Você não atende o recall. E perde um pedaço do dedo…

Por BORIS FELDMAN19/04/18 às 18h37

Há quem proteste, mas o recall é um mal necessário. Melhor com ele do que sem ele e por isso já foi até regulamentado pela nossa legislação. Recall é quando a fábrica chama de volta à concessionaria o modelo novo em que se detenha detectado algum defeito relacionado à segurança. Pode ser a substituição de algum componente ou apenas uma interferência numa regulagem ou software.

Ao contrário do que muitos pensam, recall não se aplica a problemas que não envolvem segurança. Defeito na bateria, no revestimento do volante ou do banco podem ser corrigidos na concessionária quando o carro for levado para a revisão. Sem necessidade de se divulgar pela mídia, ou seja, não se caracteriza como um recall.

Há quem proteste, mas o recall é um mal necessário. Melhor com ele do que sem ele e por isso já foi até regulamentado pela nossa legislação

No caso do recall, a fábrica deve anunciá-lo pelos veículos impressos ou eletrônicos de comunicação. O carro pode ser levado a qualquer concessionária da marca para o reparo gratuito. Embora se anuncie prazo de 180 dias, ele pode ser realizado em qualquer data, durante toda a vida útil do automóvel.

Entretanto, são preocupantes as informações das fábricas de que o volume de automóveis levados às concessionarias para o recall é pouco superior à metade dos modelos envolvidos.

Existem, portanto, milhões de automóveis rodando por ai que colocam em risco a integridade dos ocupantes. São cintos de segurança com problemas de fixação, possibilidade de vazamento de combustível com riscos de incêndio, fixação deficiente de rodas, eixos ou componentes da suspensão e outros do gênero.

A despreocupação do dono do veículo com sua própria segurança é tamanha que teve o caso extremo do Volkswagen Fox, em 2008, que apresentou um problema no rebatimento do banco traseiro. Qualquer descuido do motorista ao rebaixá-lo (para aumentar o espaço do porta-malas) poderia ferir ou até decepar um pedaço de seu dedo. Depois de alguns acidentes, a fábrica preparou uma peça para ser encaixada no mecanismo de articulação do banco e evitar o acidente.

Pois nem mesmo a gravidade do problema convenceu todos os donos do Fox a levá-lo para o reparo nas concessionárias. Portanto, quem compra um carro usado de qualquer marca deve consultar a fábrica se o modelo foi envolvido num recall. E verificar, pelo número do chassis, se aquela unidade foi reparada. A chance de não ter sido, não se esqueça, é de quase 50%…

Foto iStock

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

1 Comentário

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  • Igor 20 de abril de 2018

    Apenas uma ressalva. O recall do fox foi forçado. A VW não admitiu o problema. O presidente da VW na época em entrevista chegou a insinuar que os donos dos carros eram inábeis. Aproveitando o espaço, quando a VW vai fazer o recall do antiesmagamento dos vidros do meu Passat? Ou apenas os europeus deram problema?

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