Carro ‘chinês nacional’ vai custar menos que rivais mesmo com novos impostos, aponta estudo

Verticalização e controle da produção de baterias garantem vantagem às montadoras asiáticas sobre concorrentes tradicionais

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Caoa Changan Uni-T é feito no Brasil, mas vem da China, e chamou atenção pelo custo-benefício (Foto: Caoa Changan | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 06/04/2026 às 10h00

A abertura de novas fábricas e a expansão das operações de montadoras chinesas no Brasil manterão os veículos dessas marcas com preços inferiores aos das concorrentes tradicionais no mercado nacional. A indicação é de um estudo da consultoria Zag Work, divulgada pela Folha de S. Paulo, que aponta a eficiência produtiva e a integração da cadeia de fornecedores como os reais responsáveis por essa vantagem competitiva, relegando os subsídios governamentais a um papel secundário.

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Ao nacionalizar a produção, as fabricantes asiáticas conseguem importar componentes desenvolvidos internamente a custos operacionais significativamente menores. O levantamento ilustra essa disparidade estrutural com os valores praticados no mercado de origem das marcas. Na China, um Tesla Model 3 tem o preço fixado em US$ 28.893. Em contrapartida, um veículo equivalente de uma montadora local é comercializado por US$ 24.190. A pesquisa atribui essa diferença à verticalização da manufatura e à otimização de recursos em áreas como pesquisa, desenvolvimento e gestão administrativa.

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A estratégia industrial dessas empresas baseia-se no controle direto de componentes essenciais para os veículos. A fabricação própria de baterias gera expressivos ganhos de escala, resultado registrado no balanço da indústria chinesa de 2025, que contabilizou a produção de 34,5 milhões de automóveis — volume superior à soma das unidades fabricadas nos Estados Unidos e na Europa. Com a capacidade ociosa em suas matrizes, as companhias redirecionaram o foco para a exportação e o fornecimento de peças para filiais instaladas em países como o Brasil.

Para Rogelio Golfarb, fundador da Zag Work, a integração vertical consolidada na Ásia blinda a operação brasileira contra flutuações de custos. Diante desse cenário, a consultoria projeta que as marcas chinesas atingirão 35% de participação nas vendas no Brasil até 2035. O crescimento é impulsionado pelo perfil do consumidor nacional: dados do Webmotors Autoinsights indicam que 40% dos compradores priorizam utilitários esportivos, exato segmento que concentra as linhas de montagem dessas montadoras.

Um exemplo dessa ofensiva no mercado local é o Caoa Changan Uni-T. O utilitário é equipado com motor 1.5 turbo flex de 180 cv e 30,6 kgfm, comercializado com preço inicial de R$ 169.990.

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1 Comentário
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Polvo 6 de abril de 2026

Vamos ver no longo prazo se essa estratégia se mantêm. Esses modelos chineses precisam ter mercado no médio e longo prazo, não podem se tornar um produto “descartável” por falta de peças de reposição, ou mesmo ficar parados por meses para reparos por falta de estoque de peças por aqui. As montadoras chinesas precisam mudar sua forma de gerir o pós venda e não apenas oferecer preços atrativos.

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