Financiamento de veículos no Brasil tem melhor primeiro semestre desde 2008
Com 3,78 milhões de contratos, o setor cresceu em todas as regiões, mas ainda opera 10,6% abaixo do pico registrado em 2008
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 30/07/2026 às 10h30
O mercado brasileiro de financiamento de veículos fechou o primeiro semestre de 2026 com 3,78 milhões de unidades financiadas, alta de 10,9% sobre o mesmo intervalo do ano passado e o melhor resultado para o período desde 2008. Os dados são da Trillia, linha de negócios da B3 dedicada a dados, analytics e inteligência artificial.
O número, porém, ainda fica 10,6% abaixo do patamar de 2008, quando o setor acumulou 4,23 milhões de operações no primeiro semestre — marca que segue como o teto histórico da série.
O levantamento reúne automóveis, comerciais leves, motocicletas, caminhões e ônibus, novos e usados. Nesse universo, os usados responderam por 2,38 milhões de contratos, ou 63% do total, contra 1,39 milhão dos zero-quilômetro.
A leitura do semestre, no entanto, é menos direta do que a fatia sugere. Embora concentrem quase dois terços do volume, os usados cresceram 9,2% no período — abaixo dos 13,9% registrados pelos veículos novos, que saíram de 1,22 milhão para 1,39 milhão de financiamentos. Ou seja: os usados sustentam o tamanho do mercado, mas foram os novos que aceleraram mais rápido.
O avanço nas concessões alcançou todas as regiões do país. O Centro-Oeste liderou a expansão, com alta de 13,1%, seguido pelo Nordeste (12,6%), Sul (11,2%) e Sudeste (10,6%). O Norte foi o único a ficar em um dígito, com 4,4% — menos de um terço do ritmo do Centro-Oeste.
Em junho, o zero-quilômetro perdeu tração
O recorte mensal inverte parte dessa tendência. Em junho, os financiamentos de automóveis e comerciais leves somaram 434 mil unidades, crescimento de 11,9% na comparação anual, mas queda de 2,6% em relação a maio. O impulso veio inteiramente dos usados, que chegaram a 323 mil contratos, alta de 12%. Os novos recuaram 3,3%, com 112 mil operações.
Os prazos também se alongaram. A média dos contratos passou de 46,3 para 47,2 meses, com maior concentração em veículos de até três anos e na faixa de quatro a oito anos de fabricação — perfil que reforça o peso do usado na composição do crédito.
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