Marcopolo usa “massa mágica” para transformar lixo em ônibus

Massa Hefesto reaproveita resíduos e usa sílica da casca de arroz, reduzindo em mais de 50% as emissões de CO2, segundo a empresa

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Nova tecnologia reduz emissões, reaproveita resíduos industriais e diminui o uso de matérias-primas de origem fóssil (Foto: Marcopolo | Divulgação)
Por Júlia Haddad
Publicado em 13/07/2026 às 06h00
Atualizado em 13/07/2026 às 07h29

A Marcopolo, uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus do mundo, conquistou sua primeira patente verde com a Massa Hefesto — uma tecnologia de vedação usada na montagem dos veículos que transforma resíduos industriais em novos insumos para a produção. Segundo a empresa, a solução substitui parte das matérias-primas convencionais por materiais reaproveitados e incorpora sílica obtida da casca de arroz, uma fonte renovável.

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Concedida pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), a patente verde é uma modalidade de exame prioritário criada em 2012 para acelerar o registro de tecnologias voltadas à sustentabilidade. O gerenciamento de resíduos, justamente o campo em que se enquadra a inovação da Marcopolo, é a categoria que mais concentra pedidos nesse tipo de tramitação no país.

Desenvolvida entre 2024 e 2025 em parceria com o Instituto SENAI de Inovação em Polímeros (ISI Polímeros) e a Ciaflex, com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), a tecnologia tem como objetivo ampliar a circularidade dos materiais, reduzir desperdícios e diminuir a dependência de insumos de origem fóssil.

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De acordo com a fabricante, os estudos conduzidos durante o projeto apontaram redução superior a 50% nas emissões de gases de efeito estufa associadas ao material. Ainda segundo a empresa, as emissões teriam caído de cerca de 1,7 tonelada para aproximadamente 831 quilos de CO₂ equivalente, enquanto o consumo de recursos fósseis na composição da massa também recuou mais de 50%.

Aos ganhos ambientais somam-se, na avaliação da companhia, benefícios econômicos. A expectativa é evitar que cerca de duas toneladas de resíduos deixem de ser enviadas anualmente a aterros industriais. Em uma das linhas de produção avaliadas, a tecnologia teria potencial para gerar economia de aproximadamente R$ 27 mil por ano em custos de descarte.

“A Massa Hefesto nasceu da busca por uma destinação mais sustentável para resíduos gerados em nosso processo produtivo. Conseguimos transformar esse desafio em uma solução inovadora, que combina reaproveitamento de materiais, uso de matéria-prima renovável e desempenho técnico”, afirmou Felipe Biondo, coordenador de Confiabilidade do Produto da Marcopolo, em comunicado.

Para o Instituto SENAI, o caso ilustra o alcance da cooperação entre indústria e centros de pesquisa. “Conseguimos desenvolver e validar uma solução capaz de reaproveitar resíduos industriais e incorporar matérias-primas renováveis sem comprometer o desempenho do produto”, comentou João Gheller Junior, gerente de Operações do instituto.

Fundada há 76 anos em Caxias do Sul (RS), a Marcopolo mantém unidades fabris em cinco continentes e afirma ter veículos circulando em mais de 140 países. A conquista, segundo a empresa, integra sua estratégia de inovação com foco em soluções ambientalmente sustentáveis.

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