Aos 64 anos, o único homem a quebrar a barreira do som em terra bateu outro recorde mundial

Andy Green cravou média de 653,909 km/h em Bonneville com dois motores a hidrogênio adaptados; recorde anterior era de 298,5 km/h

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Andy Green, após quebrar a barreira do som, volta a fazer história ao levar um carro movido a hidrogênio a 653,9 km/h (Foto: Reprodução)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 13/08/2026 às 22h00

O piloto britânico Andy Green estabeleceu o recorde mundial de velocidade para carros com motor a combustão de hidrogênio. Aos 64 anos, o oficial aposentado da Força Aérea Real cravou média de 653,909 km/h nas planícies salgadas de Bonneville, em Utah, no dia 11, ao volante do JCB Hydromax. A marca mais que dobra o recorde anterior da categoria, de 298,5 km/h, feito pelo BMW H2R em 2004.

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Pelas regras da FIA, a média vale duas passagens em sentidos opostos dentro de uma hora. Green fez 644,7 km/h na primeira e 663,3 km/h na segunda, cobrindo a milha cronometrada em pouco menos de nove segundos. A entidade oficializou a tentativa e confirmou o resultado, que também supera o recorde de 487,6 km/h dos veículos movidos a célula de combustível de hidrogênio.

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Foto: Reprodução

Dois motores de escavadeira

Com 9,75 m de comprimento, o Hydromax é movido por dois motores derivados de série, os mesmos que a JCB usa em suas máquinas de construção, produzidos na fábrica de Foston, na Inglaterra. Cada um rende 811 cv, o que dá 1.622 cv no conjunto.

A arquitetura é incomum: um motor fica atrás do piloto e move as rodas traseiras, enquanto o outro, à frente, aciona as dianteiras. O carro foi construído pela Prodrive, com dois câmbios fornecidos pela Xtrac, um para cada motor. Green pilota dentro de um submonobloco de compósito, protegido por uma gaiola de aço no estilo das usadas em arrancada.

O projeto faz parte de um programa de hidrogênio no qual a JCB afirma ter investido 100 milhões de libras, com 150 engenheiros e mais de 150 motores já produzidos. Antes de Bonneville, o carro havia chegado a 335 km/h em testes de maio na base aérea de Wittering, no Reino Unido. Em 5 de agosto, também bateu o recorde da classe de aerodinâmicos com motor sobrealimentado da associação americana SCTA, com média de 592,8 km/h.

Do Dieselmax ao supersônico

O recorde marca o reencontro de Green com a JCB duas décadas depois do Dieselmax, carro a diesel que ele levou a 563,4 km/h em 2006, no mesmo salar, marca que segue de pé. Ele é ainda a primeira e única pessoa a superar a velocidade do som em terra: 1.227,985 km/h com o ThrustSSC, em 1997, no deserto de Black Rock, em Nevada.

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Foto: AP Photo (Hannah Schoenbaum)

“Há vinte anos viemos a Bonneville com o JCB Dieselmax e mostramos o que a engenharia britânica podia fazer com diesel. Hoje fizemos de novo, desta vez com motores movidos a hidrogênio”, afirmou Anthony Bamford, presidente do conselho da JCB, que idealizou a tentativa.

A empresa apresenta a tecnologia como de emissão zero, argumento que ainda encontra resistência: a maior parte do hidrogênio produzido no mundo vem de combustíveis fósseis. A JCB firmou acordo para comprar hidrogênio verde, obtido a partir de energia renovável, modalidade que responde por uma fatia pequena da produção global.

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