Estudo com 709 mil unidades aponta vantagem do pneu nacional sobre o importado
Taxa de rejeição na primeira recapagem chega a 21,6% entre importados, contra 16,9% dos nacionais; para frotistas, diferença pode superar R$ 123 mil/ano
Publicado em 01/07/2026 às 14h00
Um levantamento inédito da Junsoft, empresa de tecnologia para o setor de recapagem, aponta que os pneus de marcas nacionais têm, em média, durabilidade 16% maior no processo de reforma do que os importados. O estudo analisou 709 mil pneus de caminhões e ônibus, de cerca de 400 marcas, processados no sistema da companhia entre janeiro de 2025 e maio de 2026 — uma amostra que corresponde a aproximadamente 15% desse universo no país.
Na prática, um pneu nacional passa por 1,94 vida útil, em média, ou quase duas reformas ao longo de sua trajetória. Já o importado fica em 1,78. A diferença mais marcante aparece na primeira avaliação da carcaça na reformadora: a taxa de rejeição chega a 21,6% entre os importados, contra 16,9% dos nacionais. Ou seja, cerca de um a cada cinco pneus importados é descartado logo na primeira tentativa de recuperação.
Por que o dado importa agora
Os números ganham peso em um mercado em plena transformação. Segundo a Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), o produto nacional respondia por 73% das vendas domésticas em 2020 e caiu para 41% em 2025. A entrada de dezenas de marcas ampliou a variedade, mas também trouxe padrões de qualidade muito distintos — de itens de alta performance a carcaças com baixo potencial de reaproveitamento.
De acordo com a Junsoft, existem importados excelentes, capazes de suportar mais de três recapagens. O problema apontado pela empresa está na compra guiada apenas pelo preço de prateleira, sem considerar o custo total de uso. Quando a carcaça não resiste à reforma, o frotista precisa repor o pneu com mais frequência, o que corrói a economia inicial.
Impacto no bolso e no meio ambiente
A conta pesa para quem roda muito: em uma frota hipotética de 100 caminhões, com 18 pneus por veículo, considerando pneus novos a R$ 2 mil e uma primeira rodagem de 80 mil km, a diferença na taxa de rejeição pode representar economia superior a R$ 123 mil por ano. Numa operação de mil caminhões, seriam 160 pneus a menos descartados.
O Brasil tem a segunda maior indústria de recapagem do mundo, que movimenta R$ 7 bilhões por ano e ajuda a reduzir o descarte de borracha e aço. A Junsoft estima que um caminhão que só recapa uma vez pode gerar mais de 6 toneladas de sucata em 20 anos — o dobro de quem aproveita carcaças de maior durabilidade.
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