Sem os "créditos fora de ciclo", montadoras perdem motivo financeiro para impor o sistema polêmico como configuração padrão nos veículos dos EUA
A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) anunciou a revogação de uma legislação técnica que deve sinalizar o fim da obrigatoriedade do polêmico sistema start-stop em veículos novos. A medida integra um pacote amplo de desregulamentação promovido por Donald Trump, focado em eliminar padrões rígidos de emissões e, especificamente, os chamados “créditos fora de ciclo”.
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O start-stop foi projetado para economizar combustível ao desligar o motor automaticamente em paradas totais, religando-o assim que o pé sai do freio. Estudos apontam que a tecnologia pode melhorar a eficiência entre 3% e 10% no trânsito urbano pesado. Embora nunca tenha sido estritamente obrigatório por lei, as fabricantes adotaram o recurso em massa para obter créditos ambientais — bônus que ajudavam a atingir as metas governamentais de consumo médio da frota. Isso configurou o sistema como “ligado por padrão” em praticamente todos os modelos a combustão modernos.
No entanto, a eficiência cobrou seu preço no conforto: o sistema é frequentemente citado como fonte de irritação devido à vibração na religada do motor e, em muitos casos, à interrupção do ar-condicionado. Além do desconforto, há uma preocupação técnica persistente entre proprietários e mecânicos sobre o desgaste prematuro de componentes vitais, como o motor de arranque e a bateria, submetidos a um ciclo de trabalho exaustivo.
Atualmente, para desativar a função, o condutor é obrigado a pressionar um botão a cada nova partida — uma inconveniência que fomentou um mercado paralelo de dispositivos para anular a tecnologia permanentemente.
Com a revogação dos padrões da era Obama e a eliminação dos créditos por tecnologias “fora de ciclo”, o incentivo financeiro para as montadoras empurrarem o start-stop desaparece. É improvável que a tecnologia suma das linhas de montagem imediatamente devido aos ciclos de produção, mas os fabricantes agora têm liberdade para alterar a configuração de fábrica. Dessa forma, a tendência é que o sistema venha desligado por padrão ou se torne opcional, devolvendo ao motorista a soberania sobre como operar seu próprio veículo.
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