GM desdenhou dos híbridos por duas décadas e agora corre atrás deles
Montadora confirma híbridos plug-in nos EUA após registrar R$ 56,9 bilhões em perdas com elétricos e ver vendas caírem 5,5% no terceiro trimestre
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 07/10/2026 às 12h00
Atualizado em 07/10/2026 às 12h16
A General Motors revisou uma decisão histórica e apostará nos carros híbridos, que antes negou.
A confirmação veio de Mike Anderson, vice-presidente de Engenharia de Propulsão da montadora, em entrevista à CNBC nesta segunda (5). Segundo ele, a ideia é atender ao que os clientes pedem o mais rápido possível.
É uma virada para a maior montadora do país, que passou duas décadas desconfiando da tecnologia.
Em 2004, quando híbridos como o Toyota Prius começavam a exibir bons resultados, o então chefe de produtos da GM, Bob Lutz, chamou a tecnologia de “curiosidade interessante” e duvidou que fizessem sentido com a gasolina barata.
Mesmo assim, a GM chegou a vender o Chevrolet Volt, eletrificado, mas abandonou os híbridos em 2019 para apostar nos 100% elétricos.
Em 2021, a marca prometeu aposentar o motor a combustão até 2035. Tudo mudou, entretanto, quando os elétricos não cresceram tanto nos EUA, ao passo que os híbridos estão ganhando força.
Quanto custou a aposta
A conta veio quando a procura por carros elétricos esfriou, após o governo Trump acabar com o incentivo federal à compra, em setembro de 2025. Desde então, a GM registrou cerca de R$ 56,9 bilhões (US$ 10,9 bilhões) em perdas para desfazer parte dos planos.
Quem ainda quer um elétrico tem preferido o usado, cujas vendas subiram 14,7% em agosto. Os híbridos, por sua vez, bateram recorde de 16,3% das vendas de carros novos no segundo trimestre, quase o triplo dos elétricos. E combinam mais com o gosto americano por carros grandes, nos quais baterias pesam e custam caro: a Ford cancelou a picape F-150 Lightning elétrica, mas vendeu 81 mil Mavericks híbridas em 2025.
Enquanto isso, quem nunca largou os híbridos lucra. Com a gasolina a cerca de R$ 6 por litro (US$ 4,37 o galão), alta de R$ 1,71 em um ano, os americanos passaram a buscar carros econômicos. A GM, cujo único híbrido à venda no país é um Corvette, emplacou 670.974 veículos, queda de 5,5%, e viu a vantagem sobre a Toyota encolher para 37.751 unidades no período.
Plug-ins só a partir de 2027
O executivo da GM não deu prazo nem citou modelos. A consultoria AutoForecast Solutions prevê os primeiros híbridos plug-in, que podem ser recarregados na tomada, entre o fim de 2027 e o início de 2028, em modelos que vão do SUV Equinox à picape Silverado, com cerca de 113 km de autonomia só no modo elétrico.
A tecnologia já existe: na China, a GM vende um Equinox plug-in com 370 cv e até 155 km de autonomia elétrica, medida no ciclo chinês, mais otimista que o americano.
A promessa nos EUA, porém, não é nova: em janeiro de 2024, a CEO Mary Barra já havia anunciado plug-ins para a América do Norte, que não chegaram às lojas.
No Brasil, a GM prepara os primeiros híbridos flex da marca no mundo: versões do Tracker e da Montana com sistema híbrido leve de 48V, feitas em São Caetano do Sul (SP) e com estreia prevista até o início de 2027.
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