Iveco e Toyota desenvolvem caminhão a hidrogênio com mais de 900 km de autonomia

Caminhão terá sistema de célula a combustível de terceira geração da Toyota, com 408 cv, e testes em estrada no primeiro semestre de 2027

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Caminhão a hidrogênio da Iveco terá metade da bateria e mais autonomia mesmo assim (Foto: Iveco | Divulgação)
Por Júlia Haddad
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 15/09/2026 às 17h00

A Iveco e a Toyota vão desenvolver juntas um caminhão pesado movido a hidrogênio com autonomia superior a 900 km e que, ao mesmo tempo, usará metade da capacidade de bateria da geração anterior. O IVECO S-eWay Fuel Cell nasce dentro do Empower, projeto financiado pelo programa Horizonte Europa, da União Europeia, e deve rodar em estradas no primeiro semestre de 2027.

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A Toyota entra com o sistema de célula a combustível — o de terceira geração apresentado pela marca japonesa em fevereiro de 2025, com potência total de 408 cv. A Iveco responde pelo desenvolvimento do veículo, pela integração dos componentes e pela validação do conjunto, apoiada na experiência do H2Haul, programa que já colocou caminhões a hidrogênio em rotas europeias.

Menos bateria, mais autonomia

O avanço mais curioso do projeto não está na potência, e sim na conta de energia:uUma estratégia de gerenciamento mais eficiente permite que o caminhão carregue apenas metade da bateria usada na primeira geração de FCEVs da Iveco. Isso reduz o peso do veículo e simplifica a arquitetura, algo decisivo no transporte de carga, em que cada quilo economizado na estrutura é um quilo a mais disponível para o frete.

A durabilidade projetada é de mais de 25 mil horas de operação, em número que a indústria persegue para equiparar a célula a combustível ao motor a diesel. É justamente essa a promessa da terceira geração da tecnologia da Toyota, que, segundo a fabricante, reúne vida útil comparável à de um diesel, eficiência cerca de 20% superior à da geração anterior e um pacote mais compacto.

A empresa também defende a pressão de 700 bar como padrão de abastecimento. Na prática, os 900 km anunciados equivalem a sair de São Paulo, chegar a Curitiba e voltar sem parar para reabastecer.

O que isso tem a ver com o Brasil

Não há previsão de o S-eWay Fuel Cell chegar ao mercado brasileiro, mas a Iveco mantém em Sete Lagoas (MG), onde fabrica o S-Way, seu único centro de desenvolvimento de produto fora da Europa. A mesma lógica multienergética citada no projeto europeu já aparece por aqui no S-Way NG, movido a gás natural e biometano, e na eDaily elétrica.

O hidrogênio, entretanto, também deixou de ser hipótese distante no país. Em julho, a GWM abasteceu um caminhão a célula a combustível com hidrogênio verde produzido no Senai Cimatec, em Camaçari (BA). O gargalo, aqui como na Europa, segue sendo a rede de abastecimento.

As atividades de validação do S-eWay Fuel Cell começam no quarto trimestre deste ano, antes dos testes em estrada marcados para o primeiro semestre de 2027. Nenhuma das duas empresas divulgou preço ou cronograma de produção em série. Em paralelo, a Iveco testa desde junho, com a operadora Gruber Logistics, um caminhão elétrico a bateria derivado do S-eWay Rigid, também dentro do Empower.

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