Após fusão frustrada, Honda e Nissan estão perto de fechar nova parceria
Depois de recuar da fusão em 2025, as montadoras negociam cooperar em ECUs de híbridos e elétricos, projeto que pode incluir a Mitsubishi
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 02/07/2026 às 13h00
Pouco mais de um ano após abandonarem as negociações para uma fusão, Honda e Nissan estão perto de anunciar uma nova parceria — desta vez, mais modesta. A aproximação foi confirmada pelo presidente e CEO da Honda, Toshihiro Mibe, que afirmou a acionistas que as conversas entre as duas montadoras japonesas estão em estágio avançado e próximas de um anúncio, segundo o jornal Nikkei Asia.
As duas empresas assinaram, em dezembro de 2024, um memorando de entendimento para estudar a criação de uma holding conjunta. O plano naufragou em fevereiro de 2025. Segundo a agência Reuters, a Honda passou a defender assumir o controle da Nissan, transformando-a em subsidiária, além de cortes mais profundos de custos, com demissões e fechamento de fábricas — proposta rejeitada pela rival.
Desta vez, a colaboração deve se limitar a projetos específicos. Mibe afirmou que as companhias avançam “em cada projeto numa relação em que todos ganham”, sem detalhar o escopo. Uma das iniciativas em discussão é o desenvolvimento conjunto de unidades de controle eletrônico (ECUs) para futuros modelos híbridos e elétricos — projeto que também envolveria a Mitsubishi e traria peças padronizadas para as três marcas em carros previstos para o fim da década.
A Renault, por sua vez, deve ter voz nas negociações: a francesa ainda detém 15% do capital com direito a voto da Nissan, fatia que já foi de 43% em 2023. O movimento ocorre em meio a uma ampla reestruturação das duas japonesas. Sob o plano RE:Nissan, a Nissan prevê fechar sete fábricas, encerrar dois estúdios de design, demitir cerca de 20 mil funcionários e reduzir a capacidade anual de produção de 3,5 milhões para 2,5 milhões de veículos.
A Honda também revisa a estratégia após registrar o primeiro prejuízo anual desde sua abertura de capital, em 1957 — uma perda líquida de cerca de US$ 2,7 bilhões no ano fiscal encerrado em março. O tombo foi puxado por bilionárias baixas contábeis no negócio de elétricos, diante da demanda mais fraca nos Estados Unidos, onde subsídios foram cortados, e da concorrência chinesa. Ainda assim, a montadora projeta voltar ao azul já no exercício atual.
A empresa cancelou parte dos investimentos em elétricos, abandonou a meta de se tornar uma fabricante totalmente elétrica até 2040 e passou a concentrar esforços em híbridos, com a promessa de 15 novos modelos até 2030 e uma dupla de sedã e SUV prevista para 2028. Nos bastidores, é justamente o avanço das marcas chinesas que empurra fabricantes tradicionais a dividir custos e acelerar o desenvolvimento de novos modelos.
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