Cuidado com o monstrinho de duas cabeças

Por BORIS FELDMAN17/02/17 às 16h24

Se você está pensando em comprar um carro zero neste início de ano, muito cuidado com o “duas cabeças”: não se trata de nenhum monstrinho, mas o carro fabricado em 2016, porém ano modelo 2017.

Na verdade, já estão chegando às concessionárias os carros produzidos em janeiro deste ano. A rigor, nenhuma diferença entre um automóvel produzido em dezembro de 2016 e outro em janeiro de 2017. Ou melhor, a única diferença está no documento emitido pelo órgão de transito: o primeiro será registrado como “ano fabricação 2016” e o segundo “ano fabricação 2017”. Mas, constando em ambos “ano-modelo 2017”.

E porque o cuidado ao fechar negócio? Alguns vendedores são corretos e explicam detalhadamente as características do carro oferecido. E não esconde – se for o caso – ser um “duas cabeças”. Mas outros se fazem de desentendidos e o cliente só percebe a esperteza depois que o carro já está emplacado. Ou nem percebe que no documento estão registrados os dois anos “2016/2017”.

Se o cliente reclama, o vendedor até insiste não haver diferença nenhuma, mas o “duas cabeças” poderá valer menos dentro de alguns anos, quando ele for vendido como usado ou entrar no negócio, na compra de um outro zero km. Na ânsia de empurrar o carro de estoque mais antigo, ele diz que o valor de revenda dos dois é também o mesmo. Mas ele próprio, dentro de três anos, poderá torcer o nariz para o “duas cabeças”: “Pois é, madame, seu carro é ótimo, é modelo 2017 mas foi fabricado em 2016 e por isso vale um pouquinho menos”.

Verdade ou mentira, se a concessionária tem os dois em estoque, insista em levar o modelo fabricado este ano. Ou, use o fato do outro ser um “duas cabeças” para conseguir um descontinho maior. Com o mercado em baixa como atualmente, as concessionárias fazem qualquer negócio para faturar o carro…

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

0 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Deixe um comentário