Carros grandes demais para as vagas e "pontos cegos" que escondem crianças motivam pedidos por regulação urgente das picapes na Europa
A paisagem urbana do Reino Unido passa por uma transformação controversa: a frota de picapes de grande porte, ao estilo norte-americano, praticamente dobrou na última década. O fenômeno desencadeou um intenso debate sobre segurança viária e ocupação do espaço público. Dados compilados pela organização Clean Cities indicam que o licenciamento desses veículos saltou de 308 mil, em 2014, para cerca de 590 mil em 2024 — um crescimento de 92%.
O avanço desses modelos, muitas vezes incompatíveis com o traçado medieval e as vias estreitas das cidades britânicas, preocupa urbanistas e autoridades locais. A dimensão dos veículos excede frequentemente o padrão das vagas de estacionamento locais, gerando gargalos na mobilidade.
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Para Oliver Lord, diretor da Clean Cities, a tendência reflete uma inversão de prioridades. “Essa explosão de picapes prioriza o estilo de vida em detrimento da praticidade, resultando em caos no estacionamento e estradas perigosas”, afirma. O ponto crítico reside na dianteira elevada desses utilitários: o design cria “pontos cegos” frontais significativos, dificultando a visão de crianças e pedestres vulneráveis.
O aumento da frota não ocorre por acaso. Ele é impulsionado por uma combinação de incentivos fiscais para veículos classificados como “comerciais” e brechas na regulação de importação. O mecanismo conhecido como Individual Vehicle Approval (IVA) permite que muitos desses modelos entrem no país sem passar pelos rigorosos testes de segurança exigidos pela União Europeia e pelo Reino Unido para veículos de passageiros comuns.
Diante da circulação de veículos projetados para as largas rodovias da América do Norte em centros históricos europeus, cresce a pressão sobre o governo. Grupos de defesa do meio ambiente e segurança viária exigem que os líderes municipais adotem medidas de contenção.
Entre as propostas em discussão estão a implementação de taxas de estacionamento progressivas, baseadas nas dimensões e peso do veículo, além do fechamento das brechas legais que facilitam a importação sem as devidas adaptações de segurança. O objetivo é desincentivar o uso desses utilitários gigantes em áreas densamente povoadas, mitigando riscos à segurança pública e à infraestrutura.
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