Guerra no Oriente Médio já mexe com quem quer trocar de carro no Brasil, aponta pesquisa
Levantamento do Data OLX Autos com 541 compradores mostra que o medo da alta dos combustíveis muda prioridades, mas não vence o motor a combustão
Publicado em 03/07/2026 às 12h00
Seis em cada dez brasileiros que pretendem comprar um carro afirmam que as incertezas econômicas ligadas ao conflito entre Irã, Israel e Estados Unidos, incluindo o risco de alta nos combustíveis, influenciam sua decisão de compra. O dado é de uma pesquisa do Data OLX Autos, braço de inteligência de dados do Grupo OLX, feita em abril com 541 compradores em potencial que usam o portal.
Ao todo, 62% dos entrevistados dizem que o cenário geopolítico e o preço dos combustíveis pesam na hora de decidir. A influência é maior entre mulheres (74%), consumidores da classe C (69%) e interessados em seminovos (75%). O levantamento buscou medir como a instabilidade externa altera o comportamento de compra de veículos no país.
O receio tem origem concreta. A escalada de tensões no Oriente Médio levou ao fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de petróleo do planeta, e encareceu o barril do óleo e, na ponta, o litro nas bombas brasileiras. É esse temor que aparece traduzido nas respostas.
Entre os 271 respondentes que declararam sentir o efeito do conflito, cerca de 70% passaram a priorizar carros de menor consumo. Para quem ainda não tem automóvel, o impacto aparece de outra forma: 37% estão reavaliando o orçamento disponível, 30% passaram a considerar usados no lugar de zero-quilômetro e 9% cogitam agora um híbrido ou elétrico.
Os números expõem um paradoxo: mesmo com o receio em torno de abastecimento e preços, 65% dos respondentes afirmam não considerar a compra de um veículo eletrificado, e quase 60% mantêm preferência pelos modelos a combustão. A resistência aos eletrificados segue majoritária mesmo entre os que se dizem diretamente afetados pelas incertezas.
Quando há abertura para mudar, ela costuma ser gradual. Dos 35% que consideram migrar para um carro eletrificado, a maioria mira os híbridos (15%), e não os elétricos puros (8%) — tecnologias que ainda mantêm o motor a combustão como suporte.
“Os dados confirmam que o consumidor brasileiro está atento ao cenário global e ajusta seu comportamento dentro do limite que ele considera seguro e conhecido. A preferência pelos combustíveis tradicionais reflete menos uma negação das alternativas e mais uma questão de acesso, confiança e infraestrutura”, afirma Flávio Passos, vice-presidente de Autos do Grupo OLX.
Para a OLX, ainda que a crise leve os consumidores a buscar alternativas mais econômicas, ela não é suficiente para provocar uma virada profunda nos padrões de consumo. O temor com os combustíveis convive, na prática, com a manutenção da rotina de compra em torno dos carros a gasolina, etanol ou diesel.
A pesquisa foi realizada de forma quantitativa online, com questionário de autopreenchimento, entre os dias 1º e 30 de abril de 2026. A amostra reúne 541 entrevistas, com margem de erro máxima de 4,2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
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