Estudo revela que telas nos carros não só causam distração como estão cada dia piores

Mesmo com telas maiores e mais rápidas, o motorista gasta cerca de 2 segundos a mais por tarefa nos carros de 2026 do que em modelos mais antigos

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Evolução das centrais multimídias vem piorando a ergonomia das telas ao invés de melhorá-la (Fotos: Vi Bilägare | Niklas Carle)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 14/07/2026 às 09h00

A promessa de que a evolução tecnológica tornaria a interface dos carros mais intuitiva esbarrou em um obstáculo: a própria usabilidade. Em um teste conduzido pela revista sueca Vi Bilägare, os sistemas de multimídia dos modelos mais recentes se mostraram mais distrativos — e, portanto, mais perigosos — do que os de quatro anos atrás. Na média, o motorista de hoje passa mais tempo com os olhos longe da via para executar uma tarefa simples do que passava em 2022.

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A publicação reuniu dez carros novos, além de um Volvo V60 2016 usado como referência, e pediu que os condutores realizassem tarefas rotineiras — ajustar o ar-condicionado, mudar a estação de rádio ou alterar o brilho da tela — enquanto dirigiam em velocidade de estrada em um aeródromo fechado. Tempo e distância foram medidos e comparados com um teste de 2022, feito pela mesma metodologia.

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Tempo exigido para funções triviais nas telas cresceu nos últimos anos

Os resultados surpreenderam. A distância média percorrida enquanto o motorista dividia a atenção entre a tela e a estrada subiu de 756 metros, em 2022, para 813 metros agora. A diferença equivale a cerca de dois segundos a mais para concluir cada ação nos sistemas de 2026. Para dimensionar o risco: a 100 km/h, um carro percorre quase 28 metros por segundo — vários deles rodados, na prática, “às cegas”.

O mais revelador é que o problema persiste apesar de telas maiores, mais bem posicionadas e com processadores mais rápidos. O Mercedes-Benz CLA, equipado com o sistema operacional mais recente da marca, exigiu 35 segundos de interação para cumprir as tarefas — 15 segundos a mais que o GLB avaliado em 2022 — e ainda levou 19 segundos para responder aos comandos após ser desbloqueado. Ele percorreu, em média, 1.116 metros, a segunda pior marca do teste, atrás apenas do Mazda CX-60, com 1.137 metros.

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Em alguns modelos, o próprio volante tampa a leitura de informações importantes

No outro extremo, o melhor desempenho ficou com o Volvo XC60, com média de 485 metros por tarefa. Ainda assim, o resultado foi 68 metros pior que o do Volvo C40 Recharge testado em 2022. Houve movimentos na contramão: o Tesla Model Y superou o Model 3 avaliado quatro anos antes, sinal de que nem todo avanço de software resultou em piora.

Os números também desafiam a ideia, comum entre entusiastas, de que os botões físicos sempre vencem. No levantamento, o XC60 2026 — dominado por telas — saiu-se melhor que o próprio V60 2016, mais recheado de comandos analógicos, e um Volvo V70 2005 testado em 2022 também levou a melhor sobre a perua da década passada. O resultado sugere que o problema está menos na tela em si e mais em interfaces que empilham funções em menus e prendem os olhos do motorista longe da via por tempo demais.

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Uso de luvas, por exemplo, também causou dificuldades na operação das telas
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