Jogos do Brasil na Copa esvaziam ruas das capitais e derrubam consumo de energia no país

Comportamento se repete a cada jogo da Seleção: pico de deslocamento antes da bola rolar, ruas vazias durante a partida e rede elétrica em 'montanha-russa'

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Trânsito em São Paulo disparou logo antes do jogo, despencando quando a bola rolou (Foto: Fernando Frazão | Agência Brasil)
Por Eduardo Passos
Publicado em 01/07/2026 às 16h00

Os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 estão alterando profundamente a rotina das cidades do país, e os dados de mobilidade mostram isso com clareza. Na segunda-feira (29), dia da vitória do Brasil sobre o Japão por 2 a 1, o aplicativo Moovit registrou em São Paulo um pico de uso do transporte público 61% acima da média por volta das 13h, uma hora antes do apito inicial. É o reflexo de quem antecipou a volta para casa. Já durante a partida, o movimento despencou: às 16h, ficou 36% abaixo do usual e, mesmo depois do jogo, não voltou à média dos outros dias úteis.

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O padrão se repetiu nas ruas. Segundo a CET, a capital amanheceu com apenas 122 km de lentidão às 8h, contra 421 km na segunda anterior — uma queda de 71%. Perto do meio-dia, com a corrida para casa e para os bares, o congestionamento saltou para 943 km às 13h, o maior do mês naquele horário. Já durante a partida, a lentidão caiu para irrisórios 18 km às 16h, em patamar típico de feriados. No confronto anterior, contra a Escócia, quando o rodízio foi suspenso à tarde, São Paulo havia batido 1.690 km às 18h — o pior índice de 2026.

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O efeito não se limita à capital paulista. Levantamentos de tráfego apontam Campo Grande, Manaus, Governador Valadares e Boa Vista entre as cidades mais afetadas pela mudança de comportamento nos dias de jogo. Em Belo Horizonte, a prefeitura chegou a montar operação especial de trânsito e ônibus para o duelo com os japoneses.

A energia também para quando a bola rola

A mesma dança aparece no consumo de eletricidade. De acordo com o ONS, a carga do Sistema Interligado Nacional caiu 21% durante Brasil x Japão, atingindo o mínimo de 66.515 MW às 14h47. Só entre 13h e o início da partida foram 4,5 GW a menos — o equivalente ao consumo médio do Rio Grande do Sul.

Como o jogo começou às 14h, em pleno pico de geração solar, o operador precisou cortar cerca de 21,8 GW de fontes renováveis para preservar a estabilidade da rede, volume equivalente a uma vez e meia a usina de Itaipu. O comportamento seguiu o roteiro das partidas anteriores: quedas de 14,4% contra a Escócia, 9,6% diante do Haiti e 8,6% na estreia com o Marrocos, sempre com forte repique de carga no intervalo, quando a torcida corre à geladeira.

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