Demitido por uma bolacha depois de 11 anos de Ford, ele provou que não era ladrão e ainda arrumou um emprego melhor
Acusado de não pagar um cookie de cerca de R$ 10, o operário provou o débito no extrato, mas a relação com a montadora já estava rompida
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 30/06/2026 às 19h00
Atualizado em 30/06/2026 às 19h13
Um erro em um quiosque de autoatendimento custou, temporariamente, o emprego de um funcionário veterano da Ford. Kurt Kromm, que diz ter trabalhado por 11 anos na fábrica de picapes da montadora em Louisville, no Kentucky, afirma ter sido demitido sob a acusação de não pagar por um cookie de chocolate de cerca de R$ 10 (US$ 1,95) no refeitório da unidade. O episódio ganha contornos ainda mais inusitados diante do histórico do trabalhador: aos 60 anos e com média de 60 horas semanais em 2025, Kromm declarou ter recebido mais de R$ 1 milhão (mais de US$ 200 mil) no ano passado.
Segundo seu relato ao boletim Shifting Gears, tudo começou por volta das 3h30 de 9 de maio, durante um turno de 12 horas. Diabético, ele conta que comprou o cookie depois de se sentir tonto por causa da baixa taxa de glicose. Ao passar o cartão de débito no quiosque, a máquina exibiu uma tela vermelha indicando falha na transação, e por isso ele migrou para um segundo equipamento para concluir a compra.

Uma semana depois, Kromm foi chamado à sala de um supervisor e informado de que estava sendo desligado por não pagamento, com a Ford citando imagens de câmeras de segurança. Ele afirma ter sido escoltado para fora imediatamente, impedido de recolher as próprias ferramentas, e diz que um representante do sindicato (UAW) o aconselhou a pedir desculpas para acelerar uma eventual reintegração. Kromm se recusou, convicto de que havia pago, e afirma ter ouvido que a política de tolerância zero da empresa contra furtos já havia custado o emprego de outros cinco trabalhadores.
A virada veio quando ele apresentou o extrato bancário com o débito do cookie. Mesmo assim, segundo o funcionário, a Ford exigiu que o documento fosse autenticado em cartório. A operadora dos quiosques, a Aramark, acabou confirmando à montadora, em 12 de junho, que o pagamento havia sido processado, e dias depois Kromm foi autorizado a voltar.
Tarde demais. Ele já havia conseguido um emprego mais perto de casa e com salário maior, saltando de US$ 48 para US$ 52,51 por hora, com um bônus adicional de US$ 10 por hora. Procurada, a Ford afirmou não comentar casos individuais, mas reconheceu que há momentos em que percebe que algo poderia ter sido tratado de outra forma. A colega Victoria Thomas, eletricista há 34 anos na empresa, diz que as falhas nos quiosques são conhecidas e que conhece pessoas demitidas por causa de uma bebida de US$ 2, sem a documentação que Kromm tinha para se defender.
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