Carro cheio exige atenção do motorista

É preciso tomar cuidado com a menor estabilidade, a piora do rendimento e a dificuldade para parar... Ah, ainda tem o consumo que aumenta!

Por BORIS FELDMAN08/06/18 às 21h30

Vai viajar com o automóvel neste final de semana com toda a família e respectiva bagagem? Já te ocorreu estar ao volante de outro automóvel na estrada? Não, você não tem planos de trocar de carro nos próximos dias, sei disso. Mas, dirigir com carro cheio é como se fosse trocar.

O motorista que sai nas férias com o carro carregado provavelmente roda o ano inteiro sozinho ou no máximo com um ou dois acompanhantes. É até provável que tenha dirigido nestas condições na mesma estrada que vai pegar agora, com toda a família. E dirigido com toda a segurança, mantendo velocidades compatíveis com as exigências e peculiaridades da pista.

Mas, de repente, o motorista pode não ter consciência de que o carro terá um peso adicional de cerca de trezentos a quatrocentos quilos. Faz toda a diferença estar com quatro ou cinco passageiros e o porta-malas levando carga máxima, o que faz o carro ter outro comportamento. Que, muitas vezes, assusta o motorista e pode ser perigoso.

Menos estabilidade, mais dificuldade para parar... Maior consumo, menor conforto. Carro cheio faz o rendimento do automóvel diminuir e a atenção do motorista precisa aumentar.

Até parece mesmo outro automóvel, pior que o anterior: é recomendável reduzir a velocidade naquela mesma curva feita antes, sozinho ao volante, a 110 km por hora. Melhor tomar cuidado porque com esse peso extra, o carro tem respostas diferentes. Não se esqueça de que não tem prejudicada apenas a estabilidade, mas também o sistema de freios: vai exigir muito mais espaço até parar, ou reduzir a velocidade, tudo provocado por esta quase meia tonelada a mais de peso.

E o desempenho? O motor é o mesmo, mas com o carro cheio, muda-se a relação peso/potência e o veículo demora muito mais para ultrapassar um caminhão na estrada. Vai ficar mais tempo na outra faixa, na contra-mão, aumentando riscos. Finalmente, o consumo: prepare-se para a desagradável surpresa de fazer as contas de quantos quilômetros ele está rodando por litro, para descobrir que está bebendo muito, muito mais.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

0 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Deixe um comentário