Montadoras pressionam Congresso dos EUA a proibir carros chineses de vez
Entidade que reúne GM, Ford, Toyota e Volkswagen teme espionagem por carros conectados e quer lei aprovada antes de dezembro
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 04/11/2026 às 11h00
As principais montadoras que atuam nos Estados Unidos aumentaram a pressão para que o Congresso americano proíba de vez os carros chineses no país.
A Alliance for Automotive Innovation — entidade que reúne General Motors, Ford, Stellantis, Toyota, Volkswagen e outras fabricantes — pediu nesta segunda-feira (2) que a lei seja aprovada antes do fim da atual sessão legislativa do país, em dezembro.
Medo de espionagem
O setor diz que quer proteger os bilhões investidos em fábricas no país e a segurança nacional. Segundo a entidade, a tecnologia dos carros conectados, com internet, câmeras e sensores, pode ser usada pela China para coletar dados de motoristas e das estradas americanas.
Hoje, os EUA já cobram tarifas de importação acima de 100% sobre carros elétricos chineses. Além disso, uma regra do Departamento de Comércio adotada no início de 2025, ainda no governo Joe Biden, restringe softwares e componentes chineses em veículos conectados, o que na prática barra os modelos chineses.
As montadoras, porém, querem que a proibição vire lei federal.
O presidente da entidade, John Bozzella, citou a Europa como exemplo. Segundo ele, a União Europeia importou mais de 1,1 milhão de veículos da China nos oito primeiros meses de 2026, mais do que em todo o ano passado.
Em setembro, o presidente Donald Trump disse à Fox News que aceitaria montadoras chinesas fabricando carros nos EUA, o que acendeu o alerta no setor.
Corrida contra o calendário
O projeto, chamado Connected Vehicle Security Act, foi apresentado pelos senadores Bernie Moreno, republicano, e Elissa Slotkin, democrata, e aprovado em comissão do Senado em julho. Na Câmara dos Representantes, a versão do texto tem mais de cem coautores.
O prazo, entretanto, é curto. O Congresso retoma os trabalhos na semana que vem, depois das eleições de meio de mandato desta terça-feira (3), e a sessão termina em dezembro.
A China, por sua vez, rejeita as acusações. O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou que já pediu aos EUA que respeitem as regras da economia de mercado e da concorrência justa e classificou as propostas contra empresas chinesas como “repressão irrazoável”.
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