Chevrolet perde 42% das vendas em sete anos e enfrenta crise com rede de concessionários
Marca saiu de 475.684 emplacamentos em 2019 para 275.965 em 2025 e viu a BYD chegar a 3 mil unidades de distância em agosto
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 11/09/2026 às 16h00
A Chevrolet perdeu 42% do volume de vendas no Brasil em sete anos e enfrenta a insatisfação da própria rede, que quer negociar com a montadora uma indenização para quem decidir fechar as portas. A apuração é da Autoesporte.
Em 2019, a marca foi líder isolada do mercado brasileiro, com 475.684 unidades emplacadas e 17,9% de participação, puxada pelo Onix, que vendeu mais que o dobro do segundo colocado, o Ford Ka. Em 2025, foram 275.965 carros e 10,8% de market share.
No mesmo intervalo, o mercado de automóveis e comerciais leves praticamente não encolheu, de 2.658.923 para 2.549.462 unidades: a marca não perdeu vendas porque o bolo diminuiu, mas porque outros ficaram com a fatia dela. Fiat e Volkswagen fecharam 2025 com 20,9% e 17,1%.
BYD encosta no pódio
A pressão ficou explícita em agosto. Pela Fenabrave, a Chevrolet emplacou 27.500 veículos no mês, contra 24.467 da BYD — diferença de pouco mais de 3 mil unidades — e 41.404 da Volkswagen. A chinesa cresceu 149% na comparação anual. Para segurar o terceiro lugar, a fabricante ofereceu incentivos e bônus aos vendedores na reta final do mês e emplacou quase 5 mil carros em dois dias.
Na ponta do varejo, o cenário é mais duro. Em pesquisa recente da Fenabrave, a rede Chevrolet deu a pior nota entre todas as marcas à afirmação de que os produtos da montadora são o que o cliente quer, e ficou abaixo da média em remuneração pelas vendas e percepção de valorização da marca. A Autoesporte apurou que, na região 1 — que reúne São Paulo, ABC Paulista e Baixada Santista —, há concessionárias com menos de dez vendas mensais a pessoas físicas, com o restante do volume escoado para empresas.
Com mais de 550 lojas no país, a rede vê o enxugamento como saída, mas a GM ainda não sinalizou cortes. Alguns grupos já dividem espaço com marcas chinesas: a Carrera abriu pontos da GWM e da Omoda Jaecoo ao lado de unidades antes exclusivas da Chevrolet.
Em nota enviada à Autoesporte, a montadora afirmou que “GM e Abrac mantêm uma atuação conjunta e permanente com a rede Chevrolet”, com foco em competitividade, rentabilidade das concessionárias e experiência do cliente.
Resposta pode vir da China
A reação comercial deve passar pela SAIC, parceira da GM na China em uma joint venture renovada por mais 20 anos, até 2047. Do acordo saíram o Spark EUV e o Captiva EV, já vendidos no Brasil, e devem sair o Captiva PHEV e um hatch elétrico compacto que deve se chamar Joy EV — o Wuling Bingo Pro chinês, previsto para 2027. Há ainda um sedã em desenvolvimento, com versões elétrica e híbrida plug-in.
A Autoesporte apurou também que concessionários receberam, em viagem à China, a confirmação de que a Buick desembarcará no Brasil, o que permitiria converter parte da rede. A operação, porém, não começaria antes de 2028, e a GM não confirmou o plano.
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