Hyundai cria luz ultravioleta que elimina 99,9% das bactérias da pneumonia no carro
Batizado de Plasma Care UVC, o sistema usa luz far-ultravioleta no teto e eliminou 99,9% das bactérias da pneumonia em 30 segundos nos testes
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 29/06/2026 às 08h00
A Hyundai Motor Company e a Kia apresentaram o Plasma Care UVC, sistema que os grupos coreanos descrevem como a primeira tecnologia de higienização do mundo capaz de desinfetar o interior do veículo com os passageiros a bordo. Anunciada em 24 de junho, a solução instala lâmpadas de luz far-ultravioleta C (far-UVC) no forro do teto para sanitizar o ar e as superfícies da cabine. Por ora, trata-se de um projeto em desenvolvimento, sem data para chegar a modelos de produção.
A aposta amplia uma frente que a montadora já explorava: modelos como Santa Fe e Palisade trazem compartimentos com luz UV-C para desinfetar objetos pessoais, como celulares. A novidade agora é higienizar todo o habitáculo — algo até aqui restrito a espaços fechados, justamente porque a UV-C convencional, na faixa de 255 a 280 nanômetros, pode causar danos à pele e aos olhos em caso de exposição direta.
Para contornar o risco, a far-UVC opera entre 200 e 230 nanômetros. Segundo as fabricantes, esse comprimento de onda entrega energia suficiente para destruir o DNA de bactérias e vírus, mas tem penetração limitada à camada externa de queratina da pele humana, sem atingir tecidos mais profundos — o que, em tese, permite o uso seguro com gente dentro do carro.

Os testes laboratoriais animam, ainda que conduzidos em condições controladas. Em pesquisa com a Universidade Nacional de Seul, o sistema eliminou 99,9% das bactérias causadoras de pneumonia em 30 segundos, chegando a 100% em um minuto. O Korea Testing Laboratory, por sua vez, registrou redução de 96,8% dos vírus presentes no ar em 30 minutos. Já a eliminação de 99,9% da bactéria E. coli levou 40 minutos, em avaliação feita com o instituto Katech em um Kia PV5. Os engenheiros apontam ainda a degradação de compostos que provocam mau cheiro, deixando a cabine com aspecto de frescor.
Para viabilizar a aplicação, a Hyundai precisou adaptar ao automóvel uma tecnologia hospitalar: o conjunto usa uma lâmpada de plasma compacta, com filtro óptico que restringe a emissão à faixa desejada, e foi reforçado para suportar vibração constante, variações extremas de temperatura e consumo eficiente de energia.

A expectativa é que o sistema estreie primeiro nos chamados veículos de propósito específico (PBVs, na sigla em inglês), como o Kia PV5, além de transporte escolar, vans de logística de alimentos, táxis e robotáxis. Nem a Hyundai nem a Kia confirmaram em quais modelos de série a tecnologia será oferecida, e a própria empresa ressalva que a comercialização depende de novas etapas de validação, certificação e aprovação regulatória.
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