Pesquisa aponta que apenas os veículos 100% elétricos garantem queda estrutural de carbono; híbridos leves chegam a 228 g de CO₂ por km.
Um novo levantamento do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) revela que as diferentes tecnologias de eletrificação automotiva entregam resultados bem diferentes nas emissões de dióxido de carbono (CO₂) no Brasil. A análise, estruturada com base nas diretrizes do Programa Mover, conclui que o abismo ambiental entre os modelos não é apenas gradual, mas estrutural, colocando os carros 100% elétricos em um patamar isolado de eficiência.
Segundo os dados, os veículos totalmente movidos a bateria (BEVs) registram uma média de apenas 13 g de CO₂ equivalente por quilômetro rodado. Esse cálculo considera o rigoroso ciclo “poço à roda”, métrica que engloba as emissões desde a geração da energia até o consumo final pelo veículo. O número excepcionalmente baixo é explicado pela alta eficiência dos motores elétricos combinada à matriz energética brasileira, que é amplamente renovável e menos intensiva em carbono.
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O cenário muda de figura ao analisar os híbridos. Os modelos plug-in (PHEVs), que podem ser carregados na tomada, apresentam uma média de 74 g CO₂e/km — cerca de 28% abaixo dos veículos flex convencionais. O ICCT, contudo, faz uma ressalva importante: as métricas de uso do modo elétrico consideradas pelo Mover são otimistas. Na prática, se o proprietário não plugar o carro na tomada com regularidade, essa vantagem ambiental diminui rapidamente.
Nos híbridos convencionais (HEVs), que não vão na tomada, o combustível dita as regras. Modelos flex marcam cerca de 78 g CO₂e/km, mas as versões movidas puramente a gasolina chegam a 107 g CO₂e/km, encostando nos níveis de veículos tradicionais a combustão. O etanol é o fiel da balança no mercado nacional, embora seu uso sofra a influência direta da flutuação de preços nas bombas nas diferentes regiões do país.
Na base do ranking de eficiência estão os híbridos leves (MHEVs), com médias que saltam para 177 g CO₂e/km nas opções a gasolina e 228 g CO₂e/km nas versões a diesel. Parte desse mau desempenho está atrelada ao próprio perfil desses veículos, em geral utilitários esportivos (SUVs) maiores e mais pesados. O veredito dos dados indica que, enquanto a eletrificação parcial oferece reduções incrementais nas emissões, a verdadeira queda estrutural de carbono permanece vinculada à transição para os veículos totalmente elétricos.
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