, 1.497 cm³, com quatro cilindros e 16 válvulas, aspirado, flex

Potência: 115 cv (gasolina) e 116 cv (etanol), a 6.000 rpm

Torque: 15,2 kgfm (G) e 15,3 kgfm (E) a 4.800 rpm

Transmissão: automática continuamente variável (CVT), com sete marchas simuladas, tração dianteira

Suspensão: Independente do tipo McPherson na dianteira e semi-independente por barra de torção na traseira

Rodas e pneus: rodas de liga leve de 16 polegadas, pneus 185/55 R16

Freios: discos ventilados na dianteira e tambores na traseira, com ABS e EBD

Direção: assistida eletricamente

Dimensões: 4,45 m de comprimento, 1,69 m de largura, 1,48 m de altura e 2,60 m de distância entre-eixos

Peso: 1.135 kg

Tanque de combustível: 46 litros

Porta-malas: 485 litros

Fotos externas Felipe Boutros | Auto Papo

Fotos internas Honda | Divulgação

1 Comentário

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  • Ricardo Roehe 29 de maio de 2018

    Muito bom de motor e consumo, mas o meu 2015, com menos de dois anos ENFERRUJOU TODO, a lata não PRESTA, só de uma olhada no site que fiz, procure no Google: HONDA FERRUGEM CRÔNICA e vai ver o que estou passando, HONDA se EXIME deste pequeno DEFEITO, quer comprar um pote de FERRUGEM compre este carro, favor REPASSEM a todos seus contatos, não caia neste BARCO FURADO.

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