Carro elétrico da Ferrari é tão rápido que a Nasa precisou ajudar a montadora

Entenda o que a montadora descobriu sobre o limite do corpo humano em carros elétricos e como o inédito Luce promete revolucionar a sensação ao volante

Ferrari Luce (9)
Interior da nova Ferrari Luce, que ainda não teve visual revelado (Foto: Ferrari | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 26/03/2026 às 19h00

A Ferrari recorreu à ciência espacial para garantir que a transição para a mobilidade elétrica não apague a essência de seus superesportivos. O CEO da montadora italiana, Benedetto Vigna, revelou detalhes inéditos sobre o desenvolvimento do Luce EV, o primeiro veículo totalmente elétrico da marca, detalhando o complexo trabalho de engenharia focado em domar a aceleração e preservar a dirigibilidade clássica de Maranello.

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O executivo explicou que o torque instantâneo dos motores elétricos gera uma aceleração excessivamente linear que, em níveis extremos, pode chegar a “perturbar o cérebro” humano. Para contornar essa questão anatômica, a Ferrari consultou centros médicos e firmou uma parceria com a Nasa. O objetivo do estudo conjunto foi determinar exatamente qual é o limite de força G e aceleração contínua que começa a causar desconforto físico aos ocupantes.

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Para Vigna, o prazer de dirigir envolve múltiplos fatores — referidos na montadora como os “cinco pilares” da emoção automotiva —, que vão muito além de estatísticas de velocidade de zero a 100 km/h. Embora marcas concorrentes apostem na brutalidade técnica em linha reta, a Ferrari defende que o verdadeiro desempenho de um supercarro reside na percepção sensorial.

Nesse contexto, o principal desafio dinâmico do projeto recai sobre a aceleração transversal. O excesso de peso inerente aos grandes pacotes de baterias pode comprometer a estabilidade direcional e causar uma sensação de desconexão ou derrapagem nas curvas. Para evitar que o carro pareça pesado ou artificial, a fabricante trabalha na redução de massa estrutural e na redistribuição estratégica dos componentes no chassi, aproximando o balanço do Luce EV ao de seus tradicionais modelos a combustão.

A interatividade ao volante também foi repensada. Diferentemente de outros carros elétricos, que utilizam borboletas no volante primariamente para ajustar o nível de frenagem regenerativa, a Ferrari Luce usará esse recurso para modular a entrega de potência. Segundo o CEO, o sistema proporcionará uma “troca de marchas por torque”, simulando os trancos e o engate de uma transmissão real para garantir uma tocada visceral. Com previsão de autonomia na casa dos 500 quilômetros, o modelo terá uma forte vocação de “Grand Tourer”, pensada para o uso prolongado e não apenas para voltas rápidas nas pistas.

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