Guerra no Irã impulsiona BYD e força recuo de tarifas contra carros chineses

Com barril acima de US$ 100, Canadá e Europa reduzem restrições a veículos da China para garantir abastecimento e conter crise energética

Concessionária BYD
Instabilidade do petróleo vem favorecendo carros elétrico — e, de quebra, a BYD e outros chineses (Foto: BYD | Divulgação)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 10/04/2026 às 21h00

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio e a consequente disparada nos preços dos combustíveis devem impulsionar a expansão global da BYD em 2026. Com o barril de petróleo superando a marca de US$ 100 em abril — reflexo direto do conflito envolvendo o Irã e o bloqueio no Estreito de Ormuz —, o presidente da montadora chinesa, Wang Chuanfu, avaliou à Reuters que o cenário levou a eletrificação de uma escolha ecológica para uma estratégia de sobrevivência econômica.

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O choque energético forçou um recuo em políticas protecionistas no Ocidente: o Canadá, que anteriormente aplicava uma sobretaxa de 100% aos elétricos chineses, reduziu o tributo para 6,1% sob um regime de cotas fixas. Paralelamente, a União Europeia, que vinha endurecendo o cerco comercial desde 2024, abriu negociações para flexibilizar tarifas em troca de preços mínimos de importação, priorizando o abastecimento de veículos que independem de derivados de petróleo.

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Expansão internacional e recuo doméstico

Para a BYD, a ofensiva internacional é uma resposta à saturação do mercado doméstico. Após registrar queda de 19% no lucro líquido em 2025 e retração de 30% nas vendas internas no início de 2026, a gigante chinesa estabeleceu a meta de exportar 1,5 milhão de veículos neste ano. A demanda já reage: no Reino Unido, os emplacamentos de modelos a bateria bateram recorde em março com 86 mil unidades, enquanto na Austrália as consultas por elétricos subiram 50% em poucos dias de conflito.

O movimento é acompanhado por outras fabricantes da China. No primeiro trimestre, a Geely registrou crescimento de 150%, e a Chery somou 250 mil veículos vendidos apenas nos dois primeiros meses do ano. Segundo Chuanfu, a crise energética acelerou transformações que levariam anos para se consolidar no mercado tradicional. No atual cenário, o veículo elétrico surge como a principal alternativa para mitigar os impactos da volatilidade externa nos custos de transporte global.

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