Ferrari admite que não esperava tanta rejeição à Luce, seu primeiro elétrico
Diretor de marketing diz que a Ferrari previa reação polarizada ao Luce, sedã elétrico de US$ 640 mil, mas não o tamanho da rejeição
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 10/07/2026 às 16h00
Atualizado em 10/07/2026 às 17h34
A Ferrari parece ter subestimado a paixão e o conservadorismo de seus entusiastas. A Luce, primeiro sedã e primeiro carro 100% elétrico da marca italiana, foi lançada sob uma chuva de críticas que pegou a fabricante de surpresa. Com preço de US$ 640 mil (cerca de R$ 3,3 milhões), o modelo rompe com quase todos os pilares que definem um esportivo de Maranello: falta a alma dos motores a combustão e a estética agressiva típica dos italianos, que deu lugar a um visual controverso, mais próximo de um gadget do que de um carro de corrida.

Não é coincidência. O desenho do Luce ficou a cargo da LoveFrom, estúdio dos designers Jony Ive — ex-chefe de design da Apple — e Marc Newson, em parceria com o diretor de design da Ferrari, Flavio Manzoni. Daí a comparação recorrente, entre os críticos, com um produto da Apple. Emanuele Carando, diretor global de marketing da Ferrari, admitiu ao site Edmunds que a empresa esperava uma reação polarizada, mas não da magnitude que veio. Até o ex-presidente da marca, Luca di Montezemolo, chegou a sugerir de forma ácida que a Ferrari deveria remover o “Cavallino Rampante” do capô do novo sedã.

Apesar da rejeição, a estratégia foi intencional. Segundo Carando, a marca decidiu não apenas eletrificar a plataforma de um modelo existente, como o Purosangue, e sim aproveitar as vantagens da arquitetura elétrica, que permite um capô mais curto e maior espaço interno. O executivo tenta acalmar os ânimos traçando um paralelo com o lançamento do próprio Purosangue, também alvo de duras críticas e de acusações de “trair a história da marca”, mas hoje um dos modelos mais aclamados da fabricante.

Sob a carroceria assinada pela LoveFrom, a Luce entrega desempenho de Ferrari: são cerca de 1.050 cv distribuídos por quatro motores elétricos — um em cada roda — e uma bateria de 122 kWh. Curiosamente, o interior, repleto de controles físicos em alumínio e vidro, na contramão das grandes telas dos elétricos rivais, acabou sendo elogiado até por quem critica o exterior.
Revelada em Roma em maio, a Luce é também o primeiro Ferrari de cinco lugares e o modelo mais caro do catálogo, acima do Purosangue. Carando aposta que a rejeição vai ceder com o tempo, como ocorreu com outros modelos polêmicos do passado. Para ele, no marketing não existe publicidade ruim: toda a repercussão negativa, diz o executivo, acaba funcionando como propaganda gratuita.
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