GM negocia com governo federal para importar veículos maiores para o Brasil

General Motors quer que o Brasil aceite normas técnicas dos EUA e estima importar 3.000 veículos por ano caso mudança ocorra

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Cadillac Escalade é um dos modelos barrados pela legislação atual no Brasil (Foto: Cadillac | Divulgação)
Por Eduardo Passos
Publicado em 17/09/2026 às 13h00

A General Motors pediu ao governo brasileiro que o país passe a aceitar o padrão técnico norte-americano de homologação veicular. A mudança abriria caminho para a importação de picapes e SUVs grandes fabricados nos Estados Unidos, hoje barrados pela legislação nacional. A informação foi publicada pelo site GM Authority.

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Segundo Fábio Rua, vice-presidente de Políticas Públicas, Comunicação e ESG da GM América do Sul, a empresa já apresentou o pedido a reguladores em Brasília e cita Chile e Uruguai como exemplos de países que já reconhecem as normas dos EUA. “Se o Brasil passa a aceitar um padrão e dar essa horizontalidade na questão regulatória, você tem condições de trazer carros americanos pra cá”, disse o executivo ao Estadão. A companhia estima importar cerca de 3.000 veículos por ano caso o pleito avance, sobretudo picapes.

Onde os dois padrões divergem

No Brasil, um modelo só recebe o Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito (CAT), emitido sob regras do Contran, depois de comprovar desempenho em ensaios de laboratórios acreditados pelo Inmetro. Esse conjunto de exigências foi construído com base nos regulamentos da ONU (UNECE), os mesmos adotados pela Europa. Já os Estados Unidos seguem as normas FMVSS, em que a própria fabricante se autocertifica perante a NHTSA, a agência de trânsito do país.

A divergência aparece em capítulos específicos: os testes de impacto usam protocolos diferentes, como no que o europeu recorre a barreira deformável com sobreposição parcial, enquanto o americano privilegia a colisão frontal plena, inclusive com bonecos sem cinto. Na iluminação, carros dos EUA costumam trazer setas traseiras vermelhas, combinadas à luz de freio, enquanto a norma brasileira exige a cor âmbar.

E, em emissões, o Proconve L7 e L8 se espelha no Euro 6, não nos limites da EPA americana — sem contar a gasolina brasileira, com 27% de etanol, que exige calibração específica. A aproximação já existe em parte: a Resolução 970/2022 do Contran aceita ensaios feitos sob a FMVSS como alternativa no capítulo de iluminação.

Os modelos que ficaram pelo caminho

O caso mais citado é o do Cadillac Escalade: o SUV de até 5,76 m de comprimento foi certificado apenas segundo a FMVSS e ficou fora do relançamento da marca no Brasil, feito com os elétricos Optiq, Lyriq e Vistiq, homologados individualmente. Rua também aponta a legislação como entrave para trazer de volta a GMC, com as picapes Sierra 2500 e 3500 a diesel.

No passado, Camaro e Bolt EV chegaram por atenderem às normas de origem europeia, e a atual Silverado é importada do México em configuração exclusiva para o mercado brasileiro.

O pedido se soma a outro movimento da GM reportado pela imprensa global: levar a Buick ao Brasil a partir da China. Pelo novo plano da SAIC-GM, cujo contrato foi renovado até 2047, a joint venture passa a exportar veículos eletrificados a mercados selecionados, entre eles a América do Sul.

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