General Motors passa a fabricar componentes para mísseis Patriot nos EUA

Montadora entregou em agosto componentes para os interceptadores PAC-3 MSE em três semanas, prazo que costuma levar meses no setor de defesa

MISSEIS GM 1
Experiência da GM em produção de larga escala casou bem às necessidades de mísseis pelos EUA (Foto: Getty Images)
Por João Paulo Profeta
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 22/09/2026 às 10h00

A General Motors passou a fabricar peças de míssil. A montadora entregou em agosto o primeiro lote de componentes de carcaça para os interceptadores PAC-3 MSE, os mísseis terra-ar mais avançados do sistema Patriot, produzidos pela Lockheed Martin. A informação foi publicada pelo Wall Street Journal.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Incluir como fonte preferida no Google
+
Seguir AutoPapo no Google Discover

O que chamou a atenção da indústria bélica foi o prazo. Componentes semelhantes costumam levar meses para ficar prontos na cadeia tradicional de fornecedores. A GM concluiu a encomenda em três semanas.

A encomenda nasce de uma pressão específica: o Pentágono cobra da Lockheed Martin um aumento acentuado na produção de munição de alta tecnologia, depois que os estoques americanos foram consumidos pelo apoio à Ucrânia, exposta a bombardeios russos, e pela guerra contra o Irã. Em janeiro, o governo determinou que a fabricante mais do que triplicasse a produção do Patriot, até superar 2.000 mísseis por ano no fim de 2030.

O gargalo é industrial. O interceptador mais sofisticado da linha custa mais de US$ 4 milhões por unidade (cerca de R$ 20,5 milhões) e leva mais de dois anos até chegar ao cliente militar, porque boa parte das peças críticas ainda é feita à mão e vem de fornecedores exclusivos, como a Boeing. É nesse ponto que a experiência das montadoras em produção de alto volume se tornou atraente para o setor de defesa, que passou o último ano tentando montar uma nova base de fornecedores para o Patriot.

Divisão de defesa em expansão

O movimento se encaixa na estratégia da GM de ampliar sua área de defesa, descrita pelo Wall Street Journal como pequena, porém em crescimento. A presidente-executiva, Mary Barra, projetou receita de US$ 700 milhões (aproximadamente R$ 3,6 bilhões) nesse segmento neste ano, com margens de dois dígitos. A companhia já fornece veículos de transporte de tropas às Forças Armadas americanas, mas a produção de componentes de míssil representa um passo adiante nessa relação.

Nem a GM nem a Lockheed Martin informaram o tamanho do pedido nem se a parceria terá continuidade. Também não há indicação de que outras plantas da montadora, fora dos Estados Unidos, sejam envolvidas no fornecimento.

A GM não é a única montadora americana a se aproximar da indústria bélica. Segundo o jornal, o Pentágono articula acordos entre fabricantes de armamento e empresas do setor automotivo, entre elas a Ford, para recompor arsenais considerados estratégicos.

Newsletter
Receba diretamente em seu e-mail notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.